450 ANOS DE RIO DE JANEIRO

O HSL não poderia deixar de comentar os 450 anos da Cidade do Rio de Janeiro, fundada em 1º de março de 1565. Agigantam-se vários comentários da grande mídia sobre esse fato histórico. Todavia, devemos destacar que essa terra fazia parte do grande Pindorama – terra das palmeiras -, conforme os povos nativos. O chamado Rio, de “ria” – canal ou braço de mar – que os portugueses assim a denominaram e, logo a seguir, em homenagem ao rei de Portugal, Dom Sebastião, passaram definitivamente a chamá-la de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Pena que diante das comemorações, a mídia não fala sobre os verdadeiros donos dessa terra, os índios. Por quê? Os brancos, tanto portugueses quanto franceses, dizimaram esse povo com a força militar e com a força da religião. Suas terras e suas culturas foram atropeladas pelos interesses mercantilistas dos brancos. Vejamos como se processou essa conquista.

Entre 1555 e 1624, o Brasil foi alvo de invasões estrangeiras promovidas por franceses e holandeses que tentaram, em várias ocasiões, se estabelecer em partes do território colonial brasileiro. Deve-se lembrar que os países europeus que ficaram pra trás no começo da Expansão Marítima e Comercial não aceitaram a partilha do mundo ultramarino feita pelos ibéricos, daí as invasões e as práticas de pirataria e corsaria.

As invasões e a reação de Portugal para retomar o controle de sua posse provocaram importantes mudanças na vida econômica e na organização política e territorial do Brasil colonial. Mas é importante destacar que franceses e holandeses tiveram diferentes motivações para organizar expedições marítimas e aportar no território brasileiro.

Os fatores da invasão francesa

Navegadores franceses conheciam o litoral brasileiro e aqui já haviam criado várias feitorias para contrabandear o pau-brasil. Em 1555, nesse interim, a França estava atravessando um período de conflito político-religioso envolvendo católicos e protestantes. Os protestantes franceses, conhecidos como huguenotes, passaram a ser perseguidos pelos católicos do reino.

Assim, comandados por Nicolau Durand Villegaignon e com o apoio do Almirante Gaspar Coligny, os huguenotes buscaram exílio no Brasil. Em 1555, os franceses planejaram, então, se fixar permanentemente na Baía da Guanabara, um ponto do litoral brasileiro que os portugueses ainda não tinham povoado. Os franceses se instalaram nas ilhas de Serigipe (hoje Villegaignon) e Paranapuã (hoje ilha do Governador), Uruçu-mirim (hoje Flamengo) e em Laje (atual Forte Tamandaré, na entrada da Baía da Guanabara), chamando toda essa região de França Antártica.

Guerras entre franceses e portugueses

Quando os franceses invadiram o Brasil, os portugueses já tinham iniciado o processo de colonização. Desde 1549o Brasil possuía um governo-geral. Por isso, Portugal reagiu, determinando ao governador-geral, Duarte da Costa que organizasse uma campanha para colocar fim à França Antártica. Duarte da Costa, todavia, não obteve êxito em nenhuma de suas tentativas. Em 1558, foi substituído no cargo por Mém de Sá, que, em 1560, deu início a outra campanha para expulsar os franceses.

Mém de Sá seguiu de Salvador para a vila de São Vicente (litoral paulista), onde obteve o apoio dos colonos e dos jesuítas, reunindo esforços para lutar contra os franceses. Os portugueses, então, obtiveram uma vitória parcial contra os franceses ao atacar o forte Coligny, na ilha de Serigipe, e conseguiram fazê-los fugir. Mas ficaram impossibilitados de persegui-los devido aos estragos ocorridos em inúmeras embarcações. Por isso, acabaram por abandonar a região.

Com a retirada dos portugueses, os franceses retornaram e ocuparam novamente o forte Coligny, tomando ainda posições em Uruçu-mirim e Paranapuã. Com o objetivo de resistir e defender a França Antártica, os franceses conquistaram o apoio dos índios que habitavam a região.

O que foi a Confederação dos Tamoios?

Incentivados pelos franceses, os índios das tribos tamoios conseguiram se unir a outras tribos e criaram a Confederação dos Tamoios, com objetivo de guerrear contra os portugueses. Embora ficasse iminente, a guerra entre os portugueses e os índios não chegou a ocorrer. Antes disso, os jesuítas  Manoel da Nóbrega e José de Anchieta realizaram um valioso trabalho de negociação com os tamoios, firmando a famosa Paz de Iperoig. Na prática, isso resultou no fim da aliança dos índios com os franceses e ficou claro também que o clero atuou em sintonia com a Coroa portuguesa.

Mesmo assim, os invasores permaneciam na Guanabara. Por esse motivo, Mém de Sá solicitou reforços a Portugal. D. Catarina, regente do trono português, enviou, em 1563, uma frota comandada por Estácio de Sá, sobrinho de Mém de Sá. Além dos reforços recebidos, Mém de Sá obteve o apoio do nativo Araribóia, chefe das tribos termiminós.

Finalmente, a cidade dos brancos

Com a reunião dessas forças, os portugueses iniciaram uma nova campanha. Após travarem vários combates, conseguiram expulsar os invasores e acabar com a França Antártica. Estácio de Sá, porém, morreu em decorrência dos combates, recebendo uma flechada no rosto. De qualquer maneira, de sua expedição resultou na fundação da cidade do Rio de Janeiro (01-03-1565), situada entre os morros Pão de Açúcar e Cara de Cão, hoje faz parte do Patrimônio Histórico Nacional. O índio Araribóia foi recompensado por Mém de Sá com uma sesmaria próxima à Baía da Guanabara, que futuramente daria origem à cidade de Niterói.

Fonte: http://www.marcillio.com/rio/enbourca.html. Acesso em 28-02-2015

Em 1763, o Rio de Janeiro se tornou capital do governo da Colônia, permanecendo no período do Império e, em grande parte da República. Todavia, depois da construção da cidade de Brasília, no governo do presidente Juscelino Kubitscheck (1956-61), a nova capital do Brasil foi pra lá. Mesmo assim, o Rio de Janeiro ainda desfruta do charme e da beleza, principalmente para quem está no avião ou ainda não a conhece em toda sua dimensão.

 

Faça o primeiro comentário a "450 ANOS DE RIO DE JANEIRO"

Comentar

O seu endereço de email não será publicado.


*