A COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO BRASIL

PERÍODO PRÉ-COLONIAL

Quando anunciou a descoberta das terras brasileiras, Portugal não tinha um projeto de colonização preparado para a exploração do novo espaço. Na verdade, desde todo o século XV, os portugueses estavam bem mais interessados em estreitar seus laços comerciais com os povos orientais. Dessa forma, observamos que entre 1500 e 1530, o governo português centrou muito pouco de suas atenções ao Brasil.

No ano de 1501, uma expedição liderada por Gaspar de Lemos foi mandada para cá com a missão de nomear vários pontos do litoral e acabou confirmando a existência de pau-brasil em nossas terras. A existência de tal árvore logo chamou a atenção dos portugueses, já que dela se extraía uma tinta bastante utilizada para o tingimento de tecidos na coloração vermelha.

Dois anos mais tarde, uma nova expedição foi enviada para a construção de feitorias ao longo do litoral. Tais fortificações eram utilizadas para o armazenamento de pau-brasil e para a proteção necessária contra a invasão de outros povos. Com relação a essa mesma atividade de extração, os portugueses contaram com o trabalho voluntário dos indígenas, que recebiam diversas mercadorias em troca do serviço prestado. Tal prática, ao longo do tempo, ficou conhecida pelo nome de escambo.

Com o passar do tempo, a ausência de portugueses na ocupação do território brasileiro incentivou outras nações a invadirem o litoral brasileiro. Entre outros povos, os franceses aportavam em nosso território em busca de pau-brasil e estabelecendo contato com a população nativa. Já nessa época, o governo português percebia que a falta de centros de colonização poderia colocar em risco a propriedade das terras conquistadas no continente americano.

Não bastando o risco de invasão, os portugueses não alcançaram o lucro esperado com a construção de uma rota marítima que os ligassem diretamente às Índias. O desgaste causado pelo longo percurso e a concorrência comercial de outros povos acabou fazendo com que o comércio com o Oriente não fosse muito atrativo. Desse modo, o governo português voltaria suas atenções para a exploração do espaço colonial brasileiro.

Em 1530, a expedição de Martim Afonso de Souza foi enviada até ao Brasil para a fundação do primeiro centro colonial do território tupiniquim. Já nessa viagem, mudas de cana-de-açúcar foram trazidas para o desenvolvimento da primeira empresa mercantil a ser instalada pelos portugueses. Além disso, essa mesma expedição foi acompanhada por padres jesuítas que realizaram a catequização dos indígenas.

 

 

A ANTROPOFAGIA DOS TUPINAMBÁS

Chegando às terras brasileiras, os europeus estabeleceram várias imagens sobre os indígenas, os primeiros povos a ocuparem o território americano. Não raro, os europeus modernos entendiam que os índios eram sujeitos que viviam em estágios primários do processo civilizatório. Em alguns relatos – principalmente naqueles em que o contato era pacífico – os índios eram descritos como portadores de certa inocência, como se fossem crianças que poderiam vir a “amadurecer” e, com o passar do tempo, partilhar dos valores do Velho Mundo.

Por outro lado, a visão construída pelos europeus em relação aos indígenas também foi marcada por noções em que as populações nativas eram compreendidas como animais ou “feras selvagens” que não poderiam ser civilizadas. Essas visões intolerantes apareciam nas situações de conflito, quando a chegada europeia ao território brasileiro era mal vista. Além disso, esse discurso que animalizava o indígena ainda ganhava força quando as práticas antropofágicas foram descobertas.

Esse tipo de visão não levava em consideração que a prática antropofágica entre boa parte dos índios tupinambás acontecia por razões que ultrapassavam a função biológica do alimento. O consumo de carne humana acontecia como um resultado de ações simbólicas desenvolvidas em situações de guerra entre diferentes povos. O mais interessante é notar que esse ato era realizado em uma situação festiva.

Após o aprisionamento de um guerreiro inimigo, os tupinambás ofereciam uma mulher para casar com o prisioneiro. No dia do sacrifício, uma grande festa era realizada para que o consumo de carne humana acontecesse. A expectativa dos participantes envolviam valores bastante peculiares em relação aos da cultura do Velho Mundo. Em primeiro lugar, essa morte era considerada positiva pelo próprio guerreiro conquistado, pois o inevitável fim da vida seria consagrado pela experiência de conflito.

Por outro lado, ao consumir a carne do guerreiro, os membros da comunidade esperavam vingar os seus antepassados ao poder consumir a carne do prisioneiro. O responsável pela execução não poderia consumir a carne e, depois de matar o preso, ficava uma época resguardado e trocava o seu nome. As carnes mais duras eram secadas e comidas pelos homens. Já as partes mais moles eram cozidas e consumidas pelas mulheres e crianças da comunidade.

A experiência colonial e, principalmente, o processo de conversão religiosa organizado pelos portugueses, acabaram extinguindo a prática do canibalismo entre os tupinambás. Desse modo, esse modo de reafirmação da identidade através da conquista do outro ficou depositada no passado. Contudo, muito longe de animalizar o homem, o ritual tupinambá destacava como a ritualização da guerra, da vida e da morte eram extremamente complexas a tais povos.

 

 

 

AÇÃO COLONIZADORA

No século XVI iniciou-se a exploração do Brasil, a partir da extração do pau-brasil, madeira tintorial, utilizada nas manufaturas de tecidos. Essa atividade, porém, não foi responsável pelo início da colonização, pois a exploração deu-se através de feitorias nômades, em vários pontos do litoral brasileiro, ou seja, durante cerca de 30 anos, não se formou nenhum núcleo de povoamento no Brasil.
Somente na década de 1530 deste século é que iniciou-se de fato a ocupação da terra, com o início da produção canavieira. Note que as áreas ocupadas pelo açúcar são pequenas, destacando-se a região de Pernambuco e, em menor escala, Bahia e São Vicente.
Durante o século XVII, a economia açucareira desenvolveu-se e passou a ocupar maiores áreas, ao mesmo tempo em que se desenvolveu a pecuária, como atividade complementar. No final do século temos as primeiras ocorrências de ouro
Note que, no mapa abaixo, deveria ter sido mantida a linha de Tordesilhas.

Mapa de Luís Teixeira (c. 1574) com a divisão do Brasil em 12 capitanias e a linha de Tordesilhas deslocada dez graus para oeste

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Durante o século XVIII, as atividades econômicas tornaram-se mais diversificadas. Destaca-se a ocupação do interior do território, principalmente com a mineração e a presença da pecuária no sul do país, neste caso para a produção de carne, abastecendo a região sudeste.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OS PRINCIPAIS TIPOS DE SOCIEDADE NO BRASIL COLONIAL

SOCIEDADE AÇUCAREIRA

A sociedade açucareira nordestina do Período Colonial possuía as seguintes características:

– Latifundiária.

– Rural.

– Horizontal.

– Escravista.

– Patriarcal

OBS. Os mascates, comerciantes itinerantes, constituíam um pequeno grupo social.

SOCIEDADE MINERADORA

A sociedade mineira ou mineradora possuía as seguintes características:

– Urbana.

– Escravista.

– Maior Mobilidade Social

OBS. 1– Surgem novos grupos sociais, como, tropeiros, garimpeiros e mascates.

          2– Alguns escravos, como Xica da Silva e Chico Rei, tornaram-se muito ricos e obtiveram ascensão social.

          3– É um erro achar que a população da região mineradora era abastada, pois a maioria era muito pobre e apenas um pequeno grupo era muito rico. Além disso, os preços dos produtos eram mais elevados do que no restante do Brasil.

          4– A mineração contribuiu para interiorizar a colonização e para criar um mercado interno na colônia.

 

 

expansão territorial brasileira está associada à diversidade de atividades que foram se desenvolvendo no Brasil Colônia na medida em que foi ocorrendo a expansão demográfica e também em decorrência da crise da economia açucareira no Nordeste.

Após a União Ibérica (1580-1640), houve a anulação do Tratado de Tordesilhas, que possibilitou que as terras mais afastadas do litoral brasileiro pudessem ser ocupadas pelos colonos, e ainda mais porque eram áreas que não interessavam na colonização espanhola. Então, ocupado de maneira desigual e por diferentes motivos, podemos resumir a expansão territorial brasileira assim:

  • Região Nordesteo litoral foi o primeiro local da ocupação portuguesa, devido ao interesse econômico da cana-de-açúcar e também por motivo da defesa militar do território. Podemos observar que a maioria das capitais nordestinas, com exceção de Teresina-PI, são cidades litorâneas. Já o interior do Nordeste foi povoado pela expansão da pecuária, tendo como principal eixo o Rio São Francisco, e outros povoamentos que eram cortados pelos rios, como o Rio Jaguaribe, no Ceará. A pecuária torna-se o principal meio econômico do Nordeste, que traz até hoje a figura do vaqueiro como representante de sua cultura.
  • Região Sudeste e Centro-Oeste: essas regiões foram povoadas pela atuação dos bandeirantes, em busca de ouro e no apresamento dos índios. Na verdade, a figura do bandeirante é decisiva para a expansão territorial brasileira, já que foi através das bandeiras que o interior do Brasil foi sendo penetrado, na corrida do ouro, no início do século XVIII. As cidades mineiras onde se concentraram a extração mineradora, também foi onde mais se concentrou a população, contribuindo para o desenvolvimento das cidades, construção de estradas, surgimento de vilas e a urbanização do Sudeste brasileiro.
  • Região Norte: teve como processo de povoamento também a atuação dos bandeirantes que foram em busca das drogas do sertão (as especiarias da floresta Amazônica brasileira) para comercialização.
  • Região Sul: foi colonizada por incentivo da Metrópole para assegurar o controle das fronteiras com a América espanhola, além de ter desenvolvido um grande centro de ação jesuítica com os Sete Povos das Missões. A Região Sul também se desenvolveu economicamente através de a pecuária e a charqueada.

A ARTE NO BRASIL COLONIAL

Arte colonial brasileira  é o termo pelo qual se categoriza toda a obra artística produzida no Brasil, durante o período em que o país permaneceu como colônia de Portugal. De modo geral, a arte classificada como colonial brasileira é aquela produzida entre os séculos XVI e XVII, com destaque para a Arquitetura e decoração de interiores.

Após a chegada dos europeus e a sua consequente ocupação do litoral, iniciou-se a construção das primeiras vilas, como por exemplo São Vicente, no litoral paulista. Atualmente, as cidades de Olinda e Iraguassu (PE), Parati (RJ), Laguna (SC), cidade de Goiás (GO), Cachoeira e São Sebastião (SP) e outras no interior de Minas Gerais ainda conservam as construções desse período. Casas, igrejas e solares representam parte da história do país e são protegidos como Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico do povo brasileiro.

A arquitetura era bastante simples, sempre com estruturas retangulares e cobertura de palha sustentada por estruturas de madeira roliça inclinada. Essas construções eram conhecidas por tejupares, palavra que vem do tupi-guarani (tejy = gente e upad = lugar). Com o tempo os tejupares melhoram e passam os colonizadores a construir casas de taipa.

Arquitetura no Brasil Colônia

Com essa evolução, começam a aparecer as capelas e os centros das vilas, dirigidas por missionários jesuítas. Nas capelas há crucifixo, a imagem de Nossa Senhora e a de algum santo, trazidos de Portugal.

As primeiras cidades construídas pelos portugueses não possuíam um planejamento urbano definido, tendo casas construídas muito próximas das outras. Os materiais empregados variavam de acordo com a localização: no litoral utilizava-se pedra e cal; no interior, barro batido, madeira e barro ou pedra.

Além das cidades litorâneas, outro ponto importante de ocupação eram as fazendas onde se produzia açúcar, o melaço e a cachaça. Alguns artistas dedicaram-se a retratar as cenas das fazendas e engenhos, especialmente Frans Post (século XVII), Debret (século XIX) e, já no século XX, Cícero Dias e Vicente do Rego Monteiro.

A arte religiosa, assume grande expressividade nesse período. Com o intuito de catequizar os índios, e manter os preceitos da igreja católica, os portugueses construíram várias igrejas replicando àquelas que existiam em Portugal.

A arquitetura religiosa foi introduzida no Brasil pelo irmão jesuíta Francisco Dias, que trabalhou em Portugal com o  arquiteto italiano Filipe Terzi, projetista da igreja de São Roque de Lisboa.

As pinturas e esculturas desse período eram feitas por padres e jesuítas, seguindo o estilo Maneirista. A partir do século XVII começou-se a utilizar o estilo que ficaria mais associado ao tipo de arte empregado na decoração de igrejas de todo Brasil colonial, o estilo Barroco.

Maneirismo – Paralelamente ao renascimento clássico, desenvolve-se em Roma, do ano de 1520 até por volta de 1610, um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da antiguidade clássica: o maneirismo (maniera, em italiano, significa maneira). Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes começa a ser sua marca, extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos. 
Alguns historiadores o consideram uma transição entre o renascimento e o barroco, enquanto outros preferem vê-lo como um estilo, propriamente dito. O certo, porém, é que o maneirismo é uma consequência de um renascimento clássico que entra em decadência. Os artistas se veem obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas durante o renascimento.