A REVOLTA DO RONCO

Durante o período imperial no Brasil aconteceram várias revoltas populares contra as práticas políticas adotadas pelo governo, sendo que as rebeliões provinciais foram as mais conhecidas na sociedade brasileira do século XIX, que vitimou muitas pessoas. A revolta do Ronco da Abelha ou Revolta dos Marimbondos foi um movimento popular que lutou contra o governo imperial por causa de medidas políticas que não agradavam a população. Essa revolta ficou assim chamada pelos sons semelhantes ao de uma abelha que os revoltos faziam, e aconteceu em diversas províncias do território brasileiro a partir de 1851.  

O principal motivo dessa revolta foi a resistência popular na aceitação de ideias modernizantes elaboradas por D. Pedro II. Dentre essas ideias estava a realização de um controle demográfico no país, onde um cadastramento em relação ao número de nascimentos e mortes dos cidadãos seria realizado. Contudo, essa medida era vista pelo imaginário popular como uma alternativa do império para escravizar as pessoas pobres da região e, por isso, elas se revoltaram.

O governo brasileiro, a fim de atingir seu objetivo, criou o decreto 797 – Censo Geral do Império, para realizar a contagem da população e o decreto 798 para o registro dos nascimentos e dos óbitos. Contudo, os revoltos começaram a se articular contra esses decretos e um exemplo de resistência aconteceu na Província de Pernambuco, no dia 1° de Janeiro de 1852, quando homens, mulheres e meninos armados invadiram a igreja Matriz Pau D`Alho, sob a liderança de João dos Remédios, e arrancaram das paredes os avisos sobre os decretos. Desse modo, o acontecimento em Pernambuco contribuiu para outros movimentos em diferentes províncias, como Paraíba, Ceará, Alagoas e Minas Gerais, onde a parcela pobre dessas regiões contestavam essas medidas criadas pelo imperador.

Essa revolta mostra a instabilidade e a desconfiança da população de baixa renda em relação ao regime imperial no Brasil. Esse receio esteve relacionado principalmente às poucas mudanças sociais após a independência, como a continuidade do trabalho escravo e a manutenção das estruturas tradicionais de poder que promoveram a continuidade da desigualdade social e da miséria do povo brasileiro.