ENTREVISTA COM O HISTORIADOR RUBIM DE AQUINO

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aquino2Um dos mais famosos historiadores brasileiros, autor e coautor de vários livros, como o clássico “História das Sociedades”, “Um tempo para não esquecer”, “Sociedade brasileira: uma história através dos movimentos sociais”, entre outros.

Professor, pesquisador e militante político, Aquino, com os seus 83 anos, sempre está no exercício do ofício de historiador. É aquele que nunca se aposenta…

Entrevistado pelo www.historiasemlimites.com.br, no dia 15 de abril de 2012, Aquino demonstra amor por aquilo que faz.

 

HSL – Cada um tem uma motivação para seguir uma profissão. Qual foi a sua para trilhar o caminho da História?

 

AQUINO – Eu gostava de ler e meu pai, militar do Exército e simpatizante da UDN, achava que eu devia estudar para seguir carreira de diplomata, mas eu não quis.

 

Em Mato Grosso do Sul, antigo Mato Grosso, eu tive um professor, que nem era formado em História, mas advogado, que eu gostava muito da aula dele. Ele expunha os assuntos no quadro e depois explicava. Nem precisava estudar em casa!

Casei muito cedo e minha primeira mulher praticamente me inscreveu para o vestibular de História na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Como precisava de dinheiro, comecei a dar aula.

 

HSL – Onde você estava quando o nosso país mergulhou na longa fase da ditadura civil-militar?

 

AQUINO – Eu tinha acabado de me formar e sempre gostei de me envolver com política desde os 14 anos de idade, o que irritava muito meu pai. Participei da campanha do Petróleo é nosso, que resultou na criação da Petrobras; estive presente no comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964; e outras tantas. Eu e meu sogro, que era militante do antigo PCB, conversávamos muito sobre política, embora eu fosse do Partido Trabalhista Brasileiro desde a sua fundação até 1965. Depois ingressei no MDB, de 1965 até 1981; até que entrei para o PT, ficando lá até 2005, quando depois passei para o PSOL.

 

HSL – No início da década de 1980, o mundo passou a conviver com uma nova “ordem”, a neoliberal. O que você acha dessa “ordem” e como a ciência histórica deve atuar nesse contexto?

 

AQUINO  – A História é a mais política de todas as ciências. Foi George Bush (pai), após a queda do bloco socialista, que preconizou a “ordem” da globalização e sua ideologia neoliberal. Entendo que o estudo das ciências sociais tem que ser pautado pela infraestrutura, embora o estudo das mentalidades seja importante, mas não determinante para se conhecer as sociedades.

 

Nós, professores de História, devemos mostrar aos nossos alunos que o estudo das sociedades, com base na infraestrutura, é o alicerce para se conhecer as transformações políticas, econômicas e culturais.

 

HSL – Qual o seu ídolo na História?

 

AQUINO – Ernesto Guevara, Lênin e Napoleão.

 

HSL – Mas, Napoleão não está na contramão de Guevara e Lênin?

AQUINO – Mas todos que eu citei tinham projeto de construção de uma ordem econômica e social, embora Napoleão fosse para a burguesia francesa…

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