DAVI HUME

Nasceu em 1711, na Escócia. Foi grande defensor do empirismo. É conhecido por sua posição filosófica baseada no ceticismo, empirismo e naturalismo, posição esta que desenvolveu como um sistema filosófico abrangente. Tendo início na obra Tratado da Natureza Humana, de 1739, na qual Hume procurou examinar a base psicológica da natureza humana, esta posição o levou a concluir ser o comportamento humano governado pela paixão e não pela razão, argumentando contra o racionalismo, ao qual o empirismo se opunha com veemência. O desenvolvimento desta posição também o levou a afirmar uma ética sentimentalista, a qual seria baseada nos sentimentos ou emoções humanas, em oposição a uma ética baseada em princípios morais abstratos.

Uma das principais inovações conceituais apresentadas por Hume foi a expansão da distinção de argumentos demonstrativos e prováveis, apresentada por John Locke. De acordo com Hume, existem três tipos de argumentos, as demonstrações, as provas e as probabilidades. Do ponto de vista empírico, as provas seriam o tipo mais relevante, pois se referem àqueles argumentos provenientes da experiência, aos quais não se pode oferecer oposição ou apresentar dúvida, são autoevidentes. Por esta posição, Hume defende que a razão por si mesma não seria capaz de fazer surgir ideias originais.

Hume foi ainda mais longe em sua posição empirista radical, pois argumentou que a causalidade não pode ser justificada racionalmente, sendo nossa crença na existência da causalidade um mero resultado da conjunção constante de experiências e do hábito proveniente desta conjunção.

Hume adicionou um importante aspecto à discussão acerca do método científico, ao afirmar que, para elaborar-se as premissas necessárias a um raciocínio indutivo, é preciso utilizar o próprio raciocínio indutivo, o que resultaria em uma argumentação circular. Assim sendo, não estamos racionalmente justificados a confiar em raciocínios indutivos e, portanto, não podemos afirmar que o futuro será como o passado, o fato de que temos de supor a constância para poder afirmar que o evento acontecerá novamente mostra que não há razão para pensar que será assim, apenas estamos acostumados a pensar que os eventos, como, por exemplo, o nascer do Sol, irão se repetir devido a termos “experienciado” a sua repetição no passado. Este tópico é conhecido como “problema da indução” e permanece um ponto de discussão ativo na filosofia contemporânea.