ENTREGUERRAS

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digimultiPERÍODO ENTREGUERRAS NA EUROPA (1918-39)

 

A)ASPECTOS GERAIS

 

DEPOIS QUE ACABOU A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL, A EUROPA MERGULHOU NUMA SÉRIE DE PROBLEMAS:

 – o descrédito da ideologia liberal, devido ao caos econômico-financeiro que se encontrava o Velho Continente;

– no lugar do pensamento liberal, surgiram os pensamentos fascista – defesa do capitalismo em bases autoritárias – e socialista – defesa do fim da propriedade privada e da total participação das classes trabalhadoras, devido a influência da revolução de outubro na Rússia;

– o medo do socialismo fez com que o empresariado e os setores da classe média passassem para o lado do movimento fascista.

B)O FASCISMO ITALIANO

 

Apesar de participar da Primeira Guerra, a burguesia italiana pouco ganhou, pois a promessa dos países da entente não foi cumprida plenamente. Assim, os gastos com a guerra ficaram com o povo e com a própria burguesia. Com o crescimento do Partido Socialista, nas eleições de 1919,

a burguesia sentia-se ameaçada, daí o apoio que ela passou a dar ao líder dos fasci di combattimento, os esquadrões fascistas, formados por ex-soldados, marginais e setores desocupados da classe média.

O objetivo era reprimir com violência as manifestações operárias, com destruição de dezenas de sindicatos. Foi assim que surgiu o Partido Nacional Fascista, onde seus seguidores andavam de roupa preta, os camisas negras como eram chamados.

Em outubro de 1922, Mussolini organizou a famosa Marcha sobre Roma para pressionar o rei Victor Emanuel III a nomeá-lo Primeiro-Ministro. A partir daí, o “Duce” (líder) Mussolini passou a governar com mão de ferro, tendo respaldo da burguesia e até da Igreja Católica (que ganhou de “presente” de Mussolini o Vaticano, conforme o Tratado de Latrão, em 1929), amedrontada também com o socialismo.

As principais medidas do governo fascista foram:

– intervencionismo econômico, visando proteger os grandes grupos empresariais;

– modelo corporativista, quando os sindicatos ficaram sob controle do governo, a fim de impedir a luta de classes. Não se permitia greve e lock-out – paralisação do empresário;

– investimentos em obras públicas, visando combater o desemprego;

– censura e forte propaganda em torno do “duce”, com base no nacionalismo extremado, no anticomunismo e na militarização da sociedade;

– política expansionista, a fim de ganhar mercados para sua burguesia, daí a ocupação da Etiópia, na África.

 

C)O NAZISMO ALEMÃO

Após a Primeira Guerra, a Alemanha conheceu um período de profunda crise econômico-financeira, já que foi punida pelo Tratado (imposição) de Versalhes, imposto pelos vencedores da guerra. O seu novo governo, de tendência social-democrata, a famosa República de Weimar, sofreu a primeira oposição armada de esquerda, o levante espartaquista, em 1919, com Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. O levante foi esmagado e seus líderes assassinados. Da mesma forma que na Itália, a burguesia alemã temia o socialismo, o que facilitou o surgimento de um partido de extrema direita, o famoso Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Detalhe: o termo socialista era só para enganar os operários.

Já em 1923, o fuhrer (líder) Adolf Hitler tentou um golpe de Estado numa cervejaria em Munique, o famoso putsh da cervejaria. O movimento fracassou e Hitler foi preso. Na prisão escreveu o seu arcabouço autoritário e fascista, o livro Mein Kampf (Minha Luta).

Com a crise de 1929, a Alemanha voltou a vivenciar uma nova crise. Foi aí que Hitler conseguiu o seu objetivo: o poder em favor do grande capital. Em 1932, Hitler foi convidado pelo presidente Hindenburg a ocupar o cargo de chanceler (Primeiro-Ministro). Em abril de 1933, os nazistas incendiaram o parlamento alemão e jogara a culpa no Partido Comunista. A partir daí, começava a ditadura nazista, seguindo o exemplo do fascismo italiano e tendo como bode expiatório o povo judeu.

As medidas do governo nazista foram bem parecidas com a do modelo fascista italiano, só que com a política antissemita – perseguição ao povo judeu, mas atingindo também ciganos, homossexuais, liberais, marxistas e até pessoas com problemas físicos e mentais.

 

D) O CAMINHO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

As ditas democracias liberais – França e Inglaterra – adotaram uma posição em relação ao nazifascismo denominada política de apaziguamento, que consistia em “assistir” ao crescimento do regime nazifascista para combater o socialismo. Assim, em 1938, a Alemanha “ganhou” da Inglaterra e da França a autorização para ocupar a região dos Sudetos – habitada por alemães – na parte ocidental da Tchecoslováquia, na famosa Conferência de Munique. Todavia, em agosto de 1939, para surpresa do mundo, Hitler e Stálin fizeram o famoso Pacto Germano-Soviético (ou Molotov-Ribbentrop), que consistia num compromisso de não-agressão entre os dois países e que resultou na divisão da Polônia entre eles. A partir daí, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha. Começava a Segunda Guerra Mundial.

 

OBSERVAÇÃO: o fascismo despontou também em Portugal com Antônio de Oliveira Salazar, que consolidou uma ditadura até 1974, e na Espanha, depois de uma intensa guerra civil (1936-39), sob a liderança do General Francisco Franco, que recebeu ajuda da Itália e da Alemanha, e do lado oposto as forças populares, que tiveram apoio reduzido das tropas soviéticas. O resultado dessa guerra foi o triunfo de Franco que governou a Espanha até 1975.

É importante lembrar que os ditadores ibéricos mantiveram-se neutros na 2ª Guerra.

 

 

 

 

 

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