HISTÓRIA DOS BAIRROS DO MUNICíPIO DO RIO DE JANEIRO

madu1909

 

HISTÓRIA DOS BAIRROS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.

madu1909

Parte do pátio da estação de Madureira em 1909. Foto de Augusto Malta.

ABOLIÇÃO

O nome do bairro da Abolição provavelmente tem sua origem no antigo nome da rua da Abolição, 13 de maio, dia da abolição dos escravos no Brasil. Inicialmente eram as populações ligadas às lavouras e ao comércio desses produtos, sendo o bairro cortado pela antiga Estrada Real de Santa Cruz, hoje Av. Suburbana.

Depois no século XIX vieram algumas fábricas (no vizinho bairro do Engenho de Dentro) e as estradas de ferro, que serviam às localidades mais ao norte, mas que levaram à ocupação lindeira aos trilhos, o que posteriormente se espraiou e alcançou a área atualmente delimitada como o bairro da Abolição.

Os primeiros registros de loteamentos de grandes terrenos junto à rua da Abolição são de 1917 e, em 1930, essa via é aberta como uma Av. Projetada. A partir de 1930, o Estado passa a apoiar a atividade manufatureira, sendo as áreas servidas pelas ferrovias, o entorno próximo, escolhidas para a instalação de muitas delas. De lá para cá o bairro adensou, consolidando-se como um bairro residencial. Parte dele foi atravessado pela via expressa “Linha Amarela”, inaugurada em 1997.

ACARI

O nome do bairro de Acari provavelmente vem do rio Acari (é um tipo de peixe) que corta suas terras e faz divisa com o vizinho bairro Parque Colúmbia. Acari é um bairro da área Norte da cidade do Rio de Janeiro.

A comunidade foi batizada com o mesmo nome do rio que passa nas proximidades da região, que hoje é chamada de Favela de Acari e que, na verdade, é a junção do Conjunto Amarelinho, construído no final dos anos 50 na beira da Avenida Brasil, e mais quatro localidades: Parque (Proletário) Acari, Vila Rica de Irajá, Coroado e Vila Esperança. O Complexo Acari iniciou seu processo de ocupação no ano de 1946 apresenta um dos maiores índices de pobreza no Estado do Rio de Janeiro.

O bairro confunde-se com a Fazenda Botafogo, conjunto de edifícios habitacionais construídos nos anos 70, nos mesmos moldes da Cidade de Deus, na zona oeste. Faz limite, também, com Coelho Neto. Na área hoje delimitada como bairro de Acari, primeiro era formado pelas grandes fazendas, depois, os engenhos que cultivavam, dentre outros produtos, a cana de açúcar.

A região até o século XIX tinha ocupação predominantemente rural. A partir de 1875, é implantada a estrada de Ferro Rio d’Ouro, por onde corre hoje a linha 2 do metrô, e no entorno da mesma foram surgindo pequenos núcleos urbanos que levaram no início do século XIX a novos loteamentos.

A Vila Nazaré entre a Av. Automóvel Clube e a rua Acuruí data de 1938. Em 1946, é inaugurada a Av. Brasil, que é outra divisa do atual bairro de Acari, levando à implantação de muitas indústrias e a um adensamento junto à nova via. Ocupações informais têm lugar, e hoje parte do bairro é constituído pelas favelas de Parque Acari, Vila Rica de Irajá e Vila Esperança.

Com a implantação da Linha 2 do Metrô, ganhou a estação Acari-Fazenda Botafogo. Nele foi construído o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, conhecido como Hospital de Acari, o segundo maior do município.

ÁGUA SANTA

O nome do bairro de Água Santa vem de uma água mineral que jorrava de fonte localizada nessa área. A água da fonte era engarrafada e vendida a quem se interessasse. Inicialmente, onde hoje é o bairro, eram as terras altas de fazendas e engenhos.

Em meados do século XIX tem-se notícia de que na vertente voltada para Água Santa teria existido um quilombo, o que teria originado o nome da encosta como Serra dos Pretos Forros. Das terras desmembradas das fazendas, teria existido no início do século XIX, uma grande chácara que ia da estação do Engenho de Dentro até o morro dos Pretos Forros.

Os primeiros registros de loteamento são de 1917, promovendo-se mais tarde o Jardim Água Santa que se estima tenha ocorrido por volta de 1946. De lá para cá, a região foi se desenvolvendo na esteira do crescimento do Grande Méier.

Recentemente a área foi cortada pela Linha Amarela, o que mudou sobremaneira a paisagem, inaugurada em 1997, lá estando a sua praça de pedágio e o acesso ao túnel engenheiro Raymundo de Paula Soares, ou túnel da Covanca, um dos maiores túneis urbanos do mundo, com extensão de 2.187 metros.

ALTO DA BOA VISTA

D. Pedro II determinou o reflorestamento das matas da região da Tijuca iniciada em 1861, durando 13 anos, e conduzida sob a direção do Major Manuel Gomes Archer e do administrador Thomás Nogueira da Gama, plantando cerca de 80 mil mudas de espécies variadas de árvores, nativas e exóticas. Thomás Nogueira da Gama recuperou durante 25 anos as matas do Sumaré e das Paineiras, plantando mais de 20 mil mudas de árvores. Além disso, melhorou as trilhas e acessos à região, possibilitando o aumento do número de visitantes. Ao final, estava reflorestado o maior parque urbano do mundo, inaugurando uma nova atração no Rio de Janeiro e tornando a região pioneira sob mais esse aspecto: os inovadores passeios turísticos ao Alto da Boa Vista, onde a população da Cidade fazia piqueniques desfrutando das belezas da Mata Atlântica e do maravilhoso panorama da Baía de Guanabara.

O pintor Nicolas Taunay (1755-1839), considerado a figura de maior importância da Missão de 1816, lecionou pintura na Academia Imperial das Belas Artes, deixando diversas pinturas de paisagens e retratos. Construindo uma cabana no Alto da Boa Vista, local conhecido até hoje como Cascatinha de Taunay, na estrada do Imperador, tornou-se assim o seu primeiro morador. A estrada do Alto da Boa Vista, hoje avenida Edison Passos, é ampliada e pavimentada, tendo os principais mirantes reformados e ganhando uma praça com coreto, a praça Afonso Vizeu, próxima à Cascatinha Taunay, consolidando o local como bairro.

O nome do bairro Alto da Boa Vista tem origem na bela paisagem que se admira das suas encostas. No início era a serra, depois vieram as plantações de café que desmataram os morros e alteraram a vazão de rios da região, influindo no abastecimento dos bairros da planície. D. Pedro II determinou então o reflorestamento de toda área, empreitada iniciada em 1861 pelo Major Archer. Após o plantio de cerca de 100.000 mudas de árvores, nascia o maior parque urbano do mundo, o que inaugurou um programa pioneiro na cidade, fazer piqueniques desfrutando das belezas da Mata Atlântica e do maravilhoso panorama da Baía de Guanabara.

Depois de ocupado por alguns hotéis e tendo abrigado residência de alguns membros da elite, o bairro consolidou-se como parque urbano e suas florestas são objetos de permanente esforço para sua preservação, incluindo a Floresta da Tijuca e a serra da Carioca, no Alto da Boa Vista se situam dois setores do Parque Nacional da Tijuca.

ANCHIETA

As terras do atual bairro de Anchieta pertenciam ao Engenho Nossa Senhora de Nazaré e seu clima ameno fez Dom Pedro II cogitar localizar nele um hospital para tuberculosos. O Vigário de Realengo, Padre Miguel, mais tarde instalou na região capela abrigando a imagem secular, de grande valor artístico, venerando Nossa Senhora de Nazaré. O capitão Bento de Oliveira Braga era o senhor dessa propriedade, além do Engenho Novo da Piedade, herdados por sua família. O padre Wander Tavares iniciou a construção da Matriz atual, estabelecendo seu nome na praça principal do bairro, onde chegava o Caminho do Engenho Velho, depois do rio do Pau (avenida Crisóstomo Pimentel de Oliveira), oriundo da Pavuna.

Anchieta pertenceu ao Município de Nova Iguaçu até o início do século XX, juntamente com Nilópolis, sendo atualmente uma das principais portas de entrada para o Rio de quem vem da Baixada Fluminense. Com a implantação da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, a estação de Anchieta foi inaugurada em 1º de outubro de 1896, nome dado em homenagem ao padre José de Anchieta, religioso catequizador de índios nos primórdios do Brasil colonial. O prédio da estação atual foi inaugurado em 1989, servindo hoje aos trens metropolitanos do ramal de Japeri.

A ocupação inicial, junto à ferrovia, se expandiu com o aparecimento dos primeiros loteamentos, em 1916, e os projetos de arruamentos nos terrenos da família Luiz Borges. Surgiram as ruas: Clara Borges, Ernesto Vieira, Leopoldina Borges, Arnaldo Murineli, Adalberto Tanajura, entre outras. Na região da praça Itanhomi, havia, há séculos, um cemitério indígena de grande extensão, que deu origem aos nomes da maior parte das ruas da chamada “Vila Mariópolis”, como as ruas Gerê, Aiacá, Aiúba, Jarupá, Juarana, Cracituba etc. Na década de 1940 e daí em diante até os anos 1970, o restante do bairro foi loteado, fazendo surgir o Parque Anchieta, depois desmembrado de Anchieta, cujo decreto de criação data de 23 de julho de 1981.

Um dos maiores assentamentos de “sem tetos” do Rio de Janeiro foi realizado na região, com as comunidades Parque Esperança, Final Feliz e Parque Tiradentes. Na orla do rio Pavuna outras comunidades se destacam, como a Beira Rio ou Arnaldo Murineli, Maria José, avenida Oliveira Bueno e Itatiba. Os principais acessos viários do bairro são a Estrada Marechal Alencastro (antiga General Tasso Fragoso), a avenida Nazaré, a avenida Crisóstomo Pimentel de Oliveira, a rua Alcobaça, a rua Cardoso de Castro (acesso a Nilópolis) e o início da Via Light, ligação com Nova Iguaçu.

ANDARAÍ

O nome do bairro do Andaraí pode ter procedência no antigo nome do rio Joana, que se chamava ANDARA-HY AÇU, ou “rio Grande dos Morcegos”, ou no Pico do Andaraí, cuja tradução do tupi para o português seria “empinado para cima”.

Inicialmente, eram as vastas terras dos jesuítas, denominadas de Andaraí Grande e lá pelo século XIX parte dessas terras teriam sido adquiridas por um juiz, tornando-se um grande latifúndio. Mais tarde vieram as chácaras e depois as vilas de casas populares, ainda hoje muito freqüentes, que abrigavam os operários das fábricas que lá pelos anos 1890 passaram a ser comuns no bairro. Depois, lentamente essas fábricas foram sendo desativadas.

Os primeiros registros de loteamentos regulares na área são de 1917, em torno das ruas Leopoldo e Barão de Mesquita, consolidando-se desde esses tempos o Andaraí como um bairro residencial. O RioCidade beneficiou recentemente o entorno da rua Barão de Mesquita na sua parte da Andaraí, levando melhorias às calçadas, novos estacionamentos, criação de novas baias de ônibus, entre outros aportes. Nele foi construído o Iguatemi Shopping, na divisa com Vila Isabel, inaugurado em 1996.

ANIL

O nome do bairro do Anil tem sua origem, provavelmente, no fato de em tempos remotos no local terem existido arbustos nativos, cujos frutos eram o anil. Inicialmente, a região era ocupada por engenhos, posteriormente vieram as fazendas, onde se plantava o café.

As anileiras da região eram de alta qualidade. Por isso, houve grande aceitação do corante na Europa. O anil era transportado pelo rio que hoje tem esse nome até a Barra da Tijuca. Daí ao porto do Rio de Janeiro, para ser embarcado em navios para Europa. A cultura do anil nessa parte de Jacarepaguá durou até o século XVIII. Depois, como aconteceu em toda a província do Rio de Janeiro, a região do Anil também foi tomada por plantações de café.

No século XIX, havia na localidade a próspera fazenda do Quitite, cujo dono era o cafeicultor Marcos Antonio Deslesdenier. A estrada do Quitite era uma das vias no interior da propriedade. Na década de 1960, quando exercia o cargo de presidente da República, João Goulart (1918-1976) possuía casa de veraneio no final da estrada do Quitite. Era o sitio Capim Melado. Hoje, o local é um condomínio fechado, mas a casa principal do sítio, toda feita de pedra, ainda existe. A região do Anil, Gardênia Azul e Cidade de Deus faziam parte nos séculos passados da Fazenda do Engenho D`Água.

BANCÁRIOS

O nome do bairro se refere ao Conjunto Habitacional construído pelo antigo Instituto e Aposentadoria e Pensões dos Bancários (IAPB), nas décadas de 1940/1950, na Ilha do Governador, destacando-se o Conjunto Residencial Jardim das Praias, inaugurado em 1953, com 240 residências, em terreno alagadiço, aterrado, sendo construído um canal para desague de antigo riacho, situado na atual avenida Ilha das Enxadas. As residências, construídas em lotes de 360 m2, eram classificadas em quatro grupos diferentes, variando a tipologia e o tamanho. Foram abertas as ruas Ilha Fiscal, Max Yantok, Gipoia, Cabo Branco, Juan Pablo Duarte, etc e o acesso principal é pela estrada da Porteira (atual avenida Dr. Agenor de A. Loyola).

Na segunda metade do século XIX, o bairro teve um morador ilustre, o Barão de Capanema (implantador dos Telégrafos no Brasil) que possuía chácara entre a Freguesia e a praia de Olaria, defronte à atual praia Congonhas do Campo, abaixo do morro do Barão (64 mts), assim chamado em sua homenagem. Nessa chácara, existiu uma pequena fábrica de veneno contra pragas da lavoura.

O bairro é atravessado pela avenida Paranapuã e o seu limite com o bairro da Freguesia segue a faixa não edificante, onde passam oleodutos cruzando a Ilha desde a praia dos Bancários até o início da praia da Guanabara.

Na década de 1960, ocorreu a construção do Estaleiro Ilha S. A. – EISA (antigo EMAQ), que se destina à construção e manutenção de navios. A partir de 1935, o bonde circulava pela avenida Paranapuã, num trajeto que ia até a localidade do Bananal (final da Freguesia). A principal comunidade do bairro é o Parque Proletário dos Bancários, surgida em 1961, no morro dos Bancários, coberto por vegetação. Os primeiros barracos foram atingidos por deslizamentos, depois a ocupação se consolidou, ocupando toda a área, de 77.240,23 m2, com adensamento e verticalização.

BANGU

A região de Bangu teve como primeiro proprietário o português Manoel de Barcelos Domingos que fundou, em 1673, a fazenda Bangu, onde ergueu uma capela e o Engenho da Serra, que fabricava açúcar, cachaça e rapadura, transportados em carros de bois até o Porto de Guaratiba.

A estrada de ferro chegou em 1878, com a inauguração do ramal de Santa Cruz da E. F. Dom Pedro II e a abertura da Estação de Bangu, em 1890. Ainda no final do século XIX, foi construída a Fábrica Bangu (1893), com vilas residenciais para técnicos e operários da fábrica.

No início do século XX a população do bairro aumentava, novas ruas eram abertas e a urbanização da região prosseguia. Contudo, na década de 1930, muitos proprietários investiam na produção e exportação de laranjas, cuja lavoura se espalhava pelos sítios vizinhos, desde o Maciço de Gericinó até a Serra de Bangu.

Na década de 1960, a política de erradicação de favelas e de remoção da sua população para a periferia do Município levou à construção dos conjuntos habitacionais Vila Aliança, Vila Kennedy, Jardim Bangu e Dom Jaime de Barros Câmara. Posteriormente, novos conjuntos foram construídos no bairro como o Sargento Miguel Filho, Dr. Antonio Gonçalves, dentre muitos outros.

A partir de 1989, a Fábrica Bangu iniciou sua decadência até encerrar suas atividades no bairro, em 2005. No seu terreno original, foi construído o Bangu Shopping, inaugurado em 2007, com lojas, cinemas e praças de alimentação.

BARRA DA TIJUCA

O processo de ocupação da Barra da Tijuca foi induzido pela implantação de estradas de rodagem, ao contrário dos bondes e trens que promoveram a urbanização nas regiões mais antigas da cidade. Muito antes que a região se adensasse, já tinham sido abertas as estradas dos Bandeirantes, do Joá, de Furnas, das Canoas, da Gávea, entre outras, que começaram a surgir ainda no século XIX.

Apesar dos loteamentos Jardim Oceânico e Tijucamar terem sido implantados em 1939, o bairro da Barra começa a ser sistematicamente ocupado apenas a partir da década de 1960, após a elaboração do Plano Lucio Costa e a realização de investimentos públicos na melhoria da acessibilidade da região.

Com a construção da Auto-Estrada Lagoa Barra, na década de 80, a urbanização da região se intensificou, em um padrão diferente do resto da cidade. Marcada pelos condomínios fechados e grandes equipamentos comerciais, a Barra é uma das principais frentes de expansão da cidade, com intensa atividade da construção civil.

BARRA DE GUARATIBA

Seu nome vem do tupi: “WA’RA” ou “GUARA”, garça, mais o sufixo “Tuba”, sítio: “sitio em que abundam as garças”. O bairro se encontra na faixa entre os grandes manguezais e a Serra Geral de Guaratiba. Na cartografia do século XVII, a área já era chamada de “Barra de Guaratiba”. Em 1640, está denominada, também, como “Barra de Garatuba” na “Carta da Costa”, de João Teixeira, cosmógrafo do Rei.

A área apresenta importantes vestígios arqueológicos, com indícios pré-históricos, de antigo habitante, o “Homem do Sambaqui”. Em documentos de 1590, já se constatava a presença de colonos em partes da região que chamava de “Guarapirangua”. Em Barra de Guaratiba desembarcaram, em 1710, franceses comandados por Duclerc, que marcharam pelo sertão carioca para seu fracassado ataque a cidade do Rio de Janeiro.

Toda a região fazia parte da freguesia de Guaratiba, criada em 1755. Uma grande proprietária de terras, a Marquesa Ferreira, casada com Cristóvão Monteiro, tinha uma propriedade naquela praia, segundo documento de 1596.

O Porto Mar de Guaratiba, na barra de mesmo nome, exportava a produção agrícola da Freguesia, com acesso a embarcações de pequeno porte. Na Restinga da Marambaia, as terras de Maria Isabel Breves foram vendidas a uma Companhia de Melhoramentos e negociadas, em 1897, ao Banco da República e à Fazenda Federal, em 1905. Lá, o Exército instalou um polígono de tiro, tornando, toda a restinga, área militar. No sítio Santo Antonio da Bica, o paisagista Roberto Burle Marx localizou o seu viveiro de flores e plantas tropicais, em área estimada de 600.000 m2.

O Bairro tem duas praias: Barra de Guaratiba e a do Canto. Ambas em enseada abrigada pela Ponta do Picão e as encostas do morro de Guaratiba, que tem 355 metros. Estas praias são muito procuradas por veranistas. O acesso é feito pela antiga estrada da Barra de Guaratiba, atual estrada Roberto Burle Marx. Ao longo dessa via, limitando o extenso manguezal de Guaratiba, encontram-se diversos restaurantes de peixes e frutos do mar. Nas encostas do morro de Guaratiba estão trilhas que dão acesso às praias selvagens voltadas para o Grumari, como dos Búzios, Perigoso, Meio, Funda e do Inferno.

BARROS FILHO

Toda a região que pertencia a freguesia de Irajá era ocupada por grandes fazendas, como a Botafogo e a do Engenho Boa Esperança (do século XVIII). A família Costa Barros era proprietária desses latifúndios. O pai passou toda a área para seu herdeiro, Barros Filho. Com a construção da linha auxiliar, entre os anos de 1892 e 1898, nela foi instalada a estação Barros Filho, que deu nome ao Bairro. É atravessado pela avenida Brasil, abrange o Distrito Industrial da Fazenda Botafogo e diversas comunidades.

BENFICA

A região original era composta de alagadiços que se estendiam da Baía de Guanabara até a região da Praia Pequena. Por ela passava a Estrada Real de Santa Cruz, vinda do Largo da Cancela, em São Cristóvão, e que corresponde às atuais Ruas São Luiz Gonzaga e Avenida Dom Hélder Câmara (Suburbana). A principal via local era a Rua da Alegria (atual Prefeito Olímpio de Melo), que seguia até o Caju. No Largo do Pedregulho fica a “Fonte da Medusa”, também chamada de “Bicão”, confeccionada em ferro fundido, com base na escultura do artista francês Henri Frédéric. No trecho da Estrada Real correspondente à Rua São Luis Gonzaga, as pessoas paravam para dar água aos cavalos.

Um dos marcos do bairro é o Hospital Central do Exército, adquirido ao Jóquei Club em 1892, com seus três primeiros pavilhões, inaugurados em 1902, e o Pavilhão Central Floriano Peixoto, em 1913. Destacam-se também o Mercado CADEG, que comercializa produtos agrícolas vindos do interior do Estado com 420 lojas e intensa movimentação noturna, e o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes – ou do Pedregulho – projetado pelo arquiteto Afonso Eduardo Reidy e construído em 1947, considerado patrimônio histórico e arquitetônico.

O Bairro abriga o famoso Bar Adônis, o atual pólo de iluminação na “Rua do Lustre” (Senador Bernardo Monteiro), indústrias, conjuntos habitacionais e as comunidades Vila Arará, Herédia de Sá, Mal. Jardim, entre outras.

BENTO RIBEIRO

O bairro formou-se ao longo das ruas João Vicente e Carolina Machado, de características predominantemente residenciais. Com a implantação da estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, foi inaugurada em 1914, a estação Prefeito Bento Ribeiro, de onde partia o antigo ramal do Campo dos Afonsos, desativado por volta de 1960. Seu nome é uma homenagem a Bento Manuel Ribeiro Carneiro Monteiro, general e prefeito da Cidade de 1910 a 1914, no governo do Marechal Hermes da Fonseca.

Próxima à Estrada Real de Santa Cruz, atual Intendente Magalhães, existia uma fonte, muito usada pelos viajantes, que deu origem a estrada da Fontinha.

BONSUCESSO

Assim como Ramos, suas terras, cruzadas pelo Rio Faria, pertenciam ao extenso Engenho da Pedra. O acesso era pela Estrada da Penha e sua primeira estação na Estrada de Ferro Norte (Leopoldina) foi aberta em 1886. Seu nome “Bonsucesso” vem de D. Cecília Vieira de Bonsucesso, que, em 1754, reformou capela da região.

A partir da década de 1910, o Engenheiro Guilherme Maxwell urbanizou e loteou enormes glebas do Engenho da Pedra, criando um novo bairro: a “Cidade dos Aliados”, com a Praça das Nações, Avenidas Londres, Paris, Nova York, Bruxelas e Roma. Do lado oposto, Paulo de Frontin abria as Ruas Clemenceau, Saint Hilaire, Humboldt, entre outras, consolidando Bonsucesso, cuja nova estação seria inaugurada na Praça das Nações.

BOTAFOGO

Dois nomes se destacam na história de Botafogo: João Pereira de Sousa Botafogo, que comprou as terras do seu primeiro ocupante, Antônio Francisco Velho, e deu nome ao bairro, e o Vigário Geral Dom Clemente José de Matos, proprietário de toda a região no século XVIII, desde a praia até a Lagoa Rodrigo de Freitas. Em 1657, o Vigário abriu em suas terras um caminho que deu origem à atual Rua São Clemente.

Em 1808, com a chegada de D. João VI, foram erguidas em frente à enseada grandes mansões que atraíram a corte, ricos comerciantes e o corpo diplomático. Pouco a pouco, ao longo do século XIX, as terras do bairro foram sendo ocupadas por residências de ricos aristocratas, principalmente na Rua São Clemente, e o bairro se transformou na região mais seleta da Cidade.

Em 1906, após a ampliação da Avenida Beira-mar até a orla da Praia de Botofogo, os serviços expandiram-se e muitas das imponentes mansões foram ocupadas por embaixadas, consulados, colégios e, mais tarde, por clínicas, restaurantes e sedes de empresas. No início do século XX, Botafogo passou a ser habitado também por operários, artesãos, comerciantes, etc, fazendo surgir habitações coletivas, cortiços e vilas.

Hoje, Botafogo tem a segunda população da Zona Sul, uma estação de metrô e abriga colégios tradicionais, centros comerciais e empresariais, equipamentos culturais, restaurantes, grandes empresas, hospitais, clínicas e o imponente Palácio da Cidade, sede da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

BRÁS DE PINA

Brás de Pina era, no século XVIII, o proprietário da região que originou o bairro. Era, também, contratante da pesca da baleia e mantinha um engenho de açúcar e aguardente. As terras da sua fazenda alcançavam a orla da Baía de Guanabara, através da estrada do Porto de Irajá, atual avenida Antenor Navarro.

Brás de Pina construiu o Cais dos Mineiros para escoamento de açúcar e de óleo de baleia, usado na iluminação pública. Em 5 de setembro de 1910, foi inaugurada a estação de Brás de Pina, da estrada de Ferro Leopoldina, que deu impulso ao bairro.

A Companhia Construtora Kosmos adquiriu as terras do antigo engenho e criou o loteamento “Vila Guanabara”, conjunto de glebas, com ruas arborizadas e casas em estilo neo-colonial. Em 1929, a Kosmos construiu a igreja de Santa Cecília.

CACHAMBI

Caxamby, nome de origem indígena, significa feixo; laço que amarra o capim; mato trançado. Suas terras eram formadas por imensos capinzais, muito procuradas como alimentos dos animais, o que valorizava seus terrenos. Dois portugueses, Manuel da Silva Cardoso e Manuel Brandão, grandes proprietários locais comercializavam com esses capinzais. Mais tarde lotearam parte dos terrenos e o restante, venderam para a instalação de uma indústria.

Antigamente, Cachambi era muito procurado por ciganos que instalavam, em terrenos baldios, suas tendas. Em 1879, surgiu a Companhia Ferro-Carril de Cachambi, com bondes puxados a burro que fazia a primeira ligação nos subúrbios. Em 1901, foi inaugurada a Igreja de Nossa Senhora da Aparecida.

O bairro do Cachambi ganhou visibilidade com a inauguração do “Norte Shopping”, em 1986, instalado na antiga Fábrica Klabin, decorada com vitrais do inglês Brian Clarke.

CACUIA

Em indígena, Cacuia significa CAÁ “morro” e CUYA “vaso de beber”, ou seja, “Morro da Cuia”. No século XIX, existiu na região a próspera fazenda São Sebastião, com atividades voltadas para a exploração de cal de mariscos e a extração de saibro. Sua proprietária, a viúva Amaral, a vendeu em 1871 à Marinha e a área tornou-se militar. Inicialmente foram instalados um depósito de munições e uma escola de aprendizes marinheiros, atualmente nela encontram-se a estação de rádio da Marinha e a base de combustíveis líquidos.

Na época do presidente Floriano Peixoto, ocorreu a Revolta da Armada (1893) e a antiga escola aí instalada foi palco de violentos conflitos envolvendo os revoltosos almirantes Custódio e Saldanha, o capitão Negreiros e o general “Florianista” Silva Teles, morto ao tentar ocupá-la. Grande parte dessa área da Marinha compreende o morro do Matoso (69 mts), recoberto por densa mata, e o manguezal cortado pelo rio Jequiá (Y-I-QUIÁ – “rio Sujo”). Por sua importância ecológica, foi transformada na Área de Proteção Ambiental e Recuperação urbana – APARU do Jequiá, por decreto municipal em 1993, incluindo os sítios arqueológicos, compostos pelo acúmulo de conchas deixadas pelas antigas tribos que habitavam o litoral. A área total dessa APARU é de 147 hectares. Dentro da Reserva, fica a colônia de pescadores Almirante Gomes Pereira, conhecida como colônia Z-10, em local cedido pela Marinha em 1920, que a regulamentou em 1938, estabelecendo condições para a permanência dos moradores. Na orla marítima, próxima ao morro do Matoso, ficam as praias do Golfinho, Brava e do Alentejo, dentro da área militar.

A área urbanizada do bairro tem como via principal a estrada da Cacuia, com registros datados desde 1930. Parte dele foi loteado pelo Jardim Carioca, depois um bairro à parte. Com o decorrer dos anos o bairro adensou, consolidando-se como área residencial, com centro funcional de expressivo comércio e serviços ao longo das estradas da Cacuia e do Galeão. Nele está instalado o único cemitério da Ilha do Governador, o Cemitério da Cacuia, inaugurado em 1904.

O bairro tem o carnaval mais animado da região e, em 1953 foi fundado, o Grêmio Recreativo Escola de Samba (G.R.E.S.) União da Ilha do Governador, com as cores azul, vermelho e branco, alcançando em 1994, o quarto lugar no grupo especial.

CAJU

A quinta do comerciante português José Gouveia Freire foi comprada pela Família Real, para que Dom João VI tomasse lá, seus banhos medicinais. Desta forma, a região onde está o bairro do Caju tornou-se a primeira área de banho de mar da Cidade, freqüentada por toda a Família Real, até o reinado de Dom Pedro II. Era uma bucólica praia que se estendia até a Ponta do Caju com areias límpidas e águas cristalinas e abundante fauna marinha.

Em 1839, o provedor da Santa Casa, José Clemente Pereira, instalou, no início da Praia do Caju, o primeiro cemitério da Cidade para indigentes. Após 1851, a Santa Casa inaugurou o primeiro dos nossos cemitérios públicos, no Morundu. Paulo Guerra, rico proprietário, doou terras no Caju, adquiridas por Teixeira de Azevedo que construiu, em 1880, a maior fábrica de tecidos do Brasil. Com a falência, a fábrica foi vendida ao governo federal e, no local, instalado o novo Arsenal de Guerra, inaugurado em 1892, pelo presidente Campos Sales. No Caju também foi instalado o Hospital São Sebastião, o primeiro hospital de isolamento da Cidade.

Em 1890, o Visconde Ferreira de Almeida montou sua casa para a velhice desamparada, o Abrigo São Luiz. Nos anos 40, com a abertura da Avenida Brasil, que cortou o Bairro de São Cristóvão, surgiu o atual Bairro do Caju, que sofreu sucessivos aterros para a ampliação do Cais do Porto e implantações de indústrias e grandes estaleiros que desfiguraram o perfil original da região. O uso do solo caracterizado pelos extensos cemitérios, atividades portuárias, depósitos de contâiners, estaleiros navais, hospitais e áreas militares, além de sofrer com a crescente favelização, que contribui para a degradação do histórico bairro. Por ele, passa o elevado da Ponte Presidente Costa e Silva ou Ponte Rio-Niterói.

CAMORIM

Nome derivado do Tupi “CAMURY”, CA (Mata) e MURY (mosca ou mosquitos), “mata com muitos mosquitos”. Designa o bairro e sua principal estrada de acesso. Toda essa região pertencia a Gonçalo Correia de Sá e era conhecida como Pirapitingui (peixe de escamas branca). Nela, Correia de Sá possuía a antiga fazenda do Camorim, onde, em 1625, mandou levantar a capela de São Gonçalo de Amarante, padroeiro do lugar, que existe até hoje.

A maior parte do bairro está ocupada pelas montanhas do maciço da Pedra Branca, abrangendo a Pedra Rosilha e a Serra do Nogueira. A herdeira de Correia de Sá, Dona Vitória de Sá, tinha um primitivo engenho que foi dividido em três grandes fazendas.

Dentro da floresta, em uma bacia fechada pelas montanhas, encontram-se o açude do Camorim, com área de 210.000 m3 e profundidade de 18 metros, 435 acima do nível do mar. O açude, planejado por Sampaio Corrêa e construído por Henrique de Novaes, forma um dos mais belos recantos da Cidade. Mais abaixo ficam as cachoeiras do Camorim e Véu-da-Noiva, essa última junto à represa de captação e à caixa d’Água, construídas em 1908.

Na parte baixa do bairro do Camorim, na divisa com Jacarepaguá, foram construídos os pavilhões do “Rio Centro”, com 100.209 m2 de áreas para exposições, feiras, shows e eventos.

CAMPINHO

No cruzamento da Estrada Real de Santa Cruz (correspondente às atuais ruas Intendente Magalhães e Ernani Cardoso) com a Estrada de Jacarepaguá (Cândido Benício) e a Estrada de Irajá (Domingos Lopes), havia um local onde os viajantes costumavam descansar, próximo a um pequeno campo onde havia uma feira de gado – o “Campinho” -, que acabou dando nome ao Largo. No século XVIII, foi aberta uma hospedaria onde Tiradentes pernoitava, em suas viagens ao Rio de Janeiro. Nas suas imediações existia pequena fortaleza, onde foi erguida uma capelinha (atual Igreja N.S. da Conceição).

Entre seus antigos moradores, destacavam-se o Capitão José de Couto Menezes e Ludovico Teles Barbosa, cujos descendentes abriram ruas na região. O Barão da Taquara também fez o mesmo no final do século XIX, gerando o atual bairro do Campinho – porta de entrada para Jacarepaguá -, onde nasceu a atriz Fernanda Montenegro.

CAMPO DOS AFONSOS

A área era ocupada pelo Engenho dos Afonsos, um vasto campo, onde se produzia açúcar e se criava gado. O Engenho passou a ser explorado pelo cirurgião Izidoro Rodrigues dos Santos e, mais tarde, pelo Intendente Magalhães, que deu nome ao trecho da Estrada Real de Santa Cruz, depois Rio-São Paulo. A estrada cruzava a área entre os bairros de Campinho e Realengo.

Antes da 1ª Guerra Mundial, que começou em 1914, o Campo dos Afonsos foi ocupado pela Aeronáutica Civil e Militar e lá foi instalada a primeira escola de aviação do Rio de Janeiro em 1913. A partir de 1941, durante a 2ª Guerra Mundial, com a criação da Força Aérea Brasileira – FAB, a área passou a se chamar, oficialmente, Base Aérea dos Afonsos. Atualmente, abriga a Universidade de Força Aérea – UNIFA e o Museu Aeroespacial – MUSAL.

CAMPO GRANDE

As terras que iam do atual bairro de Deodoro, passavam por Bangu e iam até Cosmos, faziam parte das paragens conhecidas como o “Campo Grande”. A região, que ia do rio da Prata ao Mendanha, era habitada pelos índios Picinguaba. Após a fundação da Cidade em 1565, passou a pertencer à grande Sesmaria de Irajá. Desmembrada em 1673, a área foi doada, pelo Governo Colonial, a Manoel Barcelos Domingos, dono de vasta propriedade que se estendia até o Gericinó.

Em 1757, foi criada a freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande, onde foi construída a Igreja Matriz, ainda existente.

Na região, as atividades principais eram o cultivo da cana-de-açúcar e a criação do gado bovino. Os produtos eram escoados pela Estrada Real de Santa Cruz, que ia até São Cristóvão.

Entre 1760 e 1770, na antiga fazenda do Mendanha, o padre Antonio Couto da Fonseca plantou as primeiras mudas de café que alavancaram o desenvolvimento da cultura cafeeira por todo o Vale do Paraíba, até Minas Gerais. Os povoados, neste período, ficavam restritos às proximidades dos engenhos e fazendas, entre os quais se destacam: Juary, rio da Prata, Cabuçu, Santo Antonio do Juary, Tingui, Campinho, Guandu, Mendanha, Capoeiras, do Pedregoso, Dona Maria, Marcolino da Costa e Sant´Ana.

A partir da segunda metade do século XIX, com a implantação da E. F. Dom Pedro II, foi construída a estação de Campo Grande, inaugurada em 2 de dezembro de 1879, que muito contribuiu para o adensamento do núcleo urbano do bairro, pois facilitava o acesso ao Centro da Cidade.

Em 1894, a Cia de Carris Urbanos ganhou a concessão para explorar linha de bondes a tração animal, alcançando localidades mais distantes. Em 1915, foram implantados os bondes elétricos, aumentando a ocupação da área e estimulando um intenso comércio interno.

Com a decadência da cultura do café, a região voltou-se para a citricultura. Dos primeiros anos do século XX até a década de 1940, Campo Grande foi considerada uma grande região produtora de laranjas, o que lhe rendeu o nome de “citrolândia”.

Na década de 1930, durante o governo de Washington Luis, a Estrada Real de Santa Cruz foi incorporada à antiga estrada Rio-São Paulo, integrando Campo Grande ao tecido urbano da Cidade.

Na década de 60, no governo de Carlos Lacerda, a Avenida Brasil, aberta em 1946, atingiria Campo Grande. A partir daí, surgiu o Distrito Industrial de Campo Grande e a indústria de pneus Michelin, que deram novo perfil à região, antes agrícola. Grandes loteamentos foram implantados ao longo dos eixos formados pelas estradas do Cabuçu, do Pré, do Monteiro, da Cachamorra, do Campinho, do Pedregoso, de Sete Riachos, do Mendanha e da Posse. Destacam-se: Santa Margarida, Corcundinha, Vila Palmares, Vila Iêda, Adriana, Pedra Angular, Santa Maria, Jardim Paulista, Vila Santa Rita, Arnaldo Eugênio, Vila Jardim Campo Grande, Hortências, Diana, São Jorge, Morada do Campo, Jardim Monteiro e Nova Guaratiba.

O núcleo original do bairro tornou-se importante centro comercial, com destaque para a rua Cel. Agostinho (Calçadão), próximo à estação ferroviária e ao terminal de ônibus, mas ainda há bolsões agrícolas nas regiões da Serrinha, do Mendanha e do rio da Prata. Merece destaque a Serra do Mendanha, com sua reserva florestal e cachoeiras e o Parque Estadual da Pedra Branca, com trilhas apropriadas ao ecoturismo, que dão acesso ao ponto culminante do Município, o Pico da Pedra Branca, com 1025 metros de altitude.

CASCADURA

A origem do nome do bairro tem três versões: 1ª – a inglesa Maria Graham, em 1824, relata um passeio à Fazenda Real de Santa Cruz e faz referência ao local como “Casca D’Ouro”; 2ª – remonta ao fato da dificuldade que os operários tiveram para abrir, com picaretas, a pedreira na construção da estrada de Ferro, e a chamavam de “Cascadura”; 3ª – um dos seus primeiros moradores era um comerciante fechado para negociações, “Casca” e para fazer doações “duro”, daí o “cascadura”.

A região era um ponto inexpressivo nos limites do Engenho de Dentro, com o Engenho da Portela e a Fazenda do Campinho, onde a Estrada Real de Santa Cruz se encontrava à direita com a estrada Marechal Rangel, acesso aos Engenhos/Fazendas do Irajá e da Pavuna.

Por volta de 1870, foi erguida a primeira capela da região, dedicada a Nossa Senhora do Amparo, em terras doadas por Joaquim Antonio de Oliveira.

Em 1883, foi instalado o Hospital Nossa Senhora das Dores da Santa Casa, o primeiro para tratamento da tuberculose na Cidade, em antiga propriedade da Chácara do Ferraz. Em 1928, uma cancela separava os trilhos da ferrovia, da Estrada Real (atual avenida Suburbana), cujo prolongamento chamava-se estrada Coronel Rangel, atual Av. Ernani Cardoso.

A estação de Cascadura foi inaugurada em 29 de março de 1858. O Chafariz, a Cancela e o Largo, que separavam a avenida Suburbana da rua Carolina Machado, foram demolidos no governo Washington Luís para a construção, em 1928, de viaduto projetado pelo Engenheiro Eugenio Baumgart, fazendo parte da primeira estrada Rio-São Paulo.

A principal elevação de Cascadura é o morro da Bica, com 251 metros ocupados, em suas encostas, pela comunidade Vila Campinho. Na rua Ferraz foi implantado em 1982, o Parque Orlando Leite com 2,72 hectares. Esse parque constitui-se em um importante espaço de lazer arborizado, com quadras esportivas.

CATETE

Catete ou Cateté significava, em tupi, “mato fechado”, e correspondia a um braço do rio Carioca que, contornando o outeiro da Glória, desembocava no mar. Nele passou o primeiro caminho de acesso à Zona Sul da Cidade, o Caminho ou Estrada do Catete. Para cruzar o rio Carioca, o Governador Antonio Salema construiu uma ponte, a “Ponte do Salema”, onde foi cobrado pedágio até 1866, no local onde está, hoje, a Praça José de Alencar.

No Segundo Reinado, mansões de nobres e ricos comerciantes foram construídas ao longo da rua do Catete. A estrada do Catete formava um largo, o “Largo do Valdetaro”, em frente à mansão do Desembargador Manoel Jesus de Valdetaro. Neste Largo, em 1862, o Barão de Nova Friburgo construiu, para sua moradia, o Palácio Nova Friburgo, que foi comprado, em 1897, para abrigar a Presidência da República. Conhecido como Palácio do Catete, exerceu a função de sede do governo durante 63 anos, até a transferência da Capital para Brasília, quando passou a sediar o Museu da República, um complexo cultural dotado de aprazíveis jardins. Em frente ao Museu, um conjunto de 34 sobrados, construídos em meados do século XIX, compõem um belo conjunto histórico na Rua do Catete.

Outro ponto de destaque é o Largo do Machado, antigo Campo das Pitangueiras. Sua denominação deve-se ao comerciante André Nogueira Machado, proprietário de uma chácara no local. Nele, foi erguida a Igreja de Nossa Senhora da Glória, concluída em 1872, projeto dos franceses Koeler e Riviére, em estilo neoclássico.

O Largo do Machado se destaca como importante pólo da região, com galerias comerciais, restaurantes, floristas, o Cine São Luiz, o Colégio Estadual Amaro Cavalcanti e uma estação de metrô. A primeira linha de bondes elétricos do Rio, os do Jardim Botânico, foi inaugurada em 1892 no Largo do Machado.

Nas encostas do morro da Nova Cintra, voltadas para o Catete, ficavam as grandes pedreiras da Glória e da Candelária, que forneciam material para a construção das Igrejas no Século XIX. Próximo a elas, foram abertas, na chácara de Salvador Quintanilha, as ruas Bento Lisboa e Pedro Américo.

Atualmente, o Catete se destaca como importante centro comercial, mantendo vilas e antigos sobrados, com grandes condomínios residenciais.

CATUMBI

A origem desse bairro é um arraial às margens do Rio Catumbi (na linguagem dos índios, “água do mato escuro” ou “rio sombreado”), em vale fértil e verdejante, habitados por ricos proprietários de terras e escravos. As chácaras mais importantes eram a do Pinheiro, a da Floresta, a dos Coqueiros, e a do Souto. No alto do Catumbi, morava Inácio Corrêa, conhecido como “Papa-Couve”, onde fica o Morro do Fallet, e que deu nome ao antigo Rio Catumbi.

Entre o Catumbi e o Rio Comprido havia a Estrada do Catumbi (atual Itapiru), e no início dela foi implantado o primeiro Cemitério a céu aberto para não indigentes do Brasil, o Cemitério de São Francisco de Paula. A Rua do Catumbi foi aberta em 1850 pelo Comendador José Leite de Magalhães, e a do Chichôrro pelo Desembargador Chichôrro da Gama. A nova Igreja de N.S. da Salette foi construída a partir de 1918.

Com a inauguração do Túnel Santa Bárbara em 1963 e a posterior construção do elevado 31 de Março, o bairro do Catumbi foi dividido em dois. Imóveis e quadras inteiras foram demolidos e hoje parte importante do bairro se espreme entre os viadutos e o Morro da Mineira.

CAVALCANTI

A família Cardoso Quintão possuía uma grande quantidade de terras entre o caminho do Catete, atual rua Graça Melo e, a Estrada Real, atual avenida Suburbana, que deu origem ao bairro.

Com a construção da linha auxiliar, antiga Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, em 1892, foi implantada a estação de Cavalcanti, que recebeu o nome em homenagem a Matias Cavalcanti, que era encarregado do tráfego da Central.

O atual bairro de Cavalcanti fica situado entre os morros do Dendê, da Serrinha e dos Urubus. Sua rua principal é a Silva Vale, cujo nome é uma homenagem a um antigo engenheiro da Prefeitura.

CENTRO

Em 1567, o núcleo original da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi transferido da Urca para o Morro do Castelo. Aos poucos, a população começou a ocupar a planície localizada entre os morros do Castelo, de Santo Antônio, de São Bento e da Conceição e a aterrar os pântanos e lagoas existentes, na área hoje conhecida como Centro da Cidade.

Da segunda década do século XVIII em diante, foram realizadas diversas obras (como o Aqueduto da Carioca), implantados serviços, abertas novas vias e pontes. Mais tarde, com a mudança da Capital do Vice-Reinado para o Rio, em 1763, e, principalmente, com a chegada da Família Real, em 1808, o Centro passa por uma profunda remodelação.

Até meados do século XIX, contudo, o Rio ainda era uma cidade modesta, em decorrência da inexistência de transportes coletivos. Em 1868, com a inauguração da primeira linha de bondes, uma nova era se iniciava para a Cidade, que veio a ter como seu símbolo a Rua do Ouvidor, no coração do Centro.

Com a reforma urbana promovida por Pereira Passos, na primeira década do século XX, o Centro passou por uma transformação radical, com a derrubada de cortiços e edificações precárias e a abertura e o alargamento de ruas. Surgem a Avenida Central, atual Rio Branco, e a Avenida Beira-Mar, praças antigas são reformadas e são construídos o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional, dentre inúmeros outros projetos.

Grandes transformações também ocorreram em 1920, com o desmonte do Morro do Castelo e, em 1944, com a inauguração da Avenida Presidente Vargas, que arrasou quarteirões inteiros e fez desaparecer monumentos arquitetônicos e praças históricas. Já a década de 1950 é marcada pelo início do processo de esvaziamento do Centro e a década de 1960 pela construção dos viadutos e pistas expressas elevadas que existem hoje no bairro.

Contudo, apesar da degradação de várias das suas áreas, o Centro continua a ser o segundo centro financeiro do País e a principal referência da Cidade, abrigando os seus principais monumentos e marcos históricos, além de um grande número de prédios comerciais, museus, restaurantes tradicionais, centros de pesquisa e universidades.

CIDADE DE DEUS

A região pertencia à Grande Sesmaria de Martin de Sá, que se estendia do arroio Pavuna até o Maciço da Tijuca, cuja principal construção era o Engenho D’Água. Nas suas imediações se encontravam as estradas do Gabinal, do Capão (atual Tem. Cel. Muniz de Aragão) e da Banca da Velha (atual Edgar Werneck). Posteriormente, a área foi ocupada por sítios e fazendas onde cultivou-se cana-de-açúcar, café e lavouras diversas.

Na década de 1960, com a transformação do Distrito Federal em Estado da Guanabara, o Governador Carlos Lacerda implementou uma política de remoção das favelas situadas na zona sul da Cidade, no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, além de algumas outras, para isso autorizando a construção de grande conjunto habitacional na baixada de Jacarepaguá. Surgiu assim a Cidade de Deus.

Construída pela COHAB e financiada pelo BNH, a Cidade de Deus terminou de ser construída após o governo Negrão de Lima. Seus projetos foram executados em 1968: o primeiro, em área total de 253.810 m2, limitado entre a avenida Ezequiel, rua Moisés e rua Edgar Werneck; o segundo, em área total de 36.343 m2, constando de 159 lotes e 8 ruas, entre a estrada da Estiva (atual Malomiguel Salazar Mendes de Morais) e a avenida do Rio Grande; e o terceiro, de outubro de 1968, abrangendo a maior área, com mais de 120 logradouros, incluindo ruas, travessas, praças, todas batizadas com nomes bíblicos, pelo Decreto de 30/03/1970.

Os favelados transferidos para a Cidade de Deus provinham de 63 favelas distintas, sendo que 70% dessa população provinha de apenas seis favelas (Praia do Pinto, Parque da Gávea, Ilha das Dragas, Parque do Leblon, Catacumba e Rocinha). Os outros 30% eram oriundos de 57 favelas, evidenciando a heterogeneidade dos residentes favelados.

A Cidade de Deus agrupa uma população de operários de vários setores industriais, prestadores de serviços não-especializados, pessoas dedicadas a atividades comerciais, de natureza administrativa e profissionais liberais. Alguns anos depois de sua inauguração, o que antes eram áreas exclusivamente residenciais, tomaram a feição de pequenos centros comerciais em plena expansão, observando-se em quase todas as quadras os mais diversos estabelecimentos.

Atravessada pelo rio Grande e seu afluente Estiva, a Cidade de Deus passou a ter um crescimento interno desordenado, observando-se um processo de favelização ao longo desses canais. Junto ao conjunto surgiram as comunidades do Muquiço, Santa Efigênia, travessa Efraim, Rocinha II e Jardim do Amanhã II, além de novos conjuntos habitacionais como o Vila Nova Cruzada e o Jardim do Amanhã. Em 1997, com a inauguração da “Linha Amarela”, a Cidade de Deus seria seccionada: de um lado os Conjuntos Margarida, Gabinal etc e, do outro, o restante das antigas glebas, as duas partes interligadas por passarelas.

A vida no bairro inspirou o filme brasileiro “Cidade de Deus”, baseado no romance homônimo de Paulo Lins, com roteiro de Bráulio Mantovani, dirigido por Fernando Meirelles. Lançado em 2002 no Brasil e, posteriormente, no exterior, o filme teve enorme sucesso, recebendo inúmeros prêmios e indicações.

A Lei 2662/98 transformou o grande conjunto, na XXXIV RA – Cidade de Deus.

CIDADE NOVA

A Cidade Nova era uma extensa região pantanosa, compreendendo os Mangais da Gamboa Grande e o final do Saco de São Diogo. Com os aterros feitos no inicio do século XIX, nela se formou o “Campo de Marte”, destinado a manobras de tropas militares e exercícios de tiro. Ali foi aberto o Caminho do Aterrado, ou das Lanternas, sobre o qual a Rua São Pedro da Cidade Nova alcançaria a “Ponte dos Marinheiros”, renovada para que a família real tivesse acesso ao Palácio da Quinta. Mauá instalou na Rua São Pedro, em 1851, a “fábrica de gás”, projeto do inglês Guilherme Bragge e transformou, em 1857, a vala que corria no aterrado num verdadeiro canal, o Canal do Mangue (entre as Ruas Visconde de Itaúna e Senador Eusébio).

Em 1895, completou-se o aterro dos pântanos vizinhos com terras que vieram do desmonte do Morro do Senado. Foram, então, abertas as ruas Visconde Duprat, Pinto de Azevedo, Pereira Franco, dos Bondes (Machado Coelho) e outras.

A região entrou em decadência após a construção da Av. Presidente Vargas, na década de 1940, com cortiços, zona de meretrício (o famoso “Mangue”, onde Luiz Gonzaga, o rei do baião, começou a tocar quando chegou ao Rio de Janeiro) e sobrados em ruínas, até ser renovada a partir dos anos 1970. Foram então construídos o Prédio da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e o Centro Administrativo São Sebastião (CASS) – sede da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, projeto do arquiteto Marcos Konder Netto. Na década de 1990 a região recebeu obras que implantaram uma nova infra-estrutura voltada para as novas tecnologias de informação e comunicação – era o projeto do Teleporto do Rio de Janeiro -, que terminou por concentrar em um prédio uma série de empresas com atuação na Internet.

Novas ruas foram abertas e foi construído um prédio anexo ao CASS para abrigar as Secretarias Municipais de Administração e de Fazenda, entre outras. Em julho de 2007, foi inaugurado o Centro de Convenções “RIOCIDADENOVA”, em área de 16 mil m2 que inclui prédio tombado de 1869.

CIDADE UNIVERSITÁRIA

Nesse local da Baía de Guanabara situava-se um arquipélago composto por oito ilhas: Cabras, Pindaí do Ferreira, Pindaí do França, Baiacu, Fundão, Catalão, Bom Jesus e Sapucaia. Desde 1935, existia a proposta da construção de um Campus único que concentrasse as atividades da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

Passados dez anos de estudos (1935 a 1945) elaborados por várias comissões para diversos locais, em 1948 optou-se por implantar a Cidade Universitária na enseada de Inhaúma, formada pelos rios Jacaré e Faria, e no período de 1949 a 1952, as já referidas oito ilhas foram aterradas e interligadas, numa superfície de 4,8 milhões de metros quadrados, para a Cidade Universitária ser instalada. Em 1959, o presidente Juscelino Kubitscheck, denominou, pelo Decreto 47.534, a Ilha resultante da fusão do arquipélago original, de “Ilha da Cidade Universitária, da Universidade do Brasil”.

Seu projeto técnico ficou sob a tutela da equipe de arquitetos do Escritório Técnico da Universidade do Brasil (ETUB), tendo como arquiteto-chefe Jorge Machado Moreira. Iniciadas em 1954, as obras seguiam lentamente até que, em 1970, o presidente Emílio Garrastazu Médici assinou decreto com verbas para acelerar a construção da Cidade Universitária. Atualmente, a Cidade Universitária tem um conjunto de edificações que abriga 60 unidades acadêmicas e instituições conveniadas, incluindo também setores técnicos, esportivos e administrativos da UFRJ.

A malha urbana e os conjuntos arquitetônicos da Cidade Universitária, ocupam 30 % do território atual da ilha, cuja localização entre o Aeroporto Internacional Tom Jobim e o Centro da Cidade, garante-lhe um grande destaque. Além das faculdades, convênios de cessão de usos de terrenos trouxeram para o Campus da UFRJ, importantes instituições como o Instituto de Engenharia Nuclear da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (CENPES), o Centro de Pesquisas da Eletrobrás (CEPEL) e o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM).

Destaca-se o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), projetado pela equipe do arquiteto Jorge Machado Moreira, cuja construção iniciou-se em 1950, interrompida por falta de recursos em 1955. Erguida a imensa estrutura de 220.000 metros quadrados, a obra arrastou-se por duas décadas, em 1970 foi decidido que o hospital só ocuparia a metade da área total da estrutura. Em 1974, foi aprovada verba inicial para a retomada do projeto e no dia primeiro de março de 1978 foi inaugurado o Hospital Universitário, no governo de Ernesto Geisel, sendo presidente da Comissão de Implantação, Clementino Fraga Filho, que posteriormente daria seu nome à Instituição.

Na antiga ilha do Bom Jesus, no que restou dela, os franciscanos tiveram uma igreja e convento no início do século XVIII, doados pela viúva do Capitão Francisco Teles de Menezes. Dom João VI era seu assíduo visitante e, entre 1823 e 1832, ele acolheria o hospital da Marinha e os leprosos da Ilha das Enxadas até que, transferido em 1868 para o governo, abrigou o asilo dos Inválidos da Pátria. Atualmente, essa área pertence ao Exército e a igreja do Bom Jesus da Coluna, tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (em 1964), passou por um processo de restauração arquitetônica. Com a inauguração da “Linha Vermelha” em duas etapas, 1992 e 1994, a Cidade Universitária, conhecida como “Ilha do Fundão”, foi beneficiada com acesso pela nova via expressa para o Centro, Baixada Fluminense e Ilha do Governador e posteriormente a “Linha Amarela” (1997) interligou o bairro diretamente à Barra da Tijuca.

COCOTÁ

O nome indígena, COG-ETÁ ou COG-ATÁ, ou seja, “roças”, refere-se aos cultivos feitos pelos primeiros habitantes da Ilha do Governador. A região era conhecida como praia da Olaria, devido na segunda metade do século XIX, haver produção de artefatos de cerâmica para a construção civil na região. O bonde começou a circular em 1922, partindo da Ribeira até Cocotá e, como referencial histórico, existe ainda a Estação de Bondes Santa Cruz, na esquina da estrada da Cacuia com a rua Capitão Barbosa, hoje com outro uso.

Em 1938, houve registros de loteamento na praia da Olaria, dando origem a diversas ruas. Vias importantes do bairro são a estrada da Cacuia, a rua Tenente Cleto Campelo e a avenida Paranapuã. O comércio é expressivo e no bairro ficam o Centro Cultural Euclides da Cunha, o Fórum da Ilha do Governador e a Igreja de São Sebastião. O antigo saco e praia da Olaria foram aterrados, para a implantação do Parque Poeta Manuel Bandeira, inaugurado em 19 de abril de 1978, com mais de 180 m2 de área, tornando-se a maior área de lazer da Ilha do Governador, com quadras esportivas, campo de futebol, estacionamento e brinquedos.

Em 2003, beneficiado pelo Projeto Rio-Cidade da Prefeitura, o Parque passou por ampla reforma, ganhando pista, ciclovia, novas quadras poliesportivas, pista de skate e campo de futebol com grama sintética. E tudo começou com um espanhol, Ramon Rodriguez Y Rodriguez que veio para o Cocotá no final do século XIX e construiu a primeira empresa da Ilha do Governador, uma fábrica de cal (caieira), na praia de Cocotá, onde hoje está o Edifício “Sobre as Ondas”.

Destaca-se, também, o Esporte Clube Cocotá, inaugurado em 3 de dezembro de 1922, em um terreno de 11.500 m2, entre as ruas Graná e Moravia. No limite entre os bairros do Cocotá e da Cacuia, fica o Hospital Municipal Paulino Werneck, inaugurado em 06 de agosto de 1935, com o nome “dispensário”, para tratamento de tuberculosos, atualmente funciona como emergência em regime de 24 horas, absorvendo urgências clínicas e cirúrgicas de médio porte e uma tradicional maternidade (única em toda a ilha), com enfermarias e ambulatórios.

A mais recente grande obra beneficiando o Cocotá e a Ilha do Governador foi a construção do novo Terminal Hidroviário do Cocotá, inaugurado no dia 16 de novembro de 2006. As obras duraram um ano e meio e o trajeto das barcas é único: Praça 15-Cocotá-Praça 15, também com Catamarãs, possui integração com linhas de ônibus da região e dois estacionamentos. Ele substitui o da Ribeira, que será desativado.

COELHO NETO

Originalmente, a região era denominada Areal e seus principais acessos eram a estrada da Pavuna, depois Av. Automóvel Clube e, estrada do Areal, atual Avenida dos Italianos. A família Amaral era a principal proprietária das terras. Com a implantação da E. F. Rio D’Ouro foi construída a estação do Areal, depois Coelho Neto, uma homenagem ao famoso escritor e jornalista.

Na década de 1960, a ferrovia foi extinta e seu leito abrigou a Linha 2 da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro-Metrô, entre os bairros de Del Castilho e Pavuna. Nela, em 1998, foi inaugurada a estação Coelho Neto. O bairro de Coelho Neto é atravessado pela avenida Brasil, cujo trecho era denominado avenida das Bandeiras, aberta pelo prefeito Henrique Dodsworth, na década de 1940.

Na principal praça do bairro, Professora Virginia Cidade, concentra-se o comércio local. Coelho Neto engloba o Distrito Industrial de Fazenda Botafogo, instalado na década de 1980 entre a avenida Brasil e o rio Acari.

COLÉGIO

Na região onde hoje está o bairro, na freguesia de Irajá, havia apenas um professor público, José Teodoro Burlamaqui. O seu colégio, de 1860, ficava no cruzamento das estradas da Pavuna e Barro Vermelho, cuja continuação ganharia o nome de estrada do Colégio. Com a construção, em 1876, da estrada de Ferro Rio D’Ouro, extinta na década de 1960, e sua incorporação pela Estrada de Ferro Central do Brasil, foi implantada a Estação do Colégio. Anos depois, no leito da antiga estrada de ferro, foi construída a Linha 2 do metrô, entre Estácio e Pavuna, e a Estação do Colégio, no mesmo local da antiga parada do trem.

COMPLEXO DO ALEMÃO

Antes da colonização portuguesa, as áreas próximas à região eram habitadas pelos índios Tamoios, que viviam às margens do Rio Timbó – nome dado em função do cipó “timbó”, utilizado para envenenar a água e facilitar a pesca.

Muito após o extermínio dos Tamoios, os jesuítas se estabeleceram na região – já no século XVIII -, dando origem à Fazenda de Inhaúma e seus engenhos. Expulsos os jesuítas, em 1760, suas terras foram desmembradas em várias fazendas que deram origem aos atuais bairros de Ramos, Bonsucesso, entre outros.

A ocupação da Serra da Misericórdia ocorreu no início do século XIX, com Francisco José Ferreira Rego. Por ocasião de sua morte, os herdeiros venderam as terras para Joaquim Leandro da Motta. Esse, por sua vez, dividiu sua propriedade em grandes lotes, vendendo um deles para Leonard Kacsmarkiewiez, polonês refugiado da Primeira Guerra Mundial, que ficou conhecido pelo apelido de “Alemão”, nome depois dado ao morro que lhe pertencia. Em 1928, Leonard “Alemão” promoveu o primeiro loteamento de suas terras, na área das atuais comunidades Joaquim de Queiroz e Grota, que tinham ocupação dispersa até meados da década de 1950.

A partir da década de 1940, iniciou-se a ocupação das áreas das atuais comunidades de Nova Brasília e Itararé. Na década de 1950, a ocupação se ampliou e surgiram as comunidades dos Morros do Alemão, da Esperança, dos Mineiros e do Relicário. Em 1961, foi ocupado o Morro da Baiana e, a partir dos anos de 1970, surgiram a Fazendinha, o Reservatório de Ramos e o Parque Alvorada – Cruzeiro (1982). No final da década de 1980, o conjunto de favelas que ocupam o leste da Serra da Misericórdia e suas adjacências viria a formar a XXIX Região Administrativa Complexo do Alemão.

O bairro do Complexo do Alemão compreende toda a região administrativa, ocupando 437.880 m². O ponto culminante dos morros locais está a 138m de altura em área com cobertura florestal.

Apesar da rede de abastecimento de água chegar à maioria das casas, ainda há moradores que se abastecem de poços artesianos e de algumas nascentes de água locais. Embora o Censo 2000 registre que 84% dos domicílios de favela do bairro possuem rede de esgotamento sanitário, podem ser constatadas áreas específicas onde há valas a céu aberto e despejo de esgoto in natura nos corpos hídricos.

COPACABANA

A antiga Praia de Socopenapan era um areal deserto quando pescadores ergueram uma capelinha no extremo sul da praia e nela introduziram a cópia de uma imagem de N. S. de Copacabana. Trazida por mercadores de prata peruanos, a imagem acabou dando o nome à praia e ao bairro. Mais tarde, com a construção do Forte de Copacabana, a histórica igrejinha foi demolida.

A atual Ladeira do Leme foi o primeiro acesso terrestre à Copacabana. Com o surgimento da Ladeira do Barroso, moradores da cidade, entre eles o Imperador D. Pedro II, faziam verdadeiras excursões àqueles distantes areais.

A urbanização da região começa com a abertura do Túnel Velho e a chegada, em 1892, da linha de bondes da Companhia Ferro-Carril Jardim Botânico. Duas empresas imobiliárias começam a lotear o bairro e, em 1917, Copacabana já tinha 45 ruas, 1 avenida, 4 praças, 2 ladeiras e 2 túneis. A Avenida Atlântica foi inaugurada, em 1906, pelo Prefeito Pereira Passos e duplicada, em 1919, pelo Prefeito Paulo de Frontin.

Em 1923, surgia na praia o Copacabana Palace Hotel, com sua magnífica pérgola e majestosos salões. Nos anos 1940, Copacabana iniciou processo de acelerada verticalização e ganhou agitada vida noturna, com bares, boites, teatros e restaurantes. No início dos anos 1960, surgia o famoso movimento da “Bossa Nova”, no Beco das Garrafas.

A conformação atual da Avenida Atlântica e da Praia de Copacabana – com calçadão, pista dupla, canteiro central e larga faixa arenosa na praia – foi inaugurada em 1971. As grandes torres dos hotéis da orla surgem após essa obra, elevando o gabarito de Copacabana para além dos 12 pavimentos que predominam na maior parte do bairro.

CORDOVIL

No Século XVII, as terras pertenciam ao provedor da Fazenda Real, Bartolomeu de Siqueira Cordovil que, posteriormente, as passou para o seu filho, Francisco Cordovil de Siqueira e Mello. O Engenho dos Cordovil possuía extensos canaviais que se espalhavam pela planície em direção a Irajá. Posteriormente, a antiga propriedade foi loteada. Nela passava a estrada do Porto Velho de Irajá, prolongamento do Quitungo e depois a primeira estrada Rio-Petrópolis, correspondendo às ruas Itabira e Bulhões Marcial.

Com a implantação da Estrada de Ferro do Norte, depois Leopoldina, foi inaugurada, em 1910, a estação de Cordovil.

Com a abertura da avenida Brasil, em 1946, foi implantado o Trevo das Missões que dá acesso à nova Rodovia Rio-Petrópolis, Washington Luiz. Suas terras abrangiam a Ponta do Lagarto e a ilha do Saravatá, aterradas na década de 1980/1990, cortadas pela “Linha Vermelha”.

Em 1969, foi construído o conjunto habitacional Cidade Alta, para abrigar moradores removidos da Favela Praia do Pinto. No seu entorno surgiram novas favelas, como Divinéia, Cambuci, Pica-Pau, Serra Pelada e Chega Mais, que formam o chamado “Complexo da Cidade Alta”.

COSME VELHO

O nome vem do grande proprietário da região no século XVIII, Cosme Velho Pereira.

Na porção superior do Vale das Laranjeiras, junto às encostas do Corcovado e da Serra da Carioca, ficava o lugar alto da “Carioca Velha ou Paragem das Laranjeiras”, que topava com densa floresta. No século XVII, a região foi desbravada com o desenvolvimento de granjas, que se cobriram de bananeiras, canaviais e laranjeiras. Em 1727, Cosme Velho Pereira adquiriu uma chácara medindo 418 braças de frente pela estrada pública até o alto da serra por onde corriam os canos da Carioca. Essa estrada é a atual Rua Cosme Velho.

O Rio Carioca principiava seu curso em uma grande rocha ao pé do Corcovado, na chamada “Fonte do Beijo”. Logo adiante, suas águas se acumulavam numa bacia denominada de “Mãe d’Água” ou Fonte das Caboclas. Mais abaixo, o rio cruzava a Região do Cosme Velho, recebendo o nome de Rio das Caboclas em função da presença das índias que ali se banhavam e das lavadeiras que dele se utilizavam.

Enquanto o Cosme Velho se desenvolvia, seu clima aprazível e as matas atraíam estrangeiros. O “Morro do Pindurassaia”, acima da Ladeira do Ascurra, abrigou as propriedades de três ingleses: o Cônsul Chamberlain, George Britain e Guilherme Young. No início do século XIX, o morro – que se situa entre as Ladeiras dos Guararapes e do Ascurra – passou a se chamar “Morro do Inglês”. No seu cume fica o Hospital Adventista do Silvestre.

Com a chegada do ciclo do café, foram devastadas as encostas mais baixas do Cosme Velho. O Gal. Hogendorp, fugido da Europa, teve um sítio na Ladeira do Ascurra onde chegou a cultivar 30.000 pés de café.

Outros proprietários famosos surgiram no Cosme Velho. O mais conhecido deles era Machado de Assis, mas também tinham terras no Cosme Velho o Barão Smith de Vasconcelos, Joaquim da Silva Souto (proprietário do Largo do Boticário), Candido Portinari, Cecília Meireles, entre outros. O nome “Águas Férreas”, que o bairro teve na época dos bondes, se devia à Bica da Rainha, de águas ferruginosas.

Marcante presença em toda a região, o imponente Pico do Corcovado (704m) já recebia excursionistas que se aventuravam por íngreme e tortuosa trilha acima do Silvestre. Nas suas imediações, escravos se refugiavam na mata, abrigando-se em cavernas e criando quilombos. O mais famoso era deles era o quilombo do corcovado, composto por escravos, soldados desertores e colonos desocupados, que praticavam assaltos nas redondezas. Em 1829, a polícia destruiu a organização desses quilombolas.

Com a inauguração da Estrada de Ferro Corcovado, o Cosme Velho tornou-se a porta de entrada ao Cristo Redentor. Sua tranqüilidade seria afetada pela abertura do Túnel Rebouças, em 1965, que abriu acesso para a Lagoa e outros bairros da Zona Sul e trouxe trânsito intenso para a Rua Cosme Velho. Nas décadas de 1960 e 1970, imobiliárias derrubaram antigos solares e levantaram prédios de apartamentos e acelerou-se o processo de favelização das encostas dos morros da região.

O Cosme Velho abriga importantes instituições, como o Colégio Sion, o Museu de Arte Naif, o Colégio São Vicente de Paula, a Casa do Minho, a Dataprev, a Igreja de São Judas Tadeu, entre outras.

COSMOS

Nas terras que pertenceram ao Engenho da Paciência, a Companhia Imobiliária Cosmos construiu um grande loteamento, a Vila Igaratá. Quando foi implantado o ramal ferroviário de Mangaratiba, a Companhia cedeu uma área para a construção da Estação Cosmos, inaugurada em 1928, que deu nome ao bairro. O acesso também era feito pela antiga Estrada Real de Santa Cruz (atual Av. Cesário de Melo). O bairro se caracteriza pela presença de conjuntos habitacionais, loteamentos e comunidades, como a Vila do Céu e Vila São Jorge. Destacam-se os loteamentos Vila Santa Luzia, bairro Anápolis e conjuntos na rua Paçuaré.

COSTA BARROS

A origem é a mesma do bairro Barros Filho, ou seja, as fazendas da família Costa Barros. Com a implantação da linha auxiliar foi construída a estação Costa Barros, próxima à passagem de nível da estrada de Botafogo.

O bairro caracteriza-se pela existência de grandes conjuntos habitacionais e de comunidades nos morros de Botafogo (Chapadão) e da Lagartixa. Nele ficava a antiga sede da Fazenda Botafogo.

CURICICA

Corruptela de YA-CURY-YCICA, “A Árvore que Baba”, da família das palmáceas, o nome Curicica designou antiga estrada de Jacarepaguá que dava acesso a baixada fronteiriça ao morro Dois Irmãos, limitada pela estrada de Guaratiba (atual Bandeirantes). No sopé do morro, foi instalado o hospital para tratamento da tuberculose, hoje hospital Raphael de Paula e Souza.

A área é remanescente de antigos engenhos de cana-de-açúcar, cuja urbanização se deu em 1957, com a implantação do grande loteamento Parque Curicica, de propriedade da “Cia Imobiliária Curicica ltda”, situado entre as estradas dos Bandeirantes, do Calmete, da Curicica, rua André Rocha e o rio Guerenguê.

O bairro é dividido em dois setores, pelos morros da Helena e da Pedra do Padre. Sua principal referência é a Praça Delfos. Nos seus limites, ficam instalações da Central Globo de Produções e da Rede Globo, conhecido como PROJAC.

DEL CASTILHO

A região pertencia à freguesia de Inhaúma e era atravessada pela Estrada Real de Santa Cruz, atual Dom Helder Câmara e se chamava Venda Grande. No final do Século XVIII, a área fazia parte da imensa propriedade rural da fazenda do Capão do Bispo, do Primeiro Bispo do Rio de Janeiro, Dom José Joaquim Castelo Branco, cuja sede ainda existe e é preservada pelo Patrimônio Estadual.

Com a construção da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, depois Linha Auxiliar, foi implantada a estação Del Castilho, em homenagem a um engenheiro, amigo de Paulo de Frontin. A Estrada de Ferro Rio D’Ouro também tinha uma estação que se chamava Liberdade e depois foi rebatizada de Del Castilho. Existiam, portando, duas estações ferroviárias de Del Castilho. Com a extinção da Rio D’Ouro, ficou, apenas, a da linha auxiliar.

Em 1924, foi instalada a grande fábrica da Companhia Nacional de Tecidos Nova América, junto à avenida Automóvel Clube, uma das maiores e mais tradicionais fábricas do país. Em 1991, suas instalações foram desativadas e em seu lugar foi instalado, em 1995, o Shopping Center Nova América que preservou a arquitetura original da fábrica, estilo inglês do início do século. Em 2002, o Shopping Nova América expandiu-se e transformou-se num centro integrado de lazer, serviços e compras.

Na década de 1940, no governo do presidente Eurico Gaspar Dutra, foram construídos grandes conjuntos habitacionais no bairro, próximos à avenida Suburbana e à estrada Velha da Pavuna.

Na década de 1960, foi construído o viaduto Engenheiro Emílio Baumgart (especialista em obras de concreto armado) e, mais tarde, a denominada “Linha Verde”.

No leito da antiga Estrada de Ferro Rio D’Ouro, o Metrô construiu a linha 2, ligando o Estácio à Pavuna. Em 1987, foi reinaugurada a estação Del Castilho, que possui uma passarela que faz a ligação com o Shopping Nova América.

Em Del Castilho, estão as comunidades da Chácara Del Castilho e do Parque União de Del Castilho.

DEODORO

A Região era ocupada pelo Engenho Sapopemba (raiz achatada e trançada), fundado por Gaspar da Costa, em 1612, e pela fazenda do Gericinó, na extensa baixada do Maciço do Gericinó. O Engenho e a Fazenda floresceram nos séculos XVIII e XIX. No Sapopemba se produzia açúcar e rapadura e seus canaviais ficavam em Gericinó.

O Barão de Mauá passou a explorar suas terras, sendo substituído pelo Conde Sebastião do Pinho que, endividado, leiloou-as e o Banco do Brasil arrematou, passando-as ao Ministério da Guerra. Este fato deu origem às grandes áreas militares e quartéis que foram instalados na região. Toda a imensa planície dos campos de Gericinó passou a ser um campo de treinamento do Exército.

Nas décadas 1940/1950, o Engenho Sapopemba já absorvera, com o Conde Pinho, a maior parte do Engenho Boa Esperança, onde seria erguida a “Fundação da Casa Popular”, atravessada pela avenida das Bandeiras (atual avenida Brasil).

Com a chegada da Estrada de Ferro Central do Brasil, foi inaugurada, em 1859, a estação Sapopemba que, depois da instauração da República, foi batizada de Deodoro em homenagem ao Marechal Deodoro da Fonseca.

A estação de Deodoro se tornou uma das maiores do subúrbio. Nela tem origem o ramal de Santa Cruz, inaugurado 1879, que faz conexão com o ramal de Japeri e Paracambi, possibilitando acesso até a estação de Dom Pedro II, no centro.

O prefeito Alim Pedro construiu o viaduto de Deodoro na estrada do Camboatá, sobre a linha férrea, na década de 1950. Atualmente, Deodoro, em sua maior parte, é ocupado por quartéis, áreas militares e grandes conjuntos habitacionais.

Em 2006, foi instalado o Parque das Vizinhanças Dias Gomes ou “Piscinão de Deodoro”, na estrada de Camboatá.

ENCANTADO

Segundo a tradição local, a origem do nome está relacionada ao rio que corria em suas redondezas, o rio Faria. Dizia-se que suas águas, nas fortes chuvas, eram dotadas do poder estranho de tragar tudo que nelas caíssem, até uma carroça com condutor, cargas e burro: era um “Rio Encantado”.

Encantado e Piedade foram os primeiros bairros do subúrbio a receber luz elétrica, inaugurada em 1905. A festa comemorativa realizou-se no Palacete de Dona Silvana no Largo da Estação (atual Sargento Eudóxio Passos).

Dois médicos famosos ligados ao Encantado, no século XIX, o Dr. Domingos Freire, e depois o Dr. Clarimundo de Melo, deram nomes a logradouros. Clarimundo de Melo, por uma lei da Câmara em 1913, passou a denominar a antiga estrada de Muriquipari, que começava no Largo da Estação e seguia em direção ao Campinho. Com a implantação da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, foi inaugurada, em 15 de abril de 1868, a estação de Encantado, que atualmente está desativada.

O prefeito Amaro Cavalcanti (1917-1918) construiu a avenida que leva o seu nome, ligando o Encantado ao Méier, paralela a linha férrea. Do lado norte da ferrovia, a família Reis (José, Manuel Murtinho e Pedro Reis) abriu as ruas Guilhermina, Angelina, Leopoldina e Silvana, próximas à rua Goiás, consolidando o arruamento atual, que seria alterado com a abertura, em 1997, da “Linha Amarela”, que interliga Encantado à Barra da Tijuca e à Avenida Brasil. No lado sul da ferrovia, a Linha Amarela arrasou quarteirões entre as ruas Dois de Fevereiro e Pompílio de Albuquerque.

Predominantemente residencial, o bairro abriga o Colégio N. Sra. da Piedade e pequenas comunidades como a Travessa Bernardo, o beco do Vitorino e o Morro do Pau Ferro.

ENGENHO LEAL

A história desse pequeno bairro, situado no sopé do morro do Dendê (234 mts) é parecida com as histórias de Cascadura e Madureira. Eram terras do Engenho da Portela, da família Cardoso Quintão. Sua origem é a implantação da E. F. Melhoramentos do Brasil, depois Linha Auxiliar, em 1892. Nela, foi instalada a estação Engenheiro Leal, companheiro de Paulo de Frontin e Magno de Carvalho, no início do século XX.

O bairro é predominantemente residencial e sua principal rua é a Iguaçu. Possui as comunidades do Sanatório e da rua Iguaçu, situadas nas encostas do morro do Dendê que, em sua maior parte, foi reflorestado, gerando uma grande área verde.

ENGENHO DA RAINHA

Suas extensas terras compreendiam as planícies de Inhaúma, limitadas pela Serra da Misericórdia. Inicialmente pertenciam ao engenho da Pedra ou de Bonsucesso, e se expandiam desde a orla da Baía de Guanabara até Inhaúma. A rainha Dona Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI, comprou uma quarta parte do engenho, com uma casa com 15 quartos, em frente a uma fileira de palmeiras, próxima à atual rua Dona Luísa. O engenho ficava em uma planície e a casa em uma pequena elevação. Essa é a origem do nome do bairro.

No fim do Segundo Reinado, as terras foram adquiridas pelo Coronel Antonio Joaquim de Sousa Botafogo, um republicano, ligado a Floriano Peixoto.

A história do Engenho da Rainha coincide com a ocupação de Inhaúma e o atual bairro passou a compreender a baixada do trecho entre o morro do Engenho da Rainha e as elevações da Serra da Misericórdia, atravessada pelo rio Timbó. Nela foi implantada, em 1876, a E. F. Rio D’Ouro e foi construída a estação Engenho da Rainha, em funcionamento até a extinção do ramal em 1966/1970. Seu leito foi aproveitado pela Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro – Metrô, para a construção da Linha 2. A estação Engenho da Rainha foi inaugurada em 1991.

As vias principais do bairro são a avenida Automóvel Clube, atual Pastor Martin Luther King Jr., implantada entre 1922 e 1926, por uma Comissão do Automóvel Clube do Brasil que foi a primeira ligação entre Rio e Petrópolis e a estrada Velha da Pavuna, atual Ademar Bebiano.

Engenho da Rainha tem grandes conjuntos habitacionais, comunidades como o do Parque Proletário Engenho da Rainha. Há um complexo de pedreiras na Serra da Misericórdia que, praticamente, arrasou grande parte das suas encostas.

ENGENHO DE DENTRO

No século XVIII, o Engenho de Dentro pertenceu ao mestre de campo João Árias de Aguirre. Com o desmembramento de suas terras, destacou-se a Chácara do Dr. Francisco Fernandes Padilha, que se estendia até o sopé da Serra dos Pretos Forros, onde mais tarde foram abertas as ruas Dr. Peçanha, hoje Adolfo Bergamini, Dr. Leal, Dr. Bulhões, entre outras.

Em 1908, uma fábrica de vidro existente na atual Gustavo Riedel foi transformada em hospital de emergência e, mais tarde, tornou-se o Hospital Dom Pedro II, destinado aos doentes do antigo Hospício da Praia Vermelha. Atualmente, o antigo “Hospital dos Alienados” abriga o Instituto Municipal Nise da Silveira.

O que deu impulso à ocupação do bairro foi a abertura da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, que trouxe para o bairro as grandes oficinas ferroviárias do Engenho de Dentro que, em 1881, eram consideradas as mais importantes da América Latina. A estação do Engenho de Dentro foi inaugurada em 1873 e, mais tarde, foi demolida. Em 1937, foi construída a atual estação.

Com a construção da “Linha Amarela”, entre 1994 e 1997, a nova acessibilidade à Barra da Tijuca valorizou o Engenho de Dentro e os bairros próximos. Com a realização dos jogos Pan-Americanos, em 2007, o Engenho de Dentro foi escolhido para abrigar uma das mais importantes instalações do evento, o Estádio Olímpico João Havelange, construído no terreno das antigas oficinas ferroviárias, com capacidade para 46 mil pessoas, popularmente conhecido como “Engenhão”.

ENGENHO NOVO

Sua origem é o Engenho Novo dos Jesuítas, construído em torno de 1707, que abrangia terras que iam da Serra dos Pretos Forros até a praia Pequena, em Benfica, e se confrontavam com o Engenho de Dentro.

A Capela destinada a São Miguel e à N. S. da Conceição foi construída pelos jesuítas, em 1720, junto à residência-sede, onde hoje fica a praça da Imaculada Conceição e seu Santuário.

Os jesuítas possuíam vastas lavouras e canaviais até a sua expulsão do Brasil, por ordem do Marquês de Pombal. Então, o Engenho Novo foi posto em leilão e passou a ser propriedade do Capitão de Milícias José Paulo da Mata Duque Estrada, que mudou seu nome para “Quinta dos Duques” e o ampliou com uma nova Sesmaria que se estendia até Manguinhos. Para escoar a produção da Quinta, era usado o rio Faria.

Um dos mais ilustres moradores do bairro era o Ministro Conselheiro Couto Ferraz, o Barão de Bom Retiro. Seu nome tem origem na sua bela chácara do Bom Retiro, que fazia limite com a do fazendeiro Antonio Pereira de Sousa Barros, o Barão do Engenho Novo. Em sua homenagem, a estrada do Cabuçu foi rebatizada de rua Barão do Bom Retiro. Outros moradores famosos foram o Conselheiro Viena de Magalhães e sua esposa, a Condessa de Belmonte, mãe adotiva de Dom Pedro II, que deram nomes a ruas do bairro.

Com a abertura, em 1858, da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, foi inaugurada a estação do Engenho Novo que foi muito importante para a ocupação do bairro. A partir daí, as antigas chácaras e sítios foram loteados e ruas foram abertas nos terrenos pantanosos, cortados pelo rio Jacaré, que foram saneadas.

Pode-se destacar a igreja de Nossa Senhora da Consolação e Correia, cuja paróquia foi fundada em 1933 e deu nome a uma localidade do bairro do Engenho Novo e o antigo Cine Santa Alice, que funcionou até 1982. Seu prédio é preservado pelo Patrimônio Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro.

ESTÁCIO

A área do atual bairro do Estácio era um matagal onde se refugiavam os porcos dos matadouros próximos, daí seu antigo nome de Mata-Porcos. Por ele passava um riacho com três pontes, infestadas de malfeitores. Seu acesso se dava pelo antigo Caminho de Mata-Porcos, depois Rua Nova do Conde da Cunha ou da Sentinela (atual Frei Caneca).

No largo do Estácio – onde foi construída a Capela do Divino Espírito Santo – começavam a Estrada de São Cristóvão e a Estrada Geral do Andaraí (atuais ruas Haddock Lobo e Conde de Bonfim).

Bairro tradicional, o Estácio é associado às origens do samba. Ali surgiu, em 1928, a primeira escola de samba, a “Deixa Falar”, fundada por Ismael Silva. Atualmente, abriga a Escola de Samba Estácio de Sá, que, tal como a “Deixa Falar”, é oriunda do Morro de São Carlos.

Destacam-se no bairro a sede da primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, o Hospital da Polícia Militar e o desativado Complexo Penitenciário Frei Caneca. Com a urbanização da área junto a Estação do Metrô, o bairro ganhou amplo parque público.

FLAMENGO

Em 1503/1504, expedição comandada por Gonçalo Coelho chegou à região de Uruçumirim (pequena abelha), que corresponde aos atuais bairros do Flamengo e Glória, na época habitada pelos índios Tamoios. Na foz do atual rio Carioca, estabeleceu uma feitoria, marco inicial da ocupação da cidade, que ficou conhecida como Aguada dos Marinheiros, por ser o local onde os tripulantes dos navios que passavam se reabasteciam de água potável.

A origem do nome Flamengo tem duas versões: a primeira é que viria de prisioneiros holandeses ou “flamengos”; a segunda é que o nome viria de pássaros pernaltas, vermelhos, flamingos ou “flamengos”, que freqüentavam as praias da região.

No século XIX, o bairro do Flamengo já estava integrado à malha urbana e abrigava residências de aristocratas ricos e grandes fazendeiros de café. No final do século, com a decadência da cultura cafeeira, as grandes mansões passam a ter destinações diversas, como escolas e asilos.

Os primeiros bondes de tração elétrica fazem sua estréia na Cidade em 1892, numa linha entre o Centro e a Praia do Flamengo. São também marcos da interligação do bairro com as demais áreas da cidade a abertura da Avenida Beira Mar, em 1905, e a construção da Avenida do Contorno (atual Rui Barbosa), na década de 1920. Nos anos 50, para melhorar a circulação entre o Centro e a Zona Sul, foi alargada a Avenida Beira-Mar.

Em 1961, inicia-se a construção do aterro do Flamengo, que utilizou terra do Morro de Santo Antonio, desmanchado a jatos d’água. Inaugurado em 1965, o Parque do Flamengo é hoje uma das mais belas e visitadas áreas de lazer da cidade.

FREGUESIA (ILHA DO GOVERNADOR)

Sua origem deve-se à Ermida ou Capela de Nossa Senhora da Ajuda, erguida no fim do século XVII, por Jorge de Souza, “o Velho”, em terras de seu engenho, na porção nordeste da Ilha do Governador. Vem desse tempo, a pequena imagem da Santa colocada por seu fundador. Em 1710, foi criada a freguesia de Nossa Senhora da Ajuda e a Capela em ruínas foi reconstruída em 1743 pelo padre Nunes Garcia, cujas obras foram concluídas pelo padre Francisco Bernandes da Silveira em 1754, já na atual praça Calcutá. Destruída por um incêndio em 1816, foi recuperada em 1865, pelo arquiteto Antônio de Pádua e Castro. No século XIX, a agricultura se intensificou na região e em 1838 chegam as primeiras barcas a vapor que utilizavam uma ponte com atracadouro da Freguesia.

No início do século XX, surgem os primeiros arruamentos na Freguesia e de loteamento na parte final da praia da Guanabara. O bonde que ligava em 1922 a Ribeira ao Cocotá, extende-se em 1935, pela avenida Paranapuã, chegando à localidade do Bananal, no término da praia da Guanabara, onde fazia o retorno. No Bananal fica a “Pedra da Onça”, escultura em homenagem aos gatos Maracajás, que originalmente habitavam a Ilha. Do local tem-se esplêndida vista da Baía de Guanabara, com a Serra dos Órgãos e o Dedo de Deus ao fundo.

Na parte mais ao norte, ocupando mais da metade do bairro, cercada por morros e áreas verde, como o morro da Bela Vista (83 mts), situa-se a área militar da Marinha, conhecida como “Campo da Ilha do Governador”, abrigando a Base de Fuzileiros Navais, instalada em novembro de 1948, compreendendo atualmente 3 batalhões: Humaitá, Riachuelo e Paissandu. Nela estão a praia Grande, o saco do Pinhão, a ilha do Boqueirão, a praia da Moça e a praia Flamboyantes.

Como atrações do bairro, a igreja Nossa Senhora da Ajuda, tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a praça Calcutá (antiga Carmela Dutra), o Centro de Atendimento Psicossocial Ernesto Nazareth (foi um dos pontos responsáveis pela erradicação da febre amarela no Rio, no início do século XX) e a praia da Guanabara, extensa, com arborização densa em grandes trechos, bares, restaurantes, hotéis e quiosques ao longo da orla.

O acesso principal da Freguesia é a avenida Paranapuã, nome indígena que significa “seio do mar”, era a antiga estrada da Freguesia. O bairro é predominantemente residencial, com pequeno e ativo comércio, abrigando as comunidades do Professor Silva Campos (1950), Tremembé (1951), Morro das Araras (1958), Budapeste (1958), e a maior delas, a Bela Vista da Pichuna, subdividida em três comunidades, Bela Vista da Pichuna, Nova Pichuna e Magno Martins. Essa Comunidade surgiu em encostas, por volta de 1930, ganhando o nome original de “Bela Vista das Pichunas”, devido aos ratos ferozes que infestavam a área, consolidando-se a partir de 1951, com expansão na década de 1980/1990. Seu acesso se dá pela rua Magno Martins, antiga estrada das Pedrinhas.

FREGUESIA (JACAREPAGUÁ)

Ponto final de uma das duas linhas de bonde do bairro é a antiga Porta D’Água, um dos pontos geradores do desenvolvimento da região. O nome designava um dos três rios que ali se encontram e que acabaram por dar nome a uma das estradas principais da localidade.

Escoadouro das águas vindas da serra limítrofe com o Engenho Novo de Jacarepaguá, o rio Porta D’Água era, no inicio do século, navegável em todo o seu curso pela planície e contava, nos trechos mais altos, com diques e comportas que lhe valeram o nome. Reunia o curso dos rios Cigano, Olho d’Água e Fortaleza, nascidos na serra dos Três Rios e após atravessar a Freguesia, hoje sob a denominação de rio Sangrador, recebia as águas do córrego da Panela e dos rios São Francisco e Anil, indo desaguar na lagoa de Camorim.

Como Porta D’Água ficou conhecida a área hoje compreendida entre o local em que se encontram a estrada Velha de Jacarepaguá, a rua Ituverava e a estrada de Uruçanga, até a praça Professora Camisão e a esquina da estrada dos Três Rios com a avenida Geremário Dantas. O nome de Freguesia, com que popularmente a localidade passou a ser chamada, decerto deriva da localização da igreja de Nossa Senhora do Loreto, matriz da freguesia de Jacarepaguá.

A influência desta localidade se estendeu por uma área ampla e variada: a vizinhança do Engenho D’Água, pelo caminho do Portinho da Gabinal, a estrada dos Três Rios e as vertentes da serra do mesmo nome, a parte mais alta da estrada do Pau Ferro, e a localidade do Anil, na estrada Velha que ligava a Freguesia ao Itanhangá, às ilhas das lagoas costeiras e às praias da Barra da Tijuca.

Em 1616, nas imediações do Engenho D’Água, surgiu o primeiro núcleo de ocupação de Jacarepaguá, no lugar também conhecido como Porta D’Água, que hoje chama-se Largo da Freguesia. Com a ocupação se acentuando, uma parte das terras foi desmembrada em foros, para incentivar seu desenvolvimento.

Em uma das novas propriedades que floresceram, o dono, Padre Manuel de Araújo, ergueu no alto de um penhasco, chamado Pedra do Galo (morro da Freguesia), a Capela de Nossa Senhora da Pena. Com a crescente ocupação da sua propriedade e constatando que suas atividades e desenvolvimento econômico, os locais estavam praticamente assegurados, o padre propôs a emancipação do lugar, efetivada em 6 de março de 1661. Foi criada, assim, a freguesia de Nossa Senhora do Loreto de Jacarepaguá, a quarta da Cidade, separada da antiga freguesia de Irajá. Em 1664, o padre construiu nela a Igreja-Matriz, com o mesmo nome da Capela.

GALEÃO

O nome “Galeão” tem origem no navio o “Galeão do Padre Eterno”, construído em estaleiro montado na região. Em 1665, o “Galeão”, que na época seria a maior embarcação do mundo, fez sua primeira viagem para Lisboa.

No século XVIII, a parte ocidental da Ilha do Governador foi doada aos Beneditinos, que ali implantaram a fazenda de São Bento. Em 1811, Dom João VI escolhe a área como campo de caça e cria, por decreto, a “Coutada Real”. Com o advento da República, é declarada de utilidade pública a área que vai até os limites das fazendas de São Bento e Santa Cruz.

Em 1948, quase 30 anos após a instalação da aviação naval na região, o Ministro Salgado Filho deu novas dimensões à Base do Galeão, projetando a ponte que ligaria a Ilha à Avenida Brasil. Em 1952, entra em operação o Aeroporto do Galeão (hoje Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão – Antonio Carlos Jobim), com novo local para embarque e desembarque, substituindo a precária recepção existente até os anos 1950. Em 1977, foi inaugurado o atual Terminal 1 de passageiros e, em 1999, o Terminal 2.

O uso residencial do bairro do Galeão hoje se restringe às Vilas Oficiais dos Militares e às comunidades da Vila Joaniza ou “Barbante” (surgida em 1984), do Caricó e da Águia Dourada (de 1994). O restante é ocupado por instalações militares e grande reserva florestal pertencente à Aeronáutica. As principais vias do bairro são a Estrada do Galeão, a Estrada das Canárias e a Avenida Brás Crispino.

GAMBOA

O nome desse bairro, que tinha uma das mais antigas praias do litoral urbano, está ligado a Gamboas, ou Camboas, que eram pequenas represas, feitas pelos pescadores locais, para prender os peixes que entravam nas águas calmas e cheias de peixes entre a Praia da Saúde e o Saco do Alferes.

Gamboa também deu o nome à praia e ao saco, existentes no local. Outros nomes foram dados a essa região, como praia do Chichorro, das Palmeiras, do Propósito e do Lazareto. O acesso se dava pela rua do Cemitério, atual rua Pedro Ernesto, que a ligava ao Valongo. Na Praia da Gamboa, junto às encostas do morro da Providência, foi fundado em 1809, pelo embaixador britânico Lorde Strangfort, o “British Burial Ground”, o Cemitério dos Ingleses, para enterrar os protestantes.

Ao longo do tempo, a região da Gamboa foi se tornando uma área de atividades portuárias, incrementadas pelo ciclo do café, repleta de trapiches e armazéns. O maior proprietário de terras do local era o Barão da Gamboa, dono de extensa chácara que, em 1852, abriu e prolongou ruas em seus terrenos, criando lotes urbanos. A proximidade do terminal ferroviário com o litoral propiciou a abertura de um túnel sob o morro da Providência e a instalação, em 1879, da Estação Marítima, localizada no Saco da Gamboa. Com o aterro de toda essa orla para a construção do Cais do Porto, projeto elaborado em 1903 por uma comissão presidida pelo Ministro Lauro Muller e concretizado pela empresa de Paulo de Frontin, o Saco da Gamboa desapareceu e foi ocupado por terminais ferroviários de cargas.

Uma das obras marcantes do bairro é o Hospital Nossa Senhora da Saúde, tombado pelo Patrimônio Histórico, erguido a partir de 1840, no alto do Morro da Gamboa. Esse hospital foi muito importante no combate às epidemias que assolaram a Cidade, em 1986. Várias indústrias surgiram na Gamboa, com destaque para os moinhos Inglês e Fluminense, ambos de 1887, que tinham cais próprio.

Em 1921, foi inaugurado o Túnel João Ricardo, ligando o bairro da Gamboa à Central do Brasil. A área foi revitalizada com a implantação, em 2005, da “Cidade do Samba”, um espaço fixo e definitivo que abriga os barracões das escolas de samba do Grupo Especial. O empreendimento, uma iniciativa Prefeitura do Rio de Janeiro, com infra-estrutura para receber visitantes e turistas, ocupa uma área de 114.000m2 e faz parte do Plano de Recuperação e Revitalização da região Portuária.

GARDÊNIA AZUL

O bairro está localizado nas terras do antigo Engenho D’Água de Jacarepaguá, fundado pelo filho do Barão da Taquara, o médico e vereador Francisco Pinto da Fonseca.

Na década de 1960, foi implantado o loteamento que deu nome ao bairro, com acesso pelas estradas do Capão (atual Av. Tenente Coronel Muniz de Aragão) e do Engenho D’Água. Possui indústrias, conjuntos habitacionais e várias comunidades. É limitado pelo canal do rio Anil e a avenida Ayrton Senna.

O atual núcleo do bairro foi criado na gestão do governador Negrão de Lima, voltado para a estrada do Capão. Entre o bairro e a avenida Ayrton Senna, desenvolveu-se, em 1991, a comunidade Vila Nova Esperança.

GÁVEA

O nome do bairro se refere à monumental Pedra da Gávea, a “Metaracanga” dos indígenas, que, com seus 844 metros de altura, é o maior monólito a beira mar do Planeta. Assim chamada por lembrar aos antigos navegadores portugueses, vista do oceano, a gávea de um veleiro, a Pedra, na realidade, situa-se no bairro vizinho de São Conrado, mas acabou dando seu nome ao vale voltado para a Lagoa Rodrigo de Freitas. Como os outros bairros da região, sua origem foi o Engenho d”El Rey, do tempo do Governador Antonio Salema, cujas as terras eram utilizadas para lavouras e pastagens. Cultivava-se cana de açúcar e depois, no século XXI, o café.

A região pertencia à povoação de São José da Lagoa e desta foi desmembrada, em 1873, para originar a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Gávea. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída entre 1852 e 1857 com o apoio do Capitão Manuel Vitorino do Amaral, seria, em 1875, elevada a Matriz.

O acesso principal à Gávea era o Caminho da Boa Vista, que possuía várias chácaras e palacetes. Nele, o arquiteto francês Grandjean de Montigny (1776-1850) construiu sua residência, conhecida como Olaria da Gávea. Hoje, o Solar Grandjean de Montigny abriga o Centro Cultural da PUC-Rio, dentro do campus da universidade, aberto à visitação.

No ponto mais alto do Caminho da Boa Vista, em meio à floresta, ficava a grande chácara de José Antônio Pimenta Bueno, o Marquês de São Vicente, que daria depois seu nome à rua. A área pertenceu a uma fazenda de café, loteada no século XIX, conhecida como Chácara do Morro Queimado. Seu último dono foi o Engenheiro Guilherme Guinle que, em 1939, a vendeu para a Prefeitura, que ali criou o Parque da Cidade, ocupando 470 mil metros quadrados com gramados, lagos, trilhas, reserva florestal e o Museu da Cidade, instalado na antiga residência do Marquês de São Vicente.

Marcada pelos monumentais paredões do Morro Dois Irmãos (539 m) e seus dois picos rochosos, a Gávea é atravessada pelo Rio Rainha – o antigo Rio Branco -, tributário da Lagoa, que nasce nas encostas do Parque. O Largo das Três Vendas – atual Pça. Santos Dumont -, onde ficava o Hotel do Amaral, era o principal referencial do antigo bairro e ali chegaram os bondes, em 1872. Em 1904, já elétricos, os bondes subiam a Rua Marques de São Vicente até o seu final, no local chamado de “Rodo”.

Quando começaram a lotear as florestas da Gávea, João Borges comprou, em 1906, antiga chácara que foi loteada por seu filho, abrindo três ruas e 100 lotes em 1926. As chácaras de Manuel Pinto, Taylor da Fonseca, José Pereira Rego, Cônego José Caetano de Ferreira Aguiar e outros, geraram a rede viária do Bairro. Ciro Canto e Mello era proprietário de grande área florestal, que foi da Família Borges, e seus herdeiros abriram o loteamento Canto e Mello acima da cota dos 100 metros. Com a abertura da Estrada da Gávea, foi criada entre 1933 e 1952, a famosa corrida automobilística do Circuito da Gávea.

No século XX, surgiram as indústrias, como a Fábrica de Tecidos São Félix, depois Cotonifício da Gávea, e Sudantex, no início da década de 1920. Depois vieram os Laboratórios Park-Davis, Moura Brasil e a Indústria Química Merrel do Brasil. Com isso, se instalaram vilas operárias, casas de cômodos e, no ano de 1942, o Parque Proletário da Gávea, removido em 1970.

Até a década de 1990, quando foi transformada em bairro e região administrativa, boa parte da Rocinha pertencia ao bairro da Gávea, com o qual tem ligações históricas: era no Largo das Três Vendas que seus primeiros moradores, na década de 1930, vinham vender suas hortaliças. A Vila Parque da Cidade, hoje bastante populosa, surge também na década de 1930.

Entre outras referências do bairro, podem ser destacadas: o Conjunto Residencial Marquês de São Vicente ou “Minhocão”, projeto premiado do arquiteto Affonso Eduardo Reidy, de 1952/54, modificado em parte para a passagem da Auto Estrada Lagoa-Barra (1982); o campus da PUC-Rio, que inaugurou sua sede na Gávea em 1955, ocupando 100 mil metros quadrados; o Planetário da Cidade (1970) e o Museu do Universo (1998), importantes centros de estudos astronômicos; o Instituto Moreira Sales, com acervo variado, exposições, fototeca, música; o Shopping da Gávea e seus teatros (1975); e o chamado “Baixo Gávea”, trecho da Praça Santos Dumont repleto de bares e restaurantes, tradicional ponto de encontro noturno dos cariocas.

GLÓRIA

O bairro teve início no alto de um desabitado outeiro à beira-mar, onde, em 1671, o Capitão Antônio Caminha ergueu uma ermida rústica em louvor a Nossa Senhora da Glória. No mesmo lugar, em 1714, surgiu uma igreja de pedra e cal, em forma poligonal, projeto do arquiteto José Cardoso Ramalho, a bela Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, uma jóia do barroco brasileiro, que ficou pronta em 1740, em terras doadas por Cláudio Gurgel do Amaral. Em baixo, na orla, havia plantações e um caminho precário em direção ao Catete, que passava pelo alagado Boqueirão da Glória, aterrado, mais tarde, para a construção do Largo da Glória. Ali desembocava um braço do Carioca, o Rio Catete.

No governo do Vice-rei Marquês do Lavradio, entre 1769 e 1779, foram feitas várias melhorias na área, como o alargamento do caminho para o Catete, guarnecido com uma grossa amurada para protegê-lo contra as ondas da Baía de Guanabara e a Fonte ou Chafariz da Glória, que trazia água do morro de Santa Teresa, e é tombado pelo patrimônio federal. A amurada foi ampliada e reforçada, em 1905, quando o Prefeito Pereira Passos a dotou da balaustrada de bronze e do relógio, ambos em estilo “Art Nouveau”. Pereira Passos criou, também, a chamada Rua Augusto Severo, precursora da Avenida Beira Mar.

O Largo da Glória foi remodelado, em 1857, com a instalação de um cais com trapiche e do Mercado da Glória que, mais tarde, se transformou em um “cortiço” e foi demolido pelo prefeito Pereira Passos, e substituído por uma praça, a de Pedro Álvares Cabral. Próximo ao conjunto, ficava a Fábrica da City, com sua alta chaminé, onde o esgoto da Cidade era tratado e levado mar adentro, por barcos. Esse serviço foi inaugurado em 1864. Atualmente, o prédio da antiga City abriga a Sede da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro – SEAERJ.

Ao pé do outeiro da Glória ficava a Praia do Engenheiro Russel, no Saco da Glória que, mais tarde, foi aterrado para fazer surgir a Praça Luis de Camões. Junto a ela foi construído, na década de 1920, o luxuoso Hotel Glória que hospedou e ainda hospeda presidentes e celebridades.

A Glória foi um bairro aristocrático no fim da monarquia: foi sede do poder eclesiástico que se localizava no Palácio São Joaquim. Também lá estava o do Templo da Humanidade, da Igreja Positivista e, em 1929, ganhou a Praça Paris, área de 48 mil metros, inspirada no paisagismo francês da “belle époque”.

As ruas Dona Luísa (Cândido Mendes) e Santa Isabel (Benjamim Constant) surgiram para a criação de um novo bairro residencial junto a Santa Teresa. Outro marco é o Hospital da Beneficência Portuguesa, fundado em 1840, para atender à numerosa comunidade lusa da Cidade.

A construção do aterro e implantação do Parque Brigadeiro Eduardo Gomes ou Parque do Flamengo, na década de 1960, fez com que a Glória incorporasse parte dessa extensa área de lazer, incluindo a Marina da Glória, o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial e o importante Museu de Arte Moderna – MAM, projeto do arquiteto Affonso Eduardo Reidy. Também é destaque o recém instalado Memorial Getúlio Vargas na Praça Luis de Camões.

GRAJAÚ

Em indígena, “uirá-ya-hú”, ou a corruptela “grajahú”, em alusão ao formato da Pedra de mesmo nome, semelhante ao cesto que os índios usavam para levar as aves caçadas vivas.

As terras, que foram da Fazenda do Marumbi, formavam um enorme descampado que se estendia até o sopé da Pedra do Andaraí ou do Grajaú (atual Pico do Perdido). Na década de 1920, o grupo francês do Credit Foncier associou-se ao capitão de engenheiros Richard e sua companhia fez a urbanização de toda a região, abrindo as ruas do aprazível bairro, centralizado pela Praça Edmundo Rego.

Destaca-se, no bairro tradicionalmente residencial, o Parque Estadual do Grajaú, muito procurado por praticantes do montanhismo. O Parque tem 550.000 metros quadrados dos quais 30.000 são destinados ao lazer da comunidade.

GRUMARI

Seu nome, que vem do indígena “CURU” (seixos, pedras soltas) e “MARI” (que produz água), também designa uma árvore encontrada nas encostas da região. Cercada pelas serras do Grumari, de Guaratiba e de Piabas, é a última área natural e preservada do litoral carioca, incluindo a praia do Grumari, a vegetação de restinga e as praias selvagens, “Perigoso, Meio, Funda e do Inferno“ acessíveis por trilhas.

Constitui o Parque Natural Municipal do Grumari, tombado pelo Estado em 1985, e pelo Município, em 1986. Praticamente isolada, seu acesso se dava pela estrada velha de Grumari, sinuosa e estreita, vinda de Guaratiba ou pela trilha colonial na Serra de Piabas. Na década de 1970, foi aberta a Avenida Estado da Guanabara, ligando o bairro ao Recreio dos Bandeirantes.

Em Grumari há, também, a Praia do Abricó, para os adeptos do naturismo, e a Prainha, tombada, em 1989, como Área de Preservação Ambiental – APA – freqüentada por surfistas. Esta última integrava a antiga propriedade de Catarina de Sá e Benevides, nos tempos coloniais.

GUADALUPE

O nome do bairro foi uma sugestão de Dona Darcy Vargas, esposa do presidente Getúlio Vargas, em homenagem à padroeira da América Latina, Nossa Senhora de Guadalupe.

Durante o governo Vargas, foi construído um conjunto de prédios junto à avenida Brasil, com o nome “Fundação da Casa Popular”. As ruas têm origem no desmembramento, em glebas, da antiga fazenda Boa Esperança, situada na freguesia de Irajá, entre o rio Sapopemba, a avenida Brasil e a faixa da Light.

Destaca-se a “Lona Cultural Terra”, onde ocorrem eventos culturais e artísticos.

GUARATIBA

Em indígena, significa “abundância de guarás”, aves aquáticas pernaltas. A Freguesia de Guaratiba foi criada em 1755, com terras desmembradas da Freguesia de Irajá, por iniciativa de Dom José de Barros Alarcão.

Em Guaratiba, existiam importantes engenhos, como o Engenho Novo, o Engenho de Fora, o do Morgado, o da Ilha, o da Bica e o da Pedra. Duas de suas maiores capelas eram a de Santo Antônio (Engenho da Bica) e a de São Salvador do Mundo, de 1773, doada pelo Capitão Francisco Pais Ferreira, proprietário do Engenho de Fora.

Numa disputa entre Francisco Macedo Vasconcelos, do Engenho do Morgado, e Ana Sá Freire, do Engenho da Ilha, foi aberto um caminho pelo Engenho Novo que se converteu em Estrada Geral, surgindo nela novos engenhos. No bairro há um largo, uma estrada e um morro com a denominação Ilha. Uma das versões é de que “ilha”, seria uma corruptela de William, nome de um oficial inglês da frota de Dom João VI em 1808, que se instalou no local.

Após o ciclo do açúcar e aguardentes em seus engenhos, surgiu a cultura do café, e a fazenda do Engenho Novo, de Pedro Dauvereau, foi a primeira fazenda carioca a usar maquinaria moderna importada. No Governo Washington Luís, o prefeito Antonio Prado Junior levou a Guaratiba, sua primeira estrada moderna, a da Grota Funda, com sinuosas curvas, que dava acesso à baixada de Jacarepaguá. Na década de 1970, foi construída a estrada Rio-Santos, atual Avenida das Américas, cruzando a extensa baixada. Existiu uma linha de bondes ligando Campo Grande ao largo da Ilha.

Grande parte de Guaratiba é ocupada por manguezais que chegam até a orla da Baía de Sepetiba e formam importante ecossistema, com viveiro de peixes e crustáceos. No Bairro foi implantado o atual Centro Tecnológico do Exército. Em sua baixada, atravessada pelos rios Piraquê e Cabuçu, destacando-se os jardins Maravilha, Garrido, Guaratiba, Cinco Marias e Piaí, todos da década de 1950/1960.

HIGIENÓPOLIS

Originalmente, a área era ocupada por uma fazenda com lavouras. Foi, mais tarde, convertida pela família Darke de Matos, proprietária do café Globo, no bairro “Cidade Jardim Higienópolis”. O projeto é de 1934, durante a gestão do prefeito Pedro Ernesto.

O bairro era dividido em dois setores, pelo rio Faria-Timbó e pela Faixa da Light onde, atualmente, é a “Linha Amarela”. É limitado pelas avenidas Suburbana (Dom Helder Câmara), dos Democráticos, Itaóca e pela estrada Velha da Pavuna (Ademar Bebiano).

HONÓRIO GURGEL

Região próxima ao Engenho Boa Esperança que, com a inauguração da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil (depois linha auxiliar), em 1892, passou a abrigar a Estação de Munguengue, inaugurada em 1 de novembro de 1895, de onde saía um ramal de 3,02 Km para Sapopemba (atual Deodoro). A estação teve a denominação alterada para Honório Gurgel em homenagem ao Tenente Honório Gurgel do Amaral, vereador, cujo pai possuía fazenda em Irajá.

Em Honório Gurgel existiam engenhos, olarias e carvoarias, com caminhos dando acesso a Madureira, o principal deles a estrada Tavares Guerra (atual rua Conselheiro Galvão). Posteriormente, foi implantada a faixa da linha de transmissão elétrica da LIGHT, hoje ocupada por lavouras.

O Bairro é predominante residencial e tem como um dos seus limites o rio Sapopemba.

HUMAITÁ

Os índios chamavam a região de Itaóca, devido à gruta que existia no final da rua Icatu, no atual Bairro do Humaitá. Em 1657, com a construção de uma capela no final da atual rua Viúva Lacerda, no Humaitá, Clemente José Martins de Matos, Vigário-Geral do bispado, dono de uma vasta chácara que abrangia quase todo o bairro – ia da atual rua Marquês de Olinda à rua General Polidoro, os fundos alcançando além do Largo dos Leões até o Humaitá – abre o caminho novo para acesso à sua igrejinha, que dedica a São Clemente, nome que seria fixado ao caminho que corta a propriedade (hoje rua São Clemente). Essa antiga ermida, reconstruída em 1772, abrigou por algum tempo a matriz da Lagoa.

É um bairro de transição entre Botafogo, Jardim Botânico e Lagoa, porém com características próprias. A rua Humaitá, prolongamento da São Clemente, recebeu esse nome homenageando os brasileiros que na Guerra do Paraguai atravessaram bravamente a passagem de Humaitá. Joaquim Marques Batista de Leão, em 1825, adquiriu a fazenda da Olaria a subdividindo em loteamentos e seus herdeiros doaram à Câmara em 1853 uma rua, a Marques, e um Largo, o dos Leões, onde ficava a mansão da Família Leão. O antigo Largo da Olaria se tornou o Largo do Humaitá, na junção com o prolongamento da rua Voluntários da Pátria.

As chácaras nas encostas, ao pé do Corcovado e do morro da Saudade, seriam loteadas, surgindo diversas ruas. Na década de 1960, foi removida a grande favela Macedo Sobrinho (onde mais tarde, reflorestada, criou-se o Parque Natural Municipal da Saudade) e a rua e o largo do Humaitá foram alargados, facilitando a ligação com a Lagoa. No atual Humaitá, as ruas têm como pano de fundo a magnífica Floresta do Corcovado, a tranqüilidade da rua Miguel Pereira e adjacentes.

No eixo do bairro, destacam-se restaurantes muito freqüentados, o prédio de 1856, do Corpo de Bombeiros, tombado pelo patrimônio, a Casa da Espanha, o Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM, e o Espaço Cultural Sérgio Porto. A Cobal, antiga garagem de bondes, que em 1971 se tornou o Horto-Mercado do Humaitá, atualmente é o grande “point” boêmio-gastronômico do bairro, com barzinhos, restaurantes, pizzarias, atrações musicais, lojas de importados e supermercado, atraindo grupos de amigos, ”tribos” diversas, que lotam seu estacionamento.

INHAÚMA

De i, “Água”, e N-HDÚ, “lodo, lama, barro”, ou seja, “Água Suja”. Designava a extensa planície entre a Baía de Guanabara, a Serra da Misericórdia, e os morros dos Urubus e Juramento. Originalmente existia na região uma aldeia de índios tamoios.

Os jesuítas receberam uma área de uma légua e meia do rio Iguaçu (atual Comprido) até a tapera chamada de Inhaúma. Nela estabeleceram engenho e lavouras e escoavam as mercadorias pelo Porto de Inhaúma, depois aterrado, no atual bairro da Maré.

Em 1684, foi criada pelo Padre Custódio Coelho a freguesia de São Tiago de Inhaúma e seu primeiro vigário foi Frei Antonio da Conceição. Depois aí se instalaria o Bispo José Joaquim Castelo Branco, pioneiro dos cafezais cariocas, com duas propriedades, a do Capão e a Quinta de Sant´Ana, que se estendiam da estrada Velha da Pavuna com a Estrada Real de Santa Cruz (Suburbana), até Terra Nova (atual Pilares). O rio Faria juntamente com o do Timbó cortavam suas terras, que com a decadência da agricultura, foram adquiridas no fim do segundo reinado por laborioso proprietário, o coronel Antonio Joaquim de Souza Pereira Botafogo, que nelas incentivou o comércio e a venda de lotes a prestações, abrindo a praça Botafogo e as ruas Dona Emília, Dona Luísa, Dr. Nicanor, Dr. Otávio, Padre Januário, entre outras, além de doar área para a localização do cemitério de Inhaúma, entre outras benfeitorias. Vizinho a ele, na estrada Velha da Pavuna, existia a Fazenda das Palmeiras, de Frederico Pinheiro da Silva, onde, em 1949, foi instalada a Associação N. Sra. da Piedade. Atualmente toda essa propriedade foi ocupada por Conjunto Habitacional e a Comunidade da “Fazendinha” ou “Morro das Palmeiras”.

Em Inhaúma, ficava a sede do Engenho da Rainha, comprado por Dona Carlota Joaquina, com acesso pela rua Dona Luisa, demolido anos mais tarde por um proprietário inescrupuloso, para evitar o seu tombamento pelo serviço de patrimônio histórico da união.

Inhaúma se beneficiaria com a abertura da avenida Automóvel Clube e a implantação da Estrada de Ferro Rio D´Ouro (em 1876), sendo então construída a Estação de Inhaúma. Com a extinção dessa ferrovia na década de 1960, o seu leito foi aproveitado para abrigar a Linha 2 da Cia. do Metropolitano do Rio de Janeiro – Metrô, sendo inaugurada a Estação de Inhaúma em 12 de março de 1983

INHOAÍBA

O nome é uma corruptela de NHU (campo), AHYBA (ruim), denominação dada pelos indígenas à baixada entre a serra de mesmo nome e Campo Grande. Era atravessada pela Estrada Real de Santa Cruz, atual Av. Cesário de Melo e nela ficava a Fazenda de Inhoaíba, em frente à Fazenda Campinho. Com a implantação do ramal ferroviário de Mangaratiba, atual ramal de Santa Cruz, foi inaugurado em 1912, a estação Engenheiro Trindade, depois chamada de Inhoaíba que consolidou o nome do bairro.

À direita estendia-se a Vila Palmares, da Compainha Palmares, cujos terrenos estavam situados na área da Antiga Fazenda Campinho. Suas terras eram utilizadas para a lavoura do café e da laranja. A urbanização da área se intensifica a partir dos anos 1970, quando surgiram grandes loteamentos, como o Vilar Carioca e o Vilar Guanabara. Parte da área pertence ao Instituto Metodista Ana Gonzaga, que teve grande terreno do lado oposto da ferrovia, ocupado na década de 1990, pela comunidade “Bairro Nova Cidade”.

IPANEMA

A região da atual Ipanema pertencia à Fazenda Copacabana que, em 1857, foi comprada pelo empresário Francisco José Fialho que a dividiu em dois grandes lotes, um deles adquirido pelo Comendador José Antonio Moreira Filho, Barão de Ipanema.

Poucas décadas depois, em 1883, foi criada uma empresa de urbanização para erguer o novo bairro com o nome de Loteamento Villa Ipanema, empreendimento alavancado pelo prolongamento da linha de bondes de Copacabana até a região. Em 1894, foram abertas as Praças Floriano Peixoto (General Osório) e Coronel Valadares (Nossa Senhora da Paz), as ruas Prudente de Morais e 20 de Novembro (Visconde de Pirajá), a Avenida Vieira Souto, entre outros logradouros. Mais tarde, novas ruas foram abertas e seus lotes vendidos, tornando realidade a Villa Ipanema. Em 1927, todos seus terrenos haviam sido negociados e estava consolidado o bairro de Ipanema.

Ao longo do século XX, prédios de apartamentos tomaram o lugar das antigas residências, os gabaritos foram aumentados, surgiram os apart-hotéis e os grandes centros comerciais na Rua Visconde de Pirajá.

Ipanema, imortalizada pela música de Tom Jobim e Vinicius de Morais, se destaca não apenas pela praia, mas, também, pelos bares freqüentados por intelectuais e artistas, blocos carnavalescos, entre outras referências. Um dos principais marcos do bairro é a Ponta do Arpoador – local onde se caçavam baleias com arpões no século XVII -, que abrigou as finais do primeiro Campeonato Brasileiro oficial de Surfe, em 1965.

IRAJÁ

A origem do nome Irajá tem duas versões. Na primeira, “Irajá” significa “O Mel Brota”, nome dado pelos índios Muduriás, que habitavam a região. Na segunda o nome viria de “Aribo”, de “alto” e “Yá”, “brotar”, ou seja “rio que brota do alto do morro e cai abaixo”, referindo-se ao rio Irajá, que nasce no morro do Juramento e deságua na Baía de Guanabara.

Irajá era a maior Sesmaria do Rio de Janeiro e englobava as terras desde a Baía de Guanabara até a atual Zona Oeste, incluindo, entre outros, os bairros de Anchieta, Realengo, Bangu, Santíssimo e Campo Grande. Foi concedida a Antonio de França, com seu pioneiro engenho de N. Sra. da Ajuda, de 1568, do atual seria desmembrada a Fazenda Grande na Penha e outras propriedades.

As atividades predominantes eram engenhos de açúcar/aguardente, criação de gado e lavouras diversas, se destacando a do Reverendo Antonio Martins Palma e o Engenho N. Sra da Graça. Esse grande engenho foi negociado em 1712 pelo capitão Gaspar Machado ao Capitão Manuel Freire Alemão, que o passaria para Lourenço Silva Borges, indo seus limites do rio dos Cachorros até o rio Meriti.

A freguesia de Irajá foi criada pelo padre Antonio Marins Loureiro em 1644. O padre Gaspar da Costa construiu, em 1647, a igreja de N. Sra. da Apresentação que, no século seguinte, seria substituída por outra que permanece até hoje. Ela era a matriz de toda Zona Rural Carioca, quando em 1775 já havia treze engenhos na região.

Durante o século XVII, Irajá era importante centro de abastecimento de alimentos e material de construção. Seus acessos principais eram a estrada da Pavuna (Automóvel Clube), a estrada de Irajá (Monsenhor Félix), a estrada do Barro Vermelho (Colégio), a da Água Grande e a do Quitungo, que se comunicava com o Porto de Irajá, na Baía de Guanabara. Na construção da Estrada de Ferro Rio D´Ouro, foi instalada, em 1883, a estação de Irajá, extinta na década de 1960. Seu leito foi aproveitado para a implantação da Linha 2 pela Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro – Metrô, sendo inaugurada a estação de Irajá no mesmo local da antiga, em 1983.

Com a abertura da avenida Brasil, prolongada pela antiga avenida das Bandeiras, foram construídos grandes conjuntos habitacionais em suas margens, além da Ceasa, importante Centro de abastecimento de Gêneros Alimentícios, implantado em 1974.

O núcleo principal do bairro é a Praça N. Sra. da Apresentação, onde ficam o cemitério de Irajá – inicialmente da irmandade, inaugurado em 1835, e depois substituído pelo cemitério Municipal, construído entre 1894/1895 -, a Igreja Nossa Senhora da Apresentação – tombada pelo Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro – e o Instituto Jesus Eucarístico. Nessa área ficava a antiga fazenda Irajá, com sua casa grande, grande centro açucareiro com produção elevada que era escoada pelo “Portinho do Irajá”, situado na região de Brás de Pina. Destaca-se a figura de Dom Manuel de Monte Rodrigues, o Conde de Irajá, falecido em 1863, deputado geral pela sua província e Bispo do Rio de Janeiro, em 1839, que sagrou e coroou Dom Pedro II.

As linhas de bondes ligando Madureira a Irajá foram inauguradas em 28/09/1911, em tração animal, até que em 1928 a concessão foi transferida para a Empresa “Cia LIGHT”, que os substitui pelos de tração elétrica.

Em 8 de fevereiro de 1962 foi criada a XIV Região Administrativa de Irajá.

ITANHANGÁ

Esse nome tem origem na grande pedra, situada à beira da Lagoa da Tijuca: Ita (pedra) e Anhangá (fantasmagórica) ou ”Pedra que fala”. Pela sua conformação, os ventos produziam sons que apavoravam os indígenas. Seus antigos acessos, na época do Distrito Federal, se davam pelas estradas de Furnas e do Itanhangá.

Na década de 1930, foi construído um extenso campo de golf, o atual Itanhangá Golf Club, para ser usado pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas. Na década de 1950, foi implantado um loteamento que ocupou extensa área verde, entre a estrada da Barra da Tijuca e os morros da Pedra da Gávea/Focinho do Cavalo, denominado “Jardim da Barra”. Nos anos 1970, surgiriam os condomínios “GreenWood Park” e Portinho do Massaru. Também nessa época, as principais comunidades se estabeleceriam no bairro, com destaque para a Tijuquinha, Sítio Pai João, Muzema e Morro do Banco.

O rio Cachoeira, que nasce no Alto da Boa Vista, forma a belíssima Cascata Grande. Na estrada das Furnas fica o Recanto das “Furnas de Abrassiz”, formado por grupamento de enormes pedras, que formam grutas, freqüentado no século XIX por Don Pedro II.

JACARÉ

Corruptela de YACARÉ (o “que é torto, sinuoso”), alusão às voltas que dá o rio Jacaré, que nasce no morro do Elefante e atravessa a região historicamente pertencente ao Engenho Novo dos jesuítas.

Após a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, o engenho foi desmembrado em chácaras e propriedades rurais e, posteriormente, foram abertos arruamentos. Grandes proprietários como Paim Pamplona e Adriano Müller loteavam o Jacaré fazendo surgir as ruas principais – Dois de Maio e Lino Teixeira.

A partir da década de 1920 o bairro passa a ser efetivamente urbanizado e ocupado. Nessa época, iniciou-se a Favela do Jacarezinho, que se expandiu no decorrer dos anos entre o rio Jacaré e a antiga Fábrica Cruzeiro (depois General Electric – GE). Em 1992, a área do Jacarezinho foi desmembrada do bairro do Jacaré, transformando-se na XXVIII Região Administrativa Jacarezinho.

No local atualmente ocupado pela Congregação Salesiana (rua Luis Zanchetta), antigo Solar do Conselheiro Magalhães Castro, existiu um Fortim com guaritas e canhões, mandado construir pelo Conde de Rezende entre os anos de 1793 e 1795 no morro das Palmeiras, atual Jacaré, devido a sua posição estratégica, dominando todo o Arraial da Venda Grande, a Estrada Real de Santa Cruz (Suburbana), a praia Pequena e Benfica.

Na década de 1960, o governador Carlos Lacerda promoveu a ida de várias indústrias para o bairro de Jacaré, criando o chamado “Complexo Industrial do Jacaré”, entre o rio Jacaré, as ruas Viúva Cláudio e Bráulio Cordeiro. Também abriu uma passagem por baixo da Linha Auxiliar, ligando o bairro a avenida Dom Helder Câmara (antiga Suburbana), ganhando dos moradores o nome de “Buraco do Lacerda”.

O Complexo Industrial do Jacaré ocupava cerca de 15 ruas do bairro com indústrias de calçados, bolsas, farmacêuticas, de vidros, roupas, metalúrgicas, de café, entre outras. Com a crise econômica das últimas décadas do século XX, a maioria de suas indústrias faliram ou tiveram as suas unidades reduzidas. Atualmente se verifica na região um grande número de galpões e prédios fechados, cercados por comunidades de baixa renda.

O principal acesso é a chamada “Linha Verde”, integrada ao túnel Noel Rosa e parcialmente construída na década de 1970, via projetada nos anos de 1960, ligando o Jacaré a Vila Isabel e a Maria da Graça.

JACAREPAGUÁ

Em Tupi significa YACARÉ-UPÁ-QUÁ, “Baixa ou Vale dos Jacarés” ou “lagoa rasa dos jacarés”, dependendo do autor de referência.

Em 1594, o governador Salvador Correia de Sá doou a região como Sesmaria a seus dois filhos. Martim de Sá fundaria sua casa no Engenho D’água e Gonçalo de Sá ergueria o Engenho do Camorim, junto com a Capela de São Gonçalo do Amarante (de 1625), existente até nossos dias.

No século XVIII, a grande região de Jacarepaguá era conhecida como a “Planície dos Onze Engenhos”, pela intensiva produção açucareira. No século XIX, o café seria cultivado em novas fazendas, aproveitando o solo fértil dos antigos engenhos.

Em 1875, foi inaugurada a Companhia Ferro-Carril de Jacarepaguá, que ligava as localidades da região aos subúrbios ao norte, inicialmente por meio de tração animal e, a partir de 1911, por meio dos bondes eletrificados. A conclusão da Estrada Grajaú-Jacarepaguá (atual Menezes Cortes), na década de 1950, viria a facilitar o acesso à Zona Norte e ao Centro da Cidade, o que foi finalmente consolidado em 1997, com a inauguração da “Linha Amarela” (av. Governador Carlos Lacerda).

O atual bairro de Jacarepaguá é a área periférica que sobrou da grande região de Jacarepaguá após a criação dos bairros do Tanque, Taquara, Pechincha, Freguesia, Anil, Gardênia Azul, Cidade de Deus e Curicica. Hoje, ele abrange partes dos maciços da Pedra Branca e da Tijuca, Rio das Pedras, arredores do autódromo e Rio Centro, PROJAC e os Vales do Pau da Fome, Rio Pequeno, Três Rios, Quitite, entre outros.

JACAREZINHO

Na região existia uma chácara entre o rio Jacaré e a antiga fábrica Cruzeiro (depois substituída pela General Eletric), ocupada por casebres, cujos moradores eram considerados invasores. A partir da década de 1920, a população foi aumentando, devido à instalação de indústrias no Jacaré e na avenida Suburbana (atual avenida Dom Helder Câmara). Com as migrações dos anos de 1950 a área sofreu adensamento considerável, com conseqüente valorização da terra, o que levou um de seus donos à justiça pela remoção dos moradores, provocando reação da população residente, que conseguiu que o terreno fosse repassado para o governo e permanecer no local.

Em 1980, o programa mutirão efetuou obras de infra-estrutura e melhoramentos na comunidade (ou favela) do Jacarezinho, implementando obras de esgotamento sanitário, drenagem e pavimentação de vias.

Em 1986, foi criada a XXVIII Região Administrativa-Jacarezinho, desvinculando o Jacarezinho do bairro do Jacaré.

Em 2000, a comunidade foi incluída no “Programa Grandes Favelas”, intervenção urbanística baseada no “Programa Favela Bairro”. Seus acessos principais são pelas ruas Esperança, Atiba, Galileu, José Maria Belo e Comandante Gracindo de Sá. Na linha auxiliar, que passa dentro do bairro, fica a antiga estação ferroviária de Vieira Fazenda, atual Jacarezinho.

Há duas praças dentro da comunidade: o Largo do Cruzeiro e a Praça Concórdia.

JARDIM AMÉRICA

Originou-se no Projeto de Arruamento e Loteamento (PAL) Proletário denominado “Jardim América” em terreno situado na rodovia Presidente Dutra, limitado pelo rio Acari e com frente para a estrada Vigário Geral. O loteamento, de 1957, resultou em 39 logradouros, 2782 lotes residenciais, 124 comerciais e 90 industriais, atravessados pelo rio dos Cachorros e a faixa das linhas de transmissão elétrica da LIGHT.

O bairro é predominantemente residencial possuindo diversas empresas do setor de serviço ligadas ao transporte rodoviário e comunidades ao longo dos rios Acari e São João de Meriti, com destaque para a comunidade do Dick.

JARDIM BOTÂNICO

A história do bairro do Jardim Botânico coincide, em sua origem, com a história da Lagoa e do Engenho d’El Rey de Antonio Salema, que foi ampliado pelo Governador Martim de Sá. Nele, no século XVIII, o governador ergueu a capela Nossa Senhora da Cabeça, ao lado do Rio Cabeça, existente até nossos dias. A terra fértil foi ocupada pela cultura da cana de açúcar.

Com a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808, Dom João VI desapropriou o Engenho da Lagoa para ali construir a Real Fábrica de Pólvora, que funcionou até 1851, quando, após várias explosões, foi transferida para a Raiz da Serra de Petrópolis. Junto a ela havia um jardim para plantas exóticas, sob a direção do futuro Marquês de Sabará. Dom João VI, entusiasmado pelo local, plantou ali a famosa palmeira real ou Palma Mater (destruída por um raio em 1972). O jardim logo se tornou o Horto Real, que, com Dom Pedro I, se transformaria em Jardim Botânico. Seu primeiro diretor, Frei Leandro do Sacramento (1824), fez nele várias melhorias, obras paisagísticas, lagos, aléias e fontes. Na República, dirigido por João Barbosa Rodrigues, recebeu o nome oficial de Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sendo aberto à visitação pública.

Inicialmente, o acesso à região se dava por canoas pela Lagoa e um caminho precário corria pelo sopé do Corcovado, indo até o Rio Cabeça. O caminho, que em 1860 era conhecido como Rua do Oliveira, começou a ser aterrado pelo Comendador Carvalho, da Chácara da Bica, e, depois de calçado, se transformaria na Rua Jardim Botânico. As linhas de bondes chegariam logo depois, em 1871.

O bairro era repleto de chácaras: a de N. Sra. da Cabeça, de Luís de Faro, a dos Macacos, de Dona Castorina, a da Bica, de Jerônimo Ferreira Braga, entre outras. A mais destacada era a chácara do Comendador Antônio Martins Lage – que depois passaria para Henrique Lage -, com vasto parque em estilo inglês, palacete e jardins do paisagista Tindale. Em 1965, o imóvel foi tombado pelo Governador Carlos Lacerda, surgindo então o Parque Lage. Hoje o parque abriga a Escola de Artes Visuais e preserva os atributos da época, além de lago, densa arborização e trilha na floresta que chega até o alto do Corcovado.

No final do século XIX, surgiram as fábricas. Em 1884, implantava-se no bairro a Companhia de Tecidos Carioca, na atual Pacheco Leão, onde se instalou a Vila Operária Sauer. Em 1889, surge a Fábrica de Tecidos Corcovado, na Rua Jardim Botânico. Depois de demolidas, as fábricas deram origem a ruas residenciais do bairro.

A história da Rede Globo de Televisão começa no bairro, na Rua Von Martius, onde foi inaugurada, em 1965, a TV Globo. Após a transferência de estúdios para o Projac, no Camorim, a Rede Globo mantém ainda 4 estúdios destinados ao jornalismo no bairro.

Hoje, o bairro do Jardim Botânico abriga diversas atividades comerciais e de serviços e apresenta intenso trânsito na sua via principal – rua Jardim Botânico -, que canaliza parte do trânsito em direção à São Conrado e Barra da Tijuca. A maior parte do bairro, contudo, mantém ainda ruas tranqüilas e arborizadas.

Na bela região do Horto, encravada na Serra da Carioca e circundada pela mata atlântica do Parque Nacional da Tijuca, há acesso, por trilhas, às Cachoeiras do Quebra, Chuveiro, da Gruta e dos Primatas. No final da rua Pacheco Leão, tomado pelo patrimônio histórico e artístico nacional, destaca-se o Solar da Imperatriz, erguido no século XVIII e presenteado por Dom Pedro I para sua segunda esposa, Dona Amélia, em 1829. Ao lado, fica o Horto Florestal, setor de produção de mudas para reflorestamento em todo o Brasil.

JARDIM CARIOCA

A região compreendida entre as estradas do Galeão e do Dendê é ocupada por três elevações, o morro Fundo da Grota (66 mts), o morro do Dendê (99 mts) e o morro do Guarabu (82 mts). Em 1929, neles foi concretizado o projeto de arruamento e loteamento do Jardim Carioca, em terreno de propriedade da “Companhia Geral de Habitações e Terrenos”, aprovado na gestão do prefeito Prado Junior, com grande número de ruas abertas em encostas acidentadas, apresentando um traçado de curvas sinuosas, com diferentes larguras. Tinha a particularidade de vender casas prontas, com a fachada voltada para a estrada do Galeão.

Um referencial marcante na história do bairro foi a praça Manguetá e seu Coreto, construído em 1936, que foi palco de animados carnavais, onde foliões da Ilha do Governador reuniam-se para dançar e brincar ao som de marchinhas e sambas da época.

Na década de 1950, linhas de bonde elétrico circulavam pela região, até serem extintas em 1964. Em 1975 novo loteamento surgiu entre a estrada do Galeão, avenida Maestro Paulo Silva, rua Orcadas e rua Maviatuca, com 192.782 m2 de área, contendo 225 lotes, 5 ruas e uma praça junto à avenida Maestro Paulo Silva. Foi inaugurado em 1992 o primeiro Shopping Center de toda a região, o Ilha Plaza Shopping. Na rua Orcadas fica localizada a Sub-Prefeitura da Ilha e a Sede da XX R.A.– Ilha do Governador.

O bairro apresenta ocupação predominantemente residencial, dispondo de diversificado comércio, e nele se situa a comunidade do Guarabu ou morro do Guarabu, surgida em 1951, com a cessão do terreno feita por uma empresa de construção do governo do Distrito Federal, daí o início de sua ocupação. O acesso se dá pelas ruas Luis Gomes e São Jorge, próximo à Escola Municipal Holanda. O ponto culminante da Ilha do Governador fica no alto do morro do Dendê, na Caixa D’Água, a 99 metros de altitude, com acesso pela rua Itaguaí.

JARDIM GUANABARA

A Ilha do Governador recebeu essa denominação devido ao fato de ter sido, inicialmente, terra do governador Salvador Correia de Sá por volta 1568, recebida da Coroa Portuguesa. Nela se instalou com o Engenho, em posição privilegiada, de onde tinha o controle da Baia de Guanabara, na elevação acima da atual praia do Engenho Velho (limite do atual bairro Jardim Guanabara).

A família Sá prosseguiu como proprietária da Ilha durante o século XVII e seus parentes, ligados ao coronel André Álvares Pereira Viana, ergueram uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, em data incerta, reformada em 1816, existente até hoje, tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual, na atual praça Jerusalém. Defronte fica a praia da Bica, lugar de uma antiga bica d’água para serventia pública, uma das mais freqüentadas da Ilha, com belo panorama da Baía, urbanizada com calçadão, iluminação, quiosques. Nela existiu uma ponte de atracação das barcas da Cantareira, construída no governo Washington Luis, desativada posteriormente, cuja construção ainda está de pé.

Em 1903, a Companhia Lavoura e Colonização (de São Paulo), depois Empresa Cerâmica Santa Cruz, adquiriu do coronel Elias Antônio de Moraes, a sua fazenda da Conceição, de 4.600.000 m2, para transformá-la na maior fornecedora de tijolos para as grandes obras do governo Rodrigues Alves, no Rio de Janeiro, chegando a exportar seus produtos.

O paulista Joaquim Sampaio Vidal fez com que a grande fábrica de cerâmica se transferisse para o ramo da urbanização e dos loteamentos, demolindo-a, para o início de seu primeiro projeto de urbanização, já como “Companhia Imobiliária Santa Cruz”, surgindo em 1936 o “Jardim Guanabara”, compreendendo metade da praia da Bica, os morros da Mãe d’Água (75 mts) e da Bica (62 mts), até a rua Cambaúba (antiga Rua 30), atingindo a estrada do Galeão, onde um Centro Comercial e a nova sede da Companhia seriam construídas.

Suas ruas sinuosas e caprichosamente desenhadas ocupavam as elevações, transformando-se em um bairro nobre, com belas construções, de alto padrão, um dos melhores da cidade, destacando-se as ruas Ituá, Uça, Babaçu, Luis Vahia Monteiro, Gregório de Castro Morais, Carmem Miranda, Aureliano Pimentel, Cambaúba, Francisco Alves, dentre outras. Em 1972, novo loteamento foi implantado entre a estrada do Galeão, rua Cambaúba, rua Álvaro Dias, praia do Engenho Velho e a área militar da Aeronáutica, em terreno de 591.750 m2, originando 420 lotes residenciais, 22 ruas e duas praças, destacando-se as ruas Espumas, Fantoches, Serenata, Orestes Barbosa, entre outras.

O Jardim Guanabara tem duas importantes áreas de lazer, o Iate Clube Jardim Guanabara (fundado em 1953) e o Parque Municipal Marcello de Ipanema (criado em 1995), ocupando área verde na orla contínua à Ponta de Santa Cruz, entre as praias da Bica e do Engenho Velho.

Como atração histórica, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (do século XVIII), contrastando com o movimento noturno na praia da Bica, procurada pelos seus quiosques e restaurantes.

JARDIM SULACAP

O bairro, localizado na região que pertencia à antiga fazenda dos Afonsos, tem como origem o projeto de arruamento e loteamento do “Jardim Sulacap”, feito em 1951, de propriedade da “Cia Sul América Capitalização S.A.”, junto a estrada Intendente Magalhães e ao Campo dos Afonsos. Atravessado pela avenida Alberico Diniz e pela estrada do Japoré – que interligam Marechal Hermes a Realengo -, Jardim Sulacap é predominantemente residencial e sua população é formada, em sua maioria, por famílias de militares.

Jardim Sulacap possui três praças principais e dá acesso a Jacarepaguá pela estrada do Catonho, que percorre a área montanhosa no vale entre as serras do Valqueire e do Engenho Velho. Nele situa-se o cemitério Parque Jardim da Saudade, o primeiro do gênero no município e no Brasil.

A empresa General Shopping do Brasil está se preparando para construir um shopping no bairro, que deverá se chamar “Sulacap Shopping”, em área de 60 mil m2, somando-se ao hipermercado “Carrefour” já existente.

Junto a Sulacap ficam a Academia de Polícia Militar Dom João VI, a Universidade da Força Aérea e instalações militares.

JOÁ

A denominação do bairro é originária do nome de um antigo morador, o francês Laurence Anchois, que era pronunciado “Chuá”. Nele fica o morro da Joatinga (YUÁ-TINGA, limoso, esbranquiçado), ocupado por condomínios de grandes residências.

Com localização privilegiada, está o clube Costa Brava, projeto de Ricardo e Renato Menescal, fundado em 1962.

Espremido entre o Oceano Atlântico e o paredão rochoso do Pico dos Quatro, o Joá apresenta alguns dos mais belos panoramas da Cidade, com destaque para a selvagem Praia de Joatinga.

Seu principal acesso é a antiga estrada do Joá, construída em 1929, pelo Prefeito Antonio Prado Júnior.

LARANJEIRAS

Situada em um vale por onde correm as águas do Rio Carioca, encravada entre os Morros do Corcovado, Dona Marta e Mundo Novo e o espigão de Santa Teresa (Morro da Nova Cintra, etc), Laranjeiras possuía características rurais com sítios e chácaras rústicas que abasteciam a Cidade com verduras, legumes e laranjas. As terras dessa região foram divididas em sesmarias e doadas à família de Cristóvão Monteiro, primeiro ouvidor do Rio, que nelas construiu o “moinho velho”. O primitivo caminho de acesso à Laranjeiras acompanhava o Rio Carioca até o Flamengo.

Essas chácaras foram substituídas por outras luxuosas, pertencentes a nobres e homens abastados, como a Chácara Ilhota, de José Antônio Lisboa, a Chácara dos Frontins, a Chácara da Duquesa de Cadaval, a Chácara do Viana, a Chácara do Conde Modesto Leal, entre outras. Em 1895, fizeram em Laranjeiras uma “praça de touros”, de pedras e tijolos, para diversão aos domingos.

O Palácio Guanabara começou a ser construído a partir de 1853, na antiga Chácara do Rozo, pelo comerciante José Machado Coelho. Em 1865, foi comprado pelo Governo Imperial para servir de residência para a Princesa Isabel e o Conde d “Eu, passando então a ser chamado de “Palácio Isabel”. Com o advento da República, hospedou visitantes ilustres, foi moradia de presidentes e, a partir de 1960, tornou-se sede do Governo do Estado. Junto a ele instalou-se, em 1915, o Fluminense Football Club, que ali construiu o seu Estádio das Laranjeiras.

Na antiga Chácara de Carvalho de Sá, junto ao Morro da Nova Cintra, adquirida pelo empresário Eduardo Guinle, foi construído o Palácio das Laranjeiras entre 1909 e 1914, com seus belos jardins. Em 1947, o Palácio passou para o Governo Federal e, em 1975, foi cedido ao Governo Estadual. Nos jardins, ocupando área de 25 mil metros quadrados, surgiu o Parque Guinle.

A Praça São Salvador foi aberta na Chácara de José Alexandre Carneiro Leão, em 1875. Em 1880, o Bairro ganhava feições industriais com a instalação da Companhia de Fiações e Tecidos Alliança, na área da atual Rua General Glicério. A fábrica chegou a ter mais de mil operários e funcionou até 1938, dando origem a casas e vilas operárias. No lugar da fábrica, surgiria, em 1945, o empreendimento imobiliário “Cidade-Jardim Laranjeiras”, um bairro residencial aristocrático, com abertura de ruas, lotes e um conjunto de mais de dez prédios. A essa altura, o Rio Carioca estava todo canalizado, bondes percorriam a Rua das Laranjeiras, o velho Túnel da Rua Alice fazia a ligação com o Rio Comprido e já existia o corte da Rua Pinheiro Machado ligando Laranjeiras a Botafogo (1909/1913).

Com a inauguração do Túnel Santa Bárbara em 1963, Laranjeiras virou rota de ligação entre as Zonas Norte e Sul, o que foi acentuado com a abertura do Túnel Rebouças em 1965, quando se iniciou um período de intensa produção imobiliária, com verticalização das áreas formais e favelização nas encostas. Hoje, o bairro ainda guarda belos prédios, mansões e locais pitorescos como o “Portugal Pequeno” (Rua Cardoso Júnior) e o Mercadinho São José.

LEBLON

O do nome do bairro vem de Charles Leblon, francês dono de um grande lote no areal – o chamado “Campo do Leblon” -, que, em 1845, ali instalou uma fazenda de gado.

No início do século XX, o Leblon era constituído por chácaras desmembradas da Fazenda Nacional da Lagoa e tinha poucas ruas, entre as quais se destacava a Rua do Sapé ou do Pau (atual Dias Ferreira). Nas décadas de 1910 e 1920, a Companhia Industrial da Gávea promoveu o loteamento inicial do Leblon e foram implantadas praças, avenidas e diversas ruas. Como sempre, a promoção imobiliária era articulada à implantação do bonde que, em 1914, interligaria o bairro com resto da Cidade.

Ao longo do canal aberto entre mar e lagoa, o Prefeito Henrique Dodsworth implantou, em 1937, setenta mil metros quadrados de jardins, ficando o lugar conhecido popularmente como Jardim de Alah. Nas proximidades, em 1957, surgia no bairro a Cruzada São Sebastião, composta por dez blocos habitados por seis mil pessoas de baixa renda.

Poucos anos depois, na década de 1960, as grandes favelas do bairro foram removidas e sua população remanejada para bairros distantes na Zona Oeste. A produção imobiliária se intensificou, o bairro se elitizou, cresceu, adensou e virou referência noturna com seus bares e restaurantes.

LEME

Praia do Leme era o nome dado ao trecho arenoso que ia do antigo Morro do Inhangá até o Morro ou Pedra do Leme. O nome “Leme” foi dado devido à forma dessa elevação, que lembra o leme de um navio.

Espremido entre o Morro da Babilônia e o Oceano Atlântico, o Leme era um areal deserto, até que a Companhia de Construções Civis (de Otto Simon e Duvivier) criou as ruas do bairro, entre 1892 e 1894. Sua principal rua, a Gustavo Sampaio, foi aberta em 1894. Com a inauguração do Túnel Novo, ou do Leme, em 1906, a linha de bondes da Companhia Ferro-Carril Jardim Botânico chegaria ao final do Leme, na Praça do Vigia. Em 1906, acompanhando a orla do Leme e Copacabana, a Avenida Atlântica foi concluída e se tornaria cartão postal do bairro. Mais tarde, em 1971, seria duplicada para a implantação do calçadão.

Junto ao Morro da Babilônia ficava a Chácara de Torquato Couto, depois alugada a Chaves Faria. Também residiu nela a família de Wilhelm Marx, (pai do paisagista Roberto Burle Marx), que construiu a Ladeira da Babilônia, atual Ari Barroso, famoso compositor que ali morou. Embaixo se ligava à Rua Araújo Gondin (atual Gal. Ribeiro da Costa), onde os padres dominicanos fundaram a Igreja N. Sra. do Rosário, construída entre 1927 e 1931.

O início de ocupação das encostas do Morro da Babilônia se deu em 1915. A partir de 1934, a ocupação aumentou consideravelmente, dando origem às Comunidades da Babilônia e do Chapéu Mangueira. No alto do Morro da Babilônia (238 m), existia um Telégrafo, acessado por estrada que partia da Ladeira do Leme, e que hoje foi absorvido por grande área de reflorestamento.

No cume do Morro do Leme destaca-se o Forte Duque de Caxias, construído em 1776, com a denominação de Forte da Espia ou do Vigia, situando-se a 125 m de altitude. Em 1823, o forte recebeu armamento de artilharia. Reconstruído em 1919, em projeto de Augusto Tasso Fragoso, foi desativado em 1975, quando deu lugar ao Centro de Estudos de Pessoal do Exército. Dentro da área do Forte, existem ruínas datadas de 1711 e 1823 na denominada Pedra do Anel, que deviam servir para sinaleiros observarem a movimentação de navios na entrada da Baía de Guanabara.

A partir dos anos 1950 e 1960, grandes prédios residenciais ocuparam a estreita área do bairro e surgiram hotéis, destacando-se a torre do Le Meridien, com 37 pavimentos, atual “Iberostar-Copacabana”. O Leme, contudo, manteve sua tranqüilidade, bem representado pelo “Caminho dos Pescadores” junto à Pedra do Leme, onde há uma das mais belas vistas da orla carioca.

LINS DE VASCONCELOS

Toda a área do bairro de Lins de Vasconcelos pertencia ao Engenho Novo dos Jesuítas. Os tropeiros, vindos de Jacarepaguá pelo Caminho dos Três Rios, desciam da Serra do Matheus (trecho da Serra dos Pretos Forros) e seguiam pela Estrada da Serra do Matheus (atual Rua Lins de Vasconcelos) até alcançar o Engenho. Sua construção mais conhecida era a “Venda do Matheus”, na localidade denominada “Boca do Mato”, junto à Serra dos Pretos Forros, que, com seu clima ameno, era apelidada de “Suíça Suburbana”.

Lá existiam chácaras como a de Casimiro Barreto de Pinho, no qual foram abertas as Ruas Casimiro (parte da atual Aquidabã) e D. José (atual Maranhão). A Boca do Mato, já em 1886, se ligava ao Méier através de uma linha de bonde puxada a burro – o “Boca do Mato” ou “Boquinha”, depois eletrificada. Era uma linha curta que conduzia os moradores do lugarejo ao comércio e escolas vizinhas.

O Médico-Major Modesto Benjamim Lins de Vasconcelos possuía propriedade no alto da Estrada da Serra do Matheus, que depois levou o nome de sua tradicional família, Lins de Vasconcelos. Seu desmembramento foi feito aos poucos e as chácaras vendidas a diversas famílias, como a do Dr. Luis Ferreira Moura Brito e a do Dr. Vicente Piragibe, em cujos terrenos foi prolongada a Rua Lins, abertas a Rua Vilela Tavares e a Travessa Aquidabã (atual Mario Piragibe) e construída a Capela de N.S. da Guia, convertida em paróquia em 1923.

Na Rua Aquidabã, surgiu o Clube Alemão, local de reunião e esportes da colônia germânica do Rio de Janeiro que seria confiscado pelo Governo Federal na II Guerra Mundial e transformado em área militar (Crifa, Quartel de Infantaria). Atualmente, ali está construído um condomínio para oficiais do exército.

Destacam-se no bairro dois importantes hospitais: o Hospital Naval Marcílio Dias e a Maternidade Carmela Dutra.

MADUREIRA

O nome do bairro vem de Lourenço Madureira que, no século XIX, era lavrador e criador de gado em terras da antiga Fazenda do Campinho, existente desde o início do século XVII.

No virada do século XIX para o século XX, Madureira já tinha se tornado um importante eixo ferroviário com a inauguração das estações de Madureira (1890), na antiga Estrada de Ferro Dom Pedro II, e de Inharajá (1908) – atual estação Mercado de Madureira ou Magno -, na antiga Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil (linha auxiliar). Em 1958, com a inauguração do viaduto Negrão de Lima, foram interligadas as áreas do bairro separadas pelos ramais da linha férrea.

Madureira se consolidaria como centro comercial dos subúrbios com a construção do Mercado de Madureira (1914), que, durante boa parte do século XX, foi o maior centro de distribuição de alimentos da região. Após sofrer um incêndio, em 2000, o “Mercadão” de Madureira ressurgiu modernizado.

Madureira é uma referência significativa para a cultura carioca, não apenas no que se refere à musica – abriga a escola de samba Império Serrano, fundada em 1947, e o tradicional Jongo do Morro da Serrinha –, mas, também, ao futebol. O antigo Madureira Atlético Clube, o “tricolor suburbano”, revelou grandes jogadores como Didi, Jair da Rosa Pinto, Evaristo, entre outros.

Hoje, Madureira destaca-se como um importante centro funcional dos subúrbios, com intensa área comercial nas ruas Carvalho de Souza, Carolina Machado e Estrada do Portela, destacando-se shoppings como o “Tem Tudo”, Polo 1, o Shopping São Luiz e o moderno Madureira Shopping Rio.

MAGALHÃES BASTOS

A área do bairro pertencia à freguesia de Irajá, em cujas terras ficava a Fazenda Sapopemba, de propriedade do Conde Sebastião de Pinho. No governo do presidente Afonso Pena, grande parte da fazenda foi desapropriada para os quartéis da Vila Militar, em cuja construção trabalhou o português Manoel Guina, mestre-de-obras, pioneiro na fundação do bairro.

Originalmente, o local era conhecido como “Fazenda das Mangueiras” e, depois, “Vila São José”. Com a inauguração do ramal ferroviário de Mangaratiba, em 1878, foi implantada a estação Coronel Magalhães Bastos, em homenagem a Antonio Leite de Magalhães Bastos Filho, comandante do primeiro batalhão de engenharia e que deu nome ao atual bairro. Junto à estação, inaugurada em 1914, foi construído viaduto interligando o final da avenida Duque de Caxias a estrada São Pedro de Alcântara.

O bairro se estende da avenida Brasil até a avenida Marechal Fontenele (antiga Estrada Real de Santa Cruz), na localidade de Mallet. Predominantemente residencial, sem núcleo comercial expressivo, o bairro situa-se entre Realengo e a Vila Militar. Destacam-se os quartéis nas estradas General Canrobert da Costa e São Pedro de Alcântara e as comunidades de Vila Brasil, Santo Expedido, Jabaquara, 14 de Julho, Vila Capelinha e parte da Vila São Miguel.

MANGUEIRA

As terras onde hoje está localizado o bairro da Mangueira pertenciam ao Visconde de Niterói e ficavam juntas ao Morro do Telégrafo, assim chamado pela inauguração, em 1852, do primeiro telégrafo aéreo do Brasil, próximo à Quinta da Boa Vista. Ali, foi instalada a Fábrica de Fernando Fraga que produzia chapéus e que passou a ser conhecida como “Fábrica das Mangueiras”, pela intensa produção de mangas na região.

A Fábrica acabou tornando-se “Fábrica de Chapéus Mangueira”. A Central do Brasil aproveitou a popularização do nome e batizou de Mangueira a estação de trem inaugurada em 1889. A vertente do Morro do Telégrafo, voltada para a ferrovia, também virou Morro da Mangueira. Com o Visconde de Niterói já morto, teve inicio a construção de barracões e casas para alugar nas encostas do morro, como as do português Tomás Martins. Com o desmonte de parte do Morro de Santo Antônio, nos anos da década de 1950, vários militares foram morar lá. Desta forma, surgiu na área uma comunidade de pessoas pobres e negros descendentes de escravos que, com o gradativo crescimento, deram origem às atuais favelas da Mangueira e suas vizinhas, Candelária e Telégrafo.

No governo de Carlos Lacerda, o Morro da Mangueira foi desapropriado, o que evitou qualquer tentativa de remoção dos moradores. A partir da década de 1920/30, o Morro se torna reduto de sambistas, culminando com o nascimento da popular agremiação carnavalesca Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, “a verde e rosa”.

MANGUINHOS

Como o próprio nome diz, tratava-se de uma grande região alagadiça situada entre o Caju, a praia Pequena de Benfica e as terras do Engenho da Pedra, prolongamento do antigo Saco de Inhaúma, na Baía de Guanabara, incluindo a ilha do Pinheiro e a ilha do Bom Jardim. A região era contornada pela estrada real de Santa Cruz (depois avenida Suburbana) e pela estrada da Penha (atual avenida dos Democráticos).

O litoral chegava junto ao morro do Amorim – nome dado por causa de João Dias Amorim, dono de uma grande carvoaria nas proximidades -, onde ficava a fazenda de Manguinhos. Nesse morro, no governo de Campos Sales, o Barão Pedro Afonso montou o Instituto Soroterápico Federal, em 25 de maio de 1900, com a função inicial de fabricar vacinas contra a peste bubônica. Em 12 de dezembro de 1907, passou a denominar-se Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos. Oswaldo Cruz, ao comandar o combate a epidemia de febre amarela, assumiu o seu controle, erguendo o palácio de Manguinhos como sede do instituto, um grandioso monumento em estilo neo-mourisco, projeto do arquiteto português Luis Morais. Em 19 de março de 1918, em homenagem ao grande cientista, médico e sanitarista, passou a ser denominado Instituto Oswaldo Cruz, atualmente Fundação Oswaldo Cruz (ou FIOCRUZ), considerada uma das mais importantes instituições de pesquisa e ensino do Brasil na área de saúde.

No seu entorno, aterros começaram a surgir. Existia um forno crematório da limpeza urbana demolido, defronte do qual seria instalado o Aeroclube de Manguinhos. Os pântanos em direção à praia Pequena seriam esgotados com a abertura do canal do Cunha, que reunia a foz dos rios Jacaré e Faria em uma mesma saída para a Baía de Guanabara. Com a inauguração da avenida Brasil, concluída em 1946, atravessando os aterros defronte a Manguinhos, nela seria implantada a “Manguinhos Refinaria”, em 14 de dezembro de 1954, com o nome de Refinaria de Petróleos de Manguinhos, um marco na história industrial brasileira, criada com capital totalmente nacional e montada por engenheiros e operários brasileiros no tempo recorde de 255 dias.

Na antiga Estrada de Ferro da Leopoldina, atual Supervia, existia a “Parada Amorim”, depois estação Carlos Chagas, sendo rebatizada como estação de Manguinhos, com acesso pela rua Leopoldo Bulhões, servindo às grandes comunidades próximas, destacando-se o chamado “Complexo de Manguinhos”. Nele ficam as Comunidades Vila Turismo (de 1951), CHP2 (de 1951), Parque João Goulart (junto ao rio Faria), Parque Carlos Chagas ou Varginha (1941) e Mandela de Pedra (1995). Também pode-se citar a Comunidade Parque Oswaldo Cruz ou do Amorim (1901) e os Conjuntos Habitacionais Nelson Mandela e Samora Machel, estes situados entre o rio Jacaré e o canal do Cunha.

O bairro de Manguinhos é ocupado pela grande área da Fundação Oswaldo Cruz, pela Refinaria de Manguinhos e pelo complexo de favelas e é servido pela avenida Brasil, Linha Amarela, ramal da Supervia, avenida dos Democráticos e rua Leopoldo Bulhões.

MARACANÃ

O bairro do Maracanã apresenta aspecto peculiar, uma vez que seu adensamento populacional, desenvolvimento urbano e processo de verticalização foram condicionados pelo leito do rio que dá origem ao seu nome (significando “rio do Papagaios” em indígena), o bairro que hoje tem como marco arquitetônico o maior estádio de futebol do mundo, o Estádio do Maracanã, construído em 1950 para a Copa do Mundo, na área do antigo Derby Clube.

No local da antiga favela do “Esqueleto”, removida na década de 1960, foi construído o “Campus” da atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Nele ficam as estações Maracanã da linha 2 do Metrô e Maracanã da Supervia.

Como vias principais destacam-se as avenidas Presidente Castelo Branco, Maracanã e a Rua São Francisco Xavier.

MARÉ

Toda a região da Maré era ocupada por pântanos e manguezais junto à orla da Baía de Guanabara e abrangia vários acidentes geográficos que desapareceram com os sucessivos aterros. O termo “Maré” tem origem no fenômeno natural que afligia os moradores das palafitas que ocuparam a região a partir da década de 1940.

Em 1982, é implementado o “Projeto Rio”, grande intervenção pública para reassentar os moradores das palafitas em conjuntos habitacionais. Tais conjuntos foram erguidos sobre aterros dos manguezais do antigo saco de Inhaúma e da Ilha do Pinheiro.

A mais antiga das comunidades que compõem o chamado “Complexo da Maré” localiza-se no Morro do Timbau, cuja ocupação se inicia em 1940. A expansão do Timbau surgiu sobre palafitas no manguezal contínuo ao morro, na localidade conhecida como Baixa do Sapateiro, datada de 1947.

Na década de 1950 surgiram as comunidades Parque Maré, uma expansão sobre palafitas da Baixa do Sapateiro, e Parque Roquete Pinto, uma série de aterros sobre um manguezal no final da Rua Ouricuri, junto à Baía. Na década de 1960, surgem as comunidades de Parque Rubens Vaz, Parque União, Parque Nova Holanda e Praia de Ramos.

Os principais conjuntos habitacionais do Complexo da Maré são Vila Do João (1982), Conjunto Esperança (1982), Vila Do Pinheiro (1983), Conjunto Pinheiro (1989), Conjunto Bento Ribeiro Dantas (1992), Conjunto Nova Maré (1996) e Salsa e Merengue (2000), oficialmente, denominada Novo Pinheiro.

MARECHAL HERMES

Fundado em 1913, o bairro de Marechal Hermes foi o primeiro no Brasil implantado como uma “Vila Proletária” e planejado para ser estritamente residencial, com direito à infra-estrutura de serviços públicos. Idealizado pelo então Presidente da República Marechal Hermes da Fonseca para suprir a carência de moradias populares, o projeto teve o tenente engenheiro Palmyro Serra Polcheira como responsável pelo desenho e execução da planta.

Com o término do governo do Mal. Hermes, em 1914, o projeto, combatido pela sociedade, foi abandonado e, dos 1350 imóveis previstos, somente 165 foram construídos. Surgiram então moradias simples, erguidas pelo operariado, na área que ficou conhecida como ”Portugal Pequeno”, devido à predominância de portugueses.

As ruas largas e arborizadas foram abertas em torno da Praça Montese, defronte à estação Marechal Hermes da Estrada de Ferro Central do Brasil, inaugurada em 1913. O prédio da estação – hoje tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico – foi influenciado pelo modelo das ferrovias inglesas e é feito de tijolo maciço, com telhas francesas, quatro fachadas, amplas coberturas, detalhes em azulejos e arcos de ferro fundido.

Na década de 1930, o presidente Getúlio Vargas retomou as obras no bairro e realizou grande intervenção no projeto original, construindo blocos de apartamentos e modificando a nomenclatura das ruas para homenagear militares.

Na avenida Gal. Osvaldo Cordeiro de Farias, fica o hospital estadual Carlos Chagas, construído em 1934 e um dos mais antigos da Cidade. Destaca-se ainda no bairro o teatro Armando Gonzaga, projeto de Afonso Eduardo Reidy, com auditório para 300 pessoas. O teatro, inaugurado em 19 de abril de 1954 pelo prefeito do então Distrito Federal, Dulcídio do Espírito Santo Cardoso, ocupa um quarteirão inteiro e é dedicado a abrigar espetáculos para o público local.

MARIA DA GRAÇA

Na região, ficava a Fazenda Maria da Graça, da família Cardoso Martins. Foi adquirida, mais tarde, pela Companhia Imobiliária Nacional que, em 1934, fez o arruamento e loteamento do bairro “Jardim Maria da Graça”, entre a rua Miguel Ângelo, a avenida Suburbana, a Linha Auxiliar e o bairro de Del Castilho.

A antiga Fábrica Cruzeiro de fósforos, deu lugar à “General Electric – GE”, de equipamentos elétricos. A área faz limite com a favela do Jacarezinho.

A estação Dr. Cesário Machado, depois Maria da Graça, na Linha Auxiliar foi inaugurada em 1928, e está desativada. Com a construção da linha 2 do Metrô, Maria da Graça ganhou uma estação.

MÉIER

As terras do atual bairro do Méier faziam parte do Engenho Novo dos Jesuítas, que abrigava, no início do século XIX, a extensa “Quinta dos Duques”, de José Paulo da Mata Duque Estrada e Dulce de Castro Azambuja. A filha do casal, Jerônima Duque Estrada, casou-se com o “guarda roupas do Paço”, Comendador Miguel João Meyer, descendente de alemães, e tiveram nove filhos. O primogênito, Augusto Duque Estrada Meyer, se destacou como acompanhante do Imperador Dom Pedro II, recebendo o título de “Camarista” e extensas terras abrangendo desde a Estrada Grande (atual Dias da Cruz) até a Serra dos Pretos Forros, em cujo sopé ficava a sede de sua Fazenda São Francisco (no final da atual Rua Camarista Méier).

O Camarista Meyer abriu várias ruas em suas propriedades, dando a elas nomes de seus familiares –Carolina Meyer, Frederico Meyer, Joaquim Meyer etc – e formando o novo bairro, já então conhecido como Meyer. Em 1879, por iniciativa de Lucídio Lago, a Companhia Ferro-Carril, com tração animal, cruzou o Meyer. Somente em 1907 chegaria a tração elétrica, com a linha Engenho de Dentro – Largo de São Francisco.

Em 13 de maio de 1889, foi inaugurada, na Estrada de Ferro Dom Pedro II (Central do Brasil), a Estação do Meyer, devido ao aumento da população e dos loteamentos recém abertos. O bairro crescia de forma precária – chegou a sofrer duas epidemias de cólera – e, com o tempo, seu nome foi aportuguesado para “Méier”. À medida que era saneado, mais moradores chegavam, de tal maneira que as autoridades o elevaram a 18° Distrito da Cidade do Rio de Janeiro. Daí para frente progrediu rapidamente e vários estabelecimentos surgiram.

O comércio deu vida própria ao Méier com grandes lojas, casas tradicionais e magazines. A Rua Dias da Cruz tornou-se o principal eixo do bairro que, com a abertura do Shopping Center do Méier, consolidou-se como importante centro dos subúrbios adjacentes, abrigando o Hospital Salgado Filho, o Colégio Metropolitano, a Biblioteca Municipal Agripino Grieco, o Sport Clube Mackenzie, a Igreja Batista do Méier, a Igreja Sagrado Coração de Jesus, a União Espírita Suburbana e o “Baixo Méier”, local de concentração de bares com intenso movimento noturno.

MONERÓ

Originalmente, suas terras pertenciam ao fazendeiro italiano Francisco Moneró e o bairro surgiu com o loteamento Jardim Ipitanga, em 1955, ocupando área de 100.000 m2. Estendendo-se entre a praia do Dendê e a estrada de Tubiacanga (atual Governador Chagas Freitas), resultou em 15 ruas, como a Adolfo Porto, Domingos Secreto, Alteia, avenida do Magistério, Franco Job, Bardana, Princesa, o prolongamento da estrada do Dendê, entre outras.

Inicialmente denominado Jardim Ipitanga, em referência ao seu antigo proprietário, os moradores só o chamavam de “Moneró”, nome que acabou prevalecendo quando da oficialização do bairro pelo Decreto 3158, de julho de 1981. No dia 25 de dezembro de 1976, a Prefeitura do Rio inaugurou a Praça Papai Noel, uma área de 2.000 m2 equipada com “play ground”, bancos, mesas para jogos e canteiros.

Na década de 1980, foi criado o corredor esportivo, na orla da avenida de Magistério, ao longo da praia do Dendê, com quiosques, quadras polivalentes, calçadão para caminhadas e passeios de bicicleta, com o belo panorama da Baia de Guanabara e Serra dos Órgãos ao fundo. Em 2002 seria ampliado, com novas quadras esportivas, pista de “skate”, anfiteatro, bicicletários, aparelhos de ginástica, continuação da pista de caminhadas, tornando-se uma das maiores áreas de lazer da Ilha do Governador.

Predominantemente residencial, o Moneró é considerado um dos melhores bairros em todo o Rio de Janeiro, em função de sua diversificação urbana e infra-estrutura. Fica próximo ao Ilha Plaza Shopping, inaugurado em 1992 na avenida Maestro Paulo e Silva, no bairro vizinho do Jardim Carioca. Na praia da Rosa, junto a remanescentes de manguezais, o Governador Iate Clube, implantado em uma ilha, oferece esportes náuticos, academia de ginástica, eventos diversos e torneios de futebol, sua fundação foi no ano de 1958.

OLARIA

Duas famílias foram pioneiras em Olaria: a dos Rego e a dos Nunes. Em 1820, Francisco José Pereira Rego comprou terras entre o Caminho da Matriz (Itararé) até o Morro da Penha. Ali, a família Rego viria a instalar várias olarias, aproveitando terrenos de barro vermelho, para atender a vizinhança. Outras fábricas de tijolos surgiram fazendo com que o local ficasse conhecido como “a Região das Olarias”.

Por volta de 1900, eram grandes proprietários na região João Gualberto Nabor do Rego (o Noca), o Barão de Monte Castelo, o Visconde de Morais, Luiz Pacheco e Custódio Nunes. Noca Rego abriu várias ruas com nomes de sua família, como a Leopoldina Rego, Antonio Rego, entre outras. Já Custódio Nunes conseguiu permissão da Prefeitura, em 1892, para um abatedouro de bois que, em sociedade com Quincas Leandro, daria origem ao Matadouro da Penha (1910), cujo campo de boiada era chamado de “Invernada de Olaria”. Custódio Nunes abriu também diversas ruas: Filomena Nunes, Dr. Nunes, Carlina, etc. Somente em 1917, a Estação Olaria (atual Pedro Ernesto) foi inaugurada, na Estrada de Ferro da Leopoldina. Em 1915, surgiu o Olaria Football Club – depois Olaria Atlético Clube -, cujo estádio foi concluído em 1947, na Rua Bariri.

OSWALDO CRUZ

A área do atual bairro de Oswaldo Cruz fazia parte da Fazenda do Campinho, atravessada pelo rio das Pedras, até as serras do Engenho do Portela. Com a implantação da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, foi fundada, em 1898, a estação de Rio das Pedras, atual Oswaldo Cruz, em homenagem ao grande médico sanitarista que erradicou a febre amarela no Rio de Janeiro e implantou o Instituto em Manguinhos.

O bairro cresceu ao longo das ruas João Vicente e Carolina Machado, com casario simples, comércio local modesto e vielas que só seriam reconhecidas como logradouros em 1917. Até a década de 1960 o trem e o lotação eram o principal meio de transporte da população local. Na década de 1970 surgiram os conjuntos habitacionais: o conjunto Oswaldo Cruz (conhecido como COHAB) e o conjunto Nelson Pereira dos Santos.

A tradição do bairro está ligada ao samba, à Escola de Samba Portela e aos seus grandes compositores.

A Portela foi fundada em 1923, a partir da união dos blocos “Baianinhas de Oswaldo Cruz” e “Quem Fala de Nós Come Mosca”, depois “Quem Faz é o Capricho” e “Vai Como Pode”, até, em 1935, se tornar o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela. Com quadra localizada na rua Clara Nunes, a Portela é a escola recordista de títulos do carnaval carioca, totalizando 21 vitórias.

Destaca-se na história do bairro e do samba carioca a personalidade de Paulo Benjamim de Oliveira, o mestre Paulo da Portela (1901-1949), amigo de Cartola e de Heitor dos Prazeres. “Cidadão samba” em 1937, compositor de sucesso, Paulo da Portela é homenageado na praça que leva o seu nome e na estátua erguida em 1956 por Pedro Faria. Próxima fica a “Portelinha”, a primeira sede da escola de samba Portela, época em que Oswaldo Cruz já era famoso reduto do samba, vocação mantida até os dias de hoje, com pares promovendo “rodas de samba” e pagodes.

PACIÊNCIA

Deve seu nome ao Engenho da Paciência, de João Francisco da Silva, a mais antiga e importante fazenda de cana existente no Brasil. Ficava na Estrada Real de Santa Cruz, onde, no início do século XIX, se hospedavam príncipes e nobres, nas excursões à Fazenda Real.

Mais tarde, com o advento da linha férrea, foi inaugurada, em 1897 a estação de Paciência. Sua urbanização começou na década de 1950/1960, com o surgimento de grandes loteamentos, como o Jardim Sete de Abril, a Vila Geni, o Jardim Vitória, dentre outros. Na Avenida Brasil, foi implantado o bairro Jardim Palmares e o Distrito Industrial de Palmares, na divisa com Campo Grande. Posteriormente, cresceram comunidades como as de Três Pontes, Divinéia, Roberto Moreno e Nova Jérsei. O núcleo principal do bairro, atravessado pelo rio Cação Vermelho, está situado entre a Serra da Paciência e o Morro de Santa Eugênia.

PADRE MIGUEL

O nome do bairro homenageia o Padre e Monsenhor Miguel de Santa Maria Mochon, espanhol da Andaluzia, vigário de Realengo. Nascido em 1879, Padre Miguel foi o reformador da Igreja Nossa Senhora da Conceição e o criador da primeira Escola Regular da Região, estendendo suas viagens de catequização aos engenhos de N. Sra. da Conceição da Pavuna e do Botafogo, pelo chamado “Caminho do Padre”.

Padre Miguel, além de incentivar o teatro amador, foi o segundo personagem da Cidade do Rio de Janeiro a exibir filmes de curta duração – sua casa paroquial transformou-se em sala de projeção e cinema de referência local. Esse notável personagem veio a falecer no ano de 1947, e seus restos mortais estão, desde 1957, no cemitério do Murundu (DE MYRO-ND-HUÚ, “Lôdo Revolto”), o único da região entre Realengo e Senador Camará.

A história de Padre Miguel coincide com as dos bairros vizinhos Realengo e Bangu. Parte de suas terras pertenciam aos latifúndios dos herdeiros da família Barata, o tenente João e o Alferes Sebastião Barata, que obtiveram vastas sesmarias até o sopé do Maciço de Gericinó. A fazenda da Água Branca, desmembrada, deu origem a loteamentos, atravessados pela avenida Brasil.

Com a implantação da linha férrea do ramal de Mangaratiba, foi inaugurada, em 06 de abril de 1940, a estação de “Moça Bonita”, assim chamada por ali próximo ter morado uma moça encantadora que chamava a atenção dos cadetes da Escola de Realengo que, em dias de folga, passavam no local “para ver a Moça Bonita”.

Em 1947, com a morte do Padre Miguel, a estação recebeu o seu nome. Atualmente é denominada estação Mocidade Padre Miguel, face a importância do Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, criada em 10 de novembro de 1955, com as cores verde e branca. A primeira apresentação da Mocidade, restrita às ruas da região, aconteceu no Carnaval de 1956. A partir de 1959, sua bateria, ao apresentar a tradicional “paradinha” desenvolvida com desenvoltura por Mestre André, se transformou em uma das grandes atrações do Carnaval Carioca. Em 1979, a escola conquistaria seu primeiro título de Campeã do Grupo 1 com o enredo “Descobrimento do Brasil”. Sua quadra fica próxima ao viaduto de Padre Miguel, construído na década de 1990, e à comunidade Vila do Vintém – também conhecida como comunidade Moça Bonita – originalmente uma área vazia, pantanosa e com matagal, cujo início de ocupação ocorreu por volta de 1920.

PAQUETÁ

Paquetá, a “Ilha dos Amores”, foi descoberta por André Thevet, cartógrafo de Villegagnon, no dia 18/12/1556, na invasão francesa no Rio de Janeiro. Paquetá, nome dado pelos Tamoios, vem de Pac (paca) + eta (muitas), significando “lugar de muitas pacas”. Nas águas da Ilha, os portugueses e os Temininós, grupo de Araribóia, sob o comando de Belchior de Azeredo, derrotaram, em 1566, os Tamoios na longa da Batalha de Canoas. Fernão Valdez, nesse mesmo ano, a escolheu como sesmaria, que dividiu com Inácio de Bulhões.

Em 1697, Paquetá já dispunha da Capela de São Roque, do Padre Manuel Espinha e, em 1758, da Capela de Bom Jesus do Monte, erguida por Manuel Cardoso Ramos que mais tarde se constituíram em freguesias e rivais. A Freguesia de Paquetá foi criada por provisão de 1769, fazendo parte das Vilas de Magé e São Gonçalo. Por decreto, de 1833, a freguesia foi desmembrada, fazendo parte do Município da Corte (Rio). Dom João VI sempre visitava a Ilha e se hospeda na casa do Oficial de Milícias Francisco Gonçalves da Fonseca, depois transformada no museu Solar D”El-Rey. Em Paquetá moraram, entre outros, José Bonifácio, colocado em prisão domiciliar, o Marquês de Tamandaré, o Comendador Lage e a Marquesa de Jacarepaguá e o pintor, escultor e paisagista Pedro Bruno.

São da autoria deste último: o planejamento artístico e paisagístico do Cemitério de Paquetá, que transformou em verdadeiro jardim e onde plantou uma série de espécimes de plantas nativas e esculpiu diversas obras de arte, elaborou o projeto e executou o Parque dos Tamoios, com seus jardins e caramanchões, a Capela do Cemitério e muitas outras obras. A Ilha também serviu de inspiração ao romancista Joaquim Manuel de Macedo, que escreveu a “Moreninha”, tendo como cenário a “Pedra da Moreninha”. Durante a Revolta da Armada, em 1893, a Ilha foi ocupada durante 6 meses pelos marinheiros sublevados.

De 1908 a 1912 foi instalada a rede de esgoto pela companhia inglesa City Improviments, hoje, uma companhia, a CEDAE. Atualmente, o esgoto é lançado por emissário submarino. Em 1877, foi criada linha regular de barcas, ligando Paquetá à Praça XV, pelo Comendador Antonio Lage e, em 1889, sua concessão passou para a Companhia Cantareira e Viação Fluminense, mais tarde STBG, CONERJ, atualmente, privatizada (Barcas S.A.).

Paquetá é residencial, sendo proibido o tráfego de veículos particulares motorizados. A circulação interna é feita a pé, em bicicletas, charretes e trenzinho turístico. Durante o governo do Prefeito Marcos Tamoio (1975/79), foram feitos o aterro da Praia da Moreninha e os Parques da Moreninha e Darke de Matos.

PARADA DE LUCAS

O nome se refere a José Lucas de Almeida, um próspero agricultor, com lavoura entre Cordovil e Vigário Geral, que morreu aos 94 anos de idade. Nas suas terras, quando da implantação da Estrada de Ferro Leopoldina (antiga Estrada de Ferro Norte), José Lucas doou local para uma parada de trens, que, em 1949, tornou-se a estação Parada de Lucas.

Naquela época, só existia um lugar onde obter água potável: eram as “três bicas”, e os moradores atravessavam a avenida Brasil para utilizá-las.

No governo Washington Luiz, o bairro foi cruzado pela antiga estrada Rio-Petrópolis, correspondendo à atual rua Bulhões Marcial. Ao longo da Avenida Brasil, construída em 1946, foram instaladas indústrias, como o Parque Gráfico da antiga Editora Bloch, e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No bairro de Parada de Lucas fica a Paróquia de São Sebastião de Parada de Lucas, originada de uma capelinha de madeira erguida em 1937 e que seria substituída, em 1940, por uma capela de alvenaria, que teve, mais tarde, em 1958, o acréscimo de uma Torre do Campanário.

A principal agremiação carnavalesca é o GRES Unidos de Lucas, resultante da fusão das Escolas de Samba “Aprendizes de Lucas” e “Unidos da Capela” (Campeã em 1950 e 1960), ocorrida em 1966, sendo chamada de “A Galo de Ouro da Leopoldina”.

Entre a linha férrea, a avenida Brasil e a Área Militar da Marinha, fica a grande comunidade do Parque Jardim Beira Mar, Parada de Lucas ou Conjunto Rádio Nacional, cuja ocupação começou em 1931 com a chegada de pessoas que moravam no morro da Caixa D’Água. A expansão se deu em 1965, com a chegada de moradores do “Morro da Titica” (atual Cidade Alta) além das pessoas afetadas pelas remoções das favelas da zona sul, o que contribuiu para a ampliação da comunidade, que aproveitava o despejo de entulhos de obras para aterrarem os alagadiços vizinhos, construindo novas moradias.

PARQUE ANCHIETA

Parque Anchieta é um desmembramento do bairro de Anchieta que tem como origem loteamento de 1969 (PAL 28576) compreendendo 1639 lotes, 27 ruas e 4 praças. Os logradouros receberam denominações pelo decreto 316, de 20 de fevereiro de 1976.

Predominantemente residencial, Parque Anchieta faz limites com o município de Nilópolis (do outro lado do rio Pavuna) e com a área militar do campo de Gericinó. Abrange a área do morro São Bernardo, a Praça Granito e adjacências, até a avenida Marechal Alencastro. Seu acesso principal é a estrada do Engenho Novo (antigo caminho do Engenho Novo da Piedade).

PARQUE COLÚMBIA

Os primeiros moradores se fixaram na região em 1950. A urbanização era precária, havia muitos coqueiros e matagais, e a rua Embaú, principal via, não era pavimentada. A pesca no rio Acari era a atividade predominante das famílias locais.

Em 1956 surgiu um Projeto de Arruamento e Loteamento Misto, Proletário e Industrial, a 229 metros da rodovia Presidente Dutra, entre o rio Acari e a rua Embaú, resultando em 7 ruas. O projeto foi implantado na propriedade da empresa “Ferrometais Colombo Comércio e Indústria S.A., daí o nome “Parque Colúmbia”. Posteriormente, em 1960, outro projeto de loteamento popular (PAL 23173) no lado ímpar da rua Embaú, na propriedade da empresa “Mercúrio Engenharia Urbanização e Comércio Ltda”, deu origem a 7 ruas e à Praça Somália.

O bairro de Parque Colúmbia é, em sua maior parte, residencial, com indústrias e depósitos de lojas de departamentos na rua Embaú e na rodovia Presidente Dutra.

PAVUNA

Vem do indígena PABUNA ou YPABUNA – “lugar ou região escura, sombria, tudo negro” -, que deu nome ao rio de 14 Km de curso que separa o Município do Rio dos municípios da Baixada Fluminense e à localidade que deu origem ao atual bairro. No século XVI, os franceses registravam aldeias de índios Tupis em seus mapas, e uma delas, a aldeia de “UPABUNA”, estaria às margens do referido rio Pavuna. Nessa região se instalaram engenhos de produção de açúcar e registra-se a existência, no século XVIII, da fazenda Nossa Senhora da Conceição da Pavuna, pertencente à família Tavares Guerra, cuja capela data de 1788.

No final do reinado de Dom Pedro I, foi construído o canal da Pavuna, por influência do ministro José Inácio Burles, sendo encarregados da obra o visconde de Jurumirim e o major João Antonio de Vasconcelos Rangel. Esse canal permitiu melhor navegabilidade até a Baía de Guanabara, via rio Meriti, e contribuiu também para o saneamento da região, evitando epidemias de febre amarela.

Em 1833, a Pavuna se localizava dividida pelo rio de mesmo nome, cada lado pertencendo a uma freguesia da cidade: a do lado sul, à freguesia Irajá, e a da lado norte, à freguesia de São João de Meriti. Houve na época uma disputa com Nova Iguaçu, que requeria as terras de ambas as margens do rio Pavuna, mas o Rio de Janeiro ganhou, fixando-se então o limite no divisor histórico das freguesias, o referido Rio Pavuna.

Nas terras do antigo Engenho N. Sra. da Conceição, entre as décadas de 1940 e 1950, foi feito o loteamento da “Vila Dom Pedro II”, resultando nas atuais ruas Mercúrio, Apolo, Catão, Juno, dentre outras, e gerando o núcleo urbano da Pavuna. Na década de 1930 já tinha sido implantado o loteamento do lado oeste da ferrovia, com as ruas Comendador Guerra, Judite Guerra, Albertina Guerra, a praça N. Sra. das Dores etc.

O acesso original da Pavuna era o caminho ou estrada da Pavuna, depois transformada na avenida Automóvel Clube (atual Pastor Martin Luther King Jr.). Ligava-se à Anchieta pelo caminho do Engenho Velho, depois rio do Pau, atual avenida Crisóstomo Pimentel de Oliveira. Com a inauguração da rodovia Presidente Dutra, em 1951, ganhou área industrial ao longo da rodovia, limitada pela avenida Coronel Phidias Távora e a “Linha Verde”.

Na década de 1970, grande conjunto habitacional foi erguido entre a avenida Automóvel Clube, o morro da Conceição e a rua Herculano Pinheiro, denominado de “Nova Pavuna”. Posteriormente, foi implantado o conjunto “Vilage Pavuna”, abrangendo área entre a linha auxiliar e a rua Coronel Moreira César.

Com a abertura da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, depois Linha Auxiliar, foi inaugurada a estação da Pavuna, em 1910, fazendo parte de um “Ramal Circular” que incluía Thomasinho, São Mateus e São João de Meriti. Com a extinção desse ramal, em 1949, foi construída a nova estação, localizada no ramal que ligava os trens metropolitanos de Dom Pedro II a Belford Roxo.

No antigo leito da Estrada de Ferro Rio D’Ouro, a Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro-Metrô, implantou a sua Linha 2, onde foi implantada a estação da Pavuna, inaugurada em 31 de agosto de 1998, o que facilitou o acesso dos moradores da Baixada ao Centro e à Zona Sul do Rio de Janeiro. Também faz parte da Linha 2 a estação Engenheiro Rubens Paiva, inaugurada em 24 de setembro de 1998, próxima aos conjuntos habitacionais Rubens Paiva e Presidente Medici.

O Centro Comercial da Pavuna é interligado com o vizinho de São João de Meriti, no eixo da avenida Pastor Martin Luther King Jr. (Automóvel Clube). Predominam no bairro as áreas residenciais, destacando-se comunidades como a Final Feliz e Bairro da Pedreira (limite em Costa Barros). Entre a Linha Verde, a rodovia Presidente Dutra e o canal da Pavuna, fica a Zona Industrial da Pavuna.

PECHINCHA

No antigo caminho da Freguesia (atual avenida Geremário Dantas), no encontro das estradas do Tindiba e do Pau Ferro, surgiu, no início do século XX, uma localidade cujo nome popular era “Pechincha”. A denominação se referia a um mercado no qual se vendiam os produtos dos sitiantes da região, por um negociante “Pechincheiro”, que, por seus baixos preços, concorria com o comércio da Freguesia e Taquara. Em 1885, seus moradores passaram a ser sepultados em um cemitério novo, sob a invocação do Bom Jesus dos Perdões, com acesso pelo Caminho de Cima (atual rua Benevente), o atual Cemitério de Jacarepaguá.

Por iniciativa de Leopoldo Fróes, foi fundada, em 19 de agosto de 1918, a “Casa dos Artistas”. Logo após foi doado um grande terreno na rua Campos das Flores (atual rua Retiro dos Artistas), onde, em 1919, foi instalado o Retiro dos Artistas. Notabilizando-se pela defesa dos interesses da classe artística, a Casa recebeu, em 1931, no governo Getúlio Vargas, sua Carta Sindical, tornando-se o representante oficial dos artistas. Nela fica o Teatro Iracema de Alencar e são realizadas festas e eventos em prol da classe artística, além de servir de residência para os mais idosos. Nesses anos de atuação, a Casa escreveu uma expressiva história artística, social e assistencial, sendo considerada uma instituição de caráter único do Brasil.

Destacam-se no bairro o Educandário São José das Servas de Maria, localizado na estrada do Capenha, o Colégio Nossa Senhora Rainha dos Corações, na avenida Geremário Dantas, o Colégio Cruzeiro e a Sociedade Beneficiente Retiro Humboldt, na rua Edgar Werneck.

O Pechincha possui expressiva área verde na rua Retiro dos Artistas e na antiga Sede Campestre José Duarte Dias, onde está sendo construído grande condomínio residencial que inclui um parque e um clube: o empreendimento “Mirante Campestre”.

O bairro é predominantemente residencial, com comércio concentrado no Largo do Pechincha. Além das vilas e condomínios fechados ao longo das ruas Retiro dos Artistas e Professor Henrique Costa, o bairro abriga as comunidades Paço do Lumiar, Vila Nossa Senhora da Paz e Santa Isabel. Sua elevação principal é o morro do Barro Vermelho (176 metros), no limite com o bairro do Tanque.

PEDRA DE GUARATIBA

Sua denominação teve origem na partilha das terras da região de Guaratiba entre os herdeiros de seu primeiro donatário, Manoel Velloso Espinha. Com a sua morte, seus dois filhos Jerônimo Velloso Cubas e Manoel Espinha Filho herdaram a freguesia de Guaratiba. Através de mútuo entendimento, dividiram entre eles as terras herdadas do pai, ficando Jerônimo com a parte norte e Manoel com a leste, tendo o rio Piraquê como marco divisório.

Jerônimo Velloso Cubas construiu em seus domínios, em 1628, a Ermida, depois Capela, de Nossa Senhora do Desterro. Ainda existente, a capela situa-se em pequena elevação defronte à Baía de Sepetiba e é tombada pelo Patrimônio da União. Jerônimo não tinha herdeiros e, de acordo com a lei, foi forçado a doar sua parte à “Província Carmelitana Fluminense”, uma Congregação Religiosa da Ordem do Carmo, que ali construiu benfeitorias, destacando-se um engenho com extenso canavial, produtor de açúcar e rapadura. Nessa área, surgiria a fazenda da Pedra, com sua Capela de Sant’ana, que daria origem mais tarde ao núcleo urbano de Pedra de Guaratiba, com acesso pelas estradas da Pedra, da Matriz e do Catruz. O bonde chegaria à localidade pela rua Belchior da Fonseca, com terminal na Praça da Colônia (atual Vila Formosa).

Existem fontes que citam Pedra de Guaratiba como um importante centro exportador de ouro das Minas Gerais no século XVII. Atualmente, o bairro é uma tradicional vila de pescadores, bucólica, com sua bela paisagem da Baía de Sepetiba emoldurando o casario simples e o contínuo movimento de barcos pesqueiros. Nos seus tradicionais restaurantes, é servido excelente pescado, destacando-se os restaurantes Amendoeira e Candido’s, entre outros.

Pedra de Guaratiba possui as praias da Ponta Grossa, da Venda Grande, da Pedra de Guaratiba e da Capela, todas com águas lodosas, escuras, impróprias para banho de mar. Recentemente, foram construídos decks de madeira em sua orla para contemplação da Baía de Sepetiba.

Em Pedra de Guaratiba ficam a Igreja São Pedro, o Pedra Esporte Clube, o Abrigo Evangélico da Pedra e o Morro do Silvério (97 mts), principal elevação do bairro, considerado Área de Preservação Ambiental (APA) pela Lei Municipal 2836/99.

PENHA

A primeira capela em louvor a Nossa Senhora da Penha foi erguida em Vila Velha, antiga capitania do Espírito Santo, entre 1558 e 1570. A segunda surgiu no Rio de Janeiro após a fundação da Fazenda de Nossa Senhora da Ajuda, propriedade do Capitão português Baltazar de Abreu Cardoso, na freguesia de Irajá.

Por volta do ano de 1635, o Capitão Baltazar, ao ser atacado por uma cobra, pediu auxilio à Nossa Senhora. Agradecido por ter se livrado do perigo, Baltazar construiu uma pequena capela onde colocou uma imagem de Nossa Senhora. Se antes o Capitão Baltazar subia o penhasco para ver as suas plantações, a partir daí, passou a subir, também, para agradecer e rezar. Logo, pessoas que, à distância, viam a pequena capela, passaram a subir a Grande Pedra – origem da palavra Penha – para pedir e agradecer graças alcançadas.

A devoção a Nossa Senhora da Penha foi se espalhando e cada vez era maior o número de pessoas que visitavam o lugar.O capitão Baltazar doou todas as suas propriedades à Nossa Senhora da Penha. Para administrar o patrimônio foi criada, em 1728, a Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Penha que demoliu a primeira capela e construiu, outra, maior, no seu lugar, com uma torre com dois pequenos sinos. Em 1870, a capela foi substituída por um novo templo: uma igreja com uma torre e novos sinos.

Em 1900, houve uma nova intervenção: foram construídas duas novas torres, que mais tarde, em 1925, receberam um carrilhão, com 25 sinos, de origem portuguesa, adquiridos na Exposição Nacional do 1º Centenário da Independência do Brasil. O acesso ao templo é feito por uma escadaria, talhada na pedra, com 382 degraus, que vencem 111 metros de altura. Com a chegada, em 1886, da Estrada de Ferro do Norte, mais tarde Estrada de Ferro Leopoldina, foi criada, na região, a Estação da Penha. E logo no início do século XX, foi implantado o bonde elétrico. O trem e o bonde ajudaram o crescimento do Bairro.

A região praieira da Penha, próxima aos mangues do Saco do Viegas, era chamada de “MARIANGU”, nome indígena de uma ave abundante no litoral da Baía de Guanabara. Nela surgiu o Porto de “Maria Angu”, do qual partiam embarcações para o centro do Rio de Janeiro colonial.

No início do século XX, o Prefeito Pereira Passos instalou no Porto de “Maria Angu”, uma ponte para as barcas da Cantareira atracarem, ligando a Penha à Praça XV, com conexão para a Ilha do Governador. Os grandes aterros que ocorreram nesta área fizeram desaparecer toda a sua orla marítima. No lugar, foi aberta a avenida Brasil e o atual Complexo da Marinha.

PENHA CIRCULAR

As origens do bairro coincidem com a história do bairro da Penha. Seu nome vem da existência, no início da década de 1930, de uma linha circular destinada a permitir o retorno dos trens de subúrbios que vinham de Barão de Mauá. A linha circular da Penha foi desativada na década de 1940, sendo construída a estação de Penha Circular, que deu nome ao bairro.

Situada entre os bairros da Penha e Brás de Pina, a Penha Circular abrange todo o arruamento entre a linha férrea e a avenida Brasil. Também está lá o Mercado São Sebastião, inaugurado em 1960, que abriga a Bolsa de Gêneros Alimentícios e mais galpões, lojas, empresas importadoras, distribuídas em ruas que levam o nome de Alho, Feijão, Soja, Arroz, etc.

PIEDADE

A ocupação da região começou ao longo da estrada Real de Santa Cruz, depois Suburbana (atual Av. Dom Hélder Câmara). Seus proprietários mais importantes foram Curvelo Cavalcanti e o Coronel Antonio Botafogo.

Em 1873, com a Estrada de Ferro Dom Pedro II já implantada, existia na região a parada “Gambá” ou estação “Gambá”, nome dado, segundo se conta, em função do Imperador Dom Pedro II ter ali visto vários gambás. Diz a versão popular que a esposa de Assis Carneiro – leiloeiro dono de chácara junto à área montanhosa da Serra dos Pretos Forros – pediu ao Diretor da Estrada de Ferro: “Por Piedade, Dr., mude o nome de nossa estaçãozinha”. O apelo deu certo, pois o diretor respondeu: “Perfeitamente minha senhora, ela se chamará Piedade”, daí se originando o nome da atual estação e do próprio bairro.

Da estrada Real de Santa Cruz partia a estrada do Inácio Dias, que, atravessando Piedade, cruzava o colo entre a Serra dos Pretos Forros e o morro do Inácio Dias, fazendo a ligação com Jacarepaguá. Mais tarde essa estrada seria aproveitada pela inacabada estrada da Covanca, na década de 1920.

Fato histórico marcante foi o assassinato do famoso escritor Euclides da Cunha, em 1909, na Estrada Real nº 214, pelo Capitão Dilermando, morador de Piedade.

Piedade foi o primeiro bairro do subúrbio carioca a ter energia elétrica, em 1905, juntamente com o bairro do Encantado. No decorrer dos anos progrediu, destacando-se a existência do River Futebol Clube (1914), da Fábrica de Refino de Açúcar (1927), do Várzea Country Clube (com reserva florestal) e da Universidade Gama Filho, cuja história começou em 1939, quando o ministro Luiz Gama Filho criou o Ginásio Piedade. Atualmente, a Universidade Gama Filho é uma importante instituição do ensino superior do estado, contando com o campus Gonzaga da Gama Filho e o colégio Gama Filho.

O bairro é predominantemente residencial, com comércio reduzido. Nas suas encostas situam-se as comunidades do Jardim Piedade (Caixa D’ Água), Morro do Dezoito, dos Marianos e Engenheiro Alfredo Gonçalves.

PILARES

A área do bairro de Pilares fazia parte da freguesia de São Tiago de Inhaúma, criada pelo Padre Custódio Coelho. Nela foram instaladas duas grandes fazendas: a Quinta de Sant’ana e a do Capão, esta última pertencente ao Bispo José Joaquim Justiniano Castelo Branco e a primeira a João Barbosa Sá Freire. O Bispo Castelo Branco tornou-se proprietário das duas fazendas, doando-as posteriormente a parentes. Em 1873, as fazendas pertenciam a Francisca Carolina de Mendonça Zieze e seu genro Gaspar Augusto Nascente Zieze, doadores do terreno no qual a Irmandade de São Benedito dos Pilares levantaria a sua capela, remodelada mais tarde pelo Padre José Corrêa.

Existem duas versões para o nome do bairro. Na primeira, o nome derivaria da “Venda dos Pilares”, devido a adornos de pedra destacados na edificação. Na segunda, o nome viria do largo do bairro, uma das paradas da Estrada Real de Santa Cruz (depois avenida Suburbana e, hoje, Av. Dom Hélder Câmara), onde havia pequenos pilares rodeando uma fonte d’água que serviam para amarrar cavalos. No Largo dos Pilares ocorria o entroncamento de três vias importantes para o escoamento de mercadorias: a Estrada Real de Santa Cruz, a estrada nova da Pavuna (atual avenida João Ribeiro) e parte da estrada do Porto de Inhaúma ou Caminho dos Pilares (atual rua Álvaro Miranda).

Os rios Faria e Faleiro cortam o bairro, e, entre eles, surgiriam os primeiros arruamentos: ruas Francisca Zieze, Glaziou, Gaspar, Francisca Vidal, Jacinto Rebelo, Casimiro de Abreu, entre outras.

Com a implantação Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, depois Linha Auxiliar, foi inaugurada, em 1898, a estação Cintra Vidal, em homenagem ao professor Cintra Vidal, dono do primeiro colégio de toda essa região. Atualmente, a estação recebe a denominação de Cintra Vidal – Pilares e integra a Supervia. Havia, mais adiante, a estação Terra Nova – que dava nome a um trecho do bairro de Pilares -, inaugurada em 1905 e desativada na década de 1970, com acesso pela rua Luis de Castro.

Em 1965, no governo Carlos Lacerda, foi inaugurado o Viaduto Cristóvão Colombo sobre a linha auxiliar, próximo a Cintra Vidal, ligando Pilares a Inhaúma. Em 1997, com a inauguração da Via Expressa “Linha Amarela” em elevado sobre a rua José dos Reis, o bairro de Pilares passou a ter acesso direto à avenida Brasil e à Barra da Tijuca.

O comércio se concentra no Largo de Pilares e ao longo da avenida João Ribeiro. Destacam-se no bairro os conjuntos habitacionais, próximos a rua José dos Reis, a Associação CCIP (Centro Comercial e Industrial de Pilares), atualmente um clube, e a comunidade de baixa renda do morro dos Urubus, elevação mais destacada da região, com 177 metros.

No carnaval, o bairro marca presença com a Escola de Samba “Caprichosos de Pilares”, fundada em 1949, nas cores azul e branco, por dissidentes da “Unidos da Terra Nova”. Sua quadra fica na rua Faleiro, próxima ao Viaduto Cristóvão Colombo.

PITANGUEIRAS

Em Indígena significa PYTY–NGUÊ-RA, “Apertado, Afogado”, nada a ver com essa espécie de árvore, que não ocorria na região. No final do século XIX, tem-se notícia de uma fábrica de formicidas próxima a Ponta do Tiro, com atracadouro próprio, demolida em 1940.

No século XX, surge o bairro, resultado da ocupação ao longo da linha do mar e do caminho dos antigos bondes. Em 1920, é construído pequeno forte na Ponta do Tiro, onde foram instalados um canhão e o mastro da bandeira. Em 1922, a Companhia de Melhoramentos da Ilha do Governador põe a circular o bonde elétrico, entre a Ribeira e o Cocotá, passando pelo bairro de Pitangueiras. Surgem os primeiros loteamentos na década de 1940, abrangendo as quadras das ruas Nambi e Engenheiro Maia Filho. Na década de 1950, seria loteado o morro do Zumbi, com a abertura das atuais ruas Profº Alberto Meyer, pracinha Cesário Aguiar, Santa Escolástica, pracinha Dirceu de Almeida, etc.

Importante é a antiga estrada do Monjolo (atual rua do Monjolo), interligando a praia das Pitangueiras à estrada do Rio Jequiá. No alto do morro da Tapera (56 mts), grandes conjuntos habitacionais foram construídos, divididos com o bairro vizinho da praia da Bandeira, como os Condomínios Brisa Mar, Carrossel Dourado, etc. No morro da Cacuia, em seu espigão voltado para a rua Monjolo e a estrada do Rio Jequiá, a grande comunidade denominada de morro Nossa Senhora das Graças ou “Boogie Woogie”, surgiu em 1927. O terreno era propriedade particular, seu antigo dono permitiu a construção de barracos, provocando grande expansão habitacional, seus herdeiros não conseguiram a remoção dos moradores, e a comunidade ocupou todo o morro, numa área de 138.788,41 m2. Os seus acessos principais se dão pela ruas Visconde de Lamare e Ibatuba. Próximo fica instalado o CIEP Olga Benário Prestes.

Em 1995, foi inaugurada a reforma no monumento da Ponta do Tiro com a instalação definitiva de um Mastro com a Bandeira Brasileira. A praia das Pitangueiras não apresenta faixa arenosa.

PORTUGUESA

Originalmente a grande área situada entre as estradas do Galeão e de Tubiacanga era ocupada por matas contínuas aos terrenos da Aeronáutica. Próximo dela ficava um depósito particular de dinamite, cuja explosão em 1933, uma das maiores de nossa história, chegou a abalar portões de ferro no centro da cidade.

Em 1961, a Companhia Imobiliária Santa Cruz (loteadora do Jardim Guanabara) criou na região o “Jockey Club Guanabara”, com arquibancada principal, encimada por imponente marquise. Com as restrições impostas a corridas de cavalos no governo Jânio Quadros, o empreendimento fracassaria e suas instalações foram adquiridas pela Associação Atlética Portuguesa, que criou o Estádio de Futebol “Luso-Brasileiro”. Sua inauguração se deu no dia 2 de outubro de 1965, na partida Portuguesa 0 X 2 Vasco da Gama, com 2 gols do atacante vascaíno Zezinho, um deles ajudado pelo “Vento” o que fez o Estádio da Lusa ficar conhecido como o “Estádio dos Ventos Uivantes”.

O Estádio Luso-Brasileiro viveu grande momento em 2005, quando uma parceria com o Botafogo, o Flamengo e a Petrobras colocaram estruturas metálicas tubulares em todo o trecho disponível do Estádio, aumentando sua capacidade para 30.000 torcedores, na disputa do Campeonato Brasileiro daquele ano. Ficou conhecida como “Arena Petrobras”.

Portanto, a origem do bairro é associada à A. A. Portuguesa, sua urbanização é recente: em 1965, foi aberta a rua Haroldo Lobo, em 1966 a rua Gustavo Augusto de Resende, e a partir da década de 1970, sua expansão seria notável, em 1971 loteamentos na rua Gustavo Augusto de Resende, com 5 ruas. Nesse mesmo ano, surgiu a Rua A (atual Eduardo Nadruz), ligando a rua Haroldo Lobo a estrada de Tubiacanga, em 1973 loteamento próximo ao Estádio da Portuguesa com 4 ruas, 2 praças e uma avenida-canal (avenida Carlos Meziano) e, em 1976, houve o loteamento de grande terreno entre a avenida Maestro Paulo e Silva e a estrada de Tubiacanga, com 266 lotes, 12 ruas e várias praças, com traçados curvilíneos, dando origem ao Condomínio “Village da Ilha”, construído pela Cooperativa Habitacional da Ilha do Governador e é composto por 8 blocos com 1276 apartamentos e 514 casas.

O bairro da Portuguesa é predominantemente residencial, abrigando conjuntos habitacionais, vilas, condomínios, ora de casas ora de edifícios de apartamentos. Seu Centro Comercial fica ao longo da estrada do Galeão e rua República Árabe da Síria, o mais expressivo da Ilha do Governador, só comparado ao bairro Jardim Guanabara. Esse trecho recebeu em 1996, o projeto “Rio Cidade”, da Prefeitura, sendo criado um calçadão, áreas de estacionamento, passarelas metálicas e nas extremidades da área de intervenção urbana, dois monumentos, marcando simbolicamente a entrada da Ilha.

Na orla da Baia de Guanabara, entre a estrada de Tubiacanga e o mar, ficava um trecho da praia dos Gaegos, recoberta por manguezal, que começou a ser ocupada em 1973, multiplicando-se num período de 14 anos. Os moradores foram aterrando a área com despejos de lixo e entulho. Nos anos 1980, usavam material oriundo da terraplanagem da segunda pista do Aeroporto Internacional, daí consolidando a Comunidade do Parque Royal ou “Praia do Maneiro”. Foi beneficiada pelo Projeto “Favela-Bairro”, com implantação de creche, quadras esportivas, ciclovia, em 1994.

PRAÇA DA BANDEIRA

Em 1853, exatamente no local onde hoje está a Praça da Bandeira, foi construído o antigo Matadouro da Cidade. Evoluindo em volta do matadouro público, a Praça, conhecida inicialmente como Largo do Matadouro, tornou-se o centro de gravidade para o adensamento das cercanias. Nela passava o caminho para São Cristóvão.

Foi urbanizada no início do século XX, após transferência do Matadouro, em 1881, para Santa Cruz. Outro fator que impulsionou a evolução do bairro foi a proximidade com os bairros do Estácio e Cidade Nova, dois bairros centrais que sofreram acentuada ocupação a partir da chegada de D. João VI.

A construção da avenida Radial Oeste (atual Oswaldo Aranha) e do Trevo das Forças Armadas alterou a área nas décadas de 1960/1970, assim como a abertura do Metrô. A antiga estação Lauro Muller da Supervia, passou a denominar-se estação Praça da Bandeira.

PRAÇA SECA

O general Salvador Correia de Sá e Benevides (1601-1688) lutou contra os holandeses em Angola, defendendo os interesses portugueses. Foi governador do Rio de Janeiro por três períodos (1637-1642, 1648-1649 e 1659-1660), contribuindo com inúmeras melhorias e levando grande desenvolvimento à região, ao vender parte de suas terras em Jacarepaguá e incentivar seus proprietários a fundar novos engenhos.

O general faleceu em Lisboa em 1688, deixando suas terras para o filho, Martim Correia de Sá e Benevides (neto de Martim Correia de Sá), que se tornou o primeiro Visconde de Asseca e Alcaide-Mór do Rio de Janeiro. Dessa linhagem nobre dos Assecas, o quarto Visconde – nascido em 1698 e falecido em 1777 – foi o responsável pelos primeiros vestígios de povoamento mais efetivos em torno da Praça Seca (corruptela de Praça Asseca, ou Praç’Asseca), dando origem a uma configuração mais urbana para a região.

Área de confluência de antigos caminhos, antigamente denominada de Vale do Marangá, ou “Campo de Batalha” em indígena, a Praça Seca foi um marco histórico urbano da Cidade, pois foi aí que Jacarepaguá cresceu, longe do centro de decisões do governo colonial. E apesar de distante do núcleo central, a região apresentava alguns números significativos para o final do século XVIII: cerca de 250 residências, três lojas de tecidos, 70 vendas de produtos variados e cinco açougues.

Na antiga estrada de Jacarepaguá (atual Cândido Benício) existia o Largo do Asseca, homenageando o Visconde de Asseca. Em seu lugar, na década de 1890, surgiu uma Praça denominada 25 de Outubro, mas popularmente continuou sendo chamada Praça Asseca, daí vindo o nome “Praça Seca” como é designado atualmente todo o bairro.

PRAIA DA BANDEIRA

A região era conhecida como praia da Tapera, ou localidade da Tapera. Os bondes começaram a circular na área em 1922, pela estrada da Tapera, atual rua Capitão Barbosa. Esse militar foi figura ilustre do bairro, grande nacionalista, que muito colaborou para o desenvolvimento do lugar. Sua esposa nos anos de 1920 era diretora de uma escola na estrada da Tapera, e um militar amigo da família teve a iniciativa de construir, na Ponta do Tiro, um pequeno forte com um canhão e um mastro para hastear a Bandeira Brasileira, a fim de que as crianças da escola, pudessem comemorar o “Dia da Bandeira”. Daí o nome atual do bairro, Praia da Bandeira, cuja estreita faixa arenosa desfruta de bela paisagem da Baía de Guanabara. A escola foi transferida para a praia do Zumbi e hoje é a Escola Municipal Cuba.

O bairro surgiu do loteamento lançado em 1931 pela Companhia Territorial da Ilha do Governador, que fez o arruamento, promovendo a venda de terrenos. De características predominantemente residenciais, teve boa parte de sua área, no alto do morro da Tapera, ocupada por grandes Conjuntos Habitacionais, com acesso pelas ruas Altinópolis, Frei Inocêncio, Apoporis, com os Condomínios Arco-Íris, Verdes Mares, Aerobita, Morada da Ilha, Recanto Feliz, etc.

Como curiosidade, em 1947 instalou-se no bairro a Indústria de Água Mineral Fontana, na rua Capitão Barbosa e em 1958 na mesma rua, no número 215, existiu a única Estação de Águas do então Distrito Federal, o “Parque Fontana” hipotermal, onde se podia beber a água mineral natural, ambos indústria e parque, já extintos. Portanto, o nome desse bairro da Ilha do Governador tem origem na Bandeira Brasileira que era hasteada no Pequeno Forte da Ponta do Tiro.

QUINTINO BOCAIÚVA

A região pertencia à freguesia de Inhaúma, parte dela junto ao maciço da Tijuca, na Fazenda da Bica, com sede próxima a atual rua Souto.

A abertura da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, deu ao local a estação Cupertino (dono de grande pedreira fornecedora para construções na cidade), inaugurada em 1o de maio de 1876. Seu nome foi mudado para Quintino Bocaiúva em homenagem ao parlamentar, jornalista e comandante civil da Proclamação da República, morador de chácara nas proximidades, no ano de sua morte, em 1912.

Na década de 1940, existia grande terreno, entre a rua Clarimundo de Melo (antiga estrada de Muriquipari) e o morro do Inácio Dias, onde funcionava a Escola XV de Novembro, depois FUNABEM (até os anos de 1980), depois CEI, atual FAETEC, todas instituições educacionais. Na década de 1960, o bairro realizava festas de carnaval, dia das crianças, torneios de futebol de salão, e seus dois ranchos carnavalescos, “Decididos de Quintino” e “Aliados de Quintino”, eram dos mais importantes da Cidade. Na década de 1970, Quintino recebeu asfaltamento em todas as suas ruas.

O bairro é predominantemente residencial, sem núcleo comercial expressivo. Destacam-se a Igreja de São Jorge – onde, no dia 23 de abril, o santo é festejado com grande afluência de público, barracas e procissão -, o tradicional coreto da praça Quintino Bocaiúva – onde idosos e crianças se divertem – e a casa onde morou o famoso republicano que deu nome ao bairro, localizada na rua Goiás, próximo ao viaduto de Quintino.

Artur Antunes Coimbra, o grande Zico, jogador do Flamengo e da seleção brasileira, passou sua infância e adolescência no bairro, sendo conhecido como o “Galinho de Quintino”.

Na Sede da FAETEC, funcionam a Escola Técnica Estadual República, o Instituto Superior de Tecnologia em Ciência da Computação do Estado do Rio de Janeiro, e outros órgãos de ensino. Quintino possui comunidades em suas encostas, na Serra do Inácio Dias, destacando-se as comunidades Lemos de Brito ou morro do Macedo, rua Saçu, do Parque Araruna, próxima a estação e da Caixa D’Água, ou Jardim Piedade, no limite com o bairro de Piedade.

RAMOS

A região do atual bairro de Ramos pertencia à Fazenda do Engenho da Pedra (depois Fazenda N.S. de Bonsucesso), dentro da Sesmaria de Inhaúma. Ainda no século XVII, foram pioneiras as Estradas Velha do Engenho da Pedra e a Estrada Nova do Engenho da Pedra (atual Av.Teixeira de Castro), que davam acesso à região. Existiam outros caminhos que se comunicavam com o litoral, onde chegavam no “Cais de Pedra”, uma enorme pedra junto a Praia do Apicú (atual Praia de Ramos).

A Fazenda de N.S. de Bonsucesso passou para Dona Leonor Mascarenhas de Oliveira, que, em meados do século XIX, deixou 13 lotes, em testamento, para serem divididos entre parentes e amigos. O Dr. João Torquato de Oliveira herdou a casa e a Fazenda-Sede, região dos atuais núcleos de Bonsucesso e Ramos. Em 1870, sua viúva, Francisca Hayden, vendeu ao Capitão Luiz José Fonseca Ramos terras que abrangiam o Sítio dos Bambus, onde Ramos começou a prosperar. O bairro surgiu por obra dos descendentes do Capitão Ramos, quando os trilhos da Estrada de Ferro do Norte (Leopoldina) chegaram nessa área e foi construída a Parada de Ramos. O português Teixeira Ribeiro e seu filho lotearam as terras, abrindo as ruas Uranos, Professor Lacê, Euclides Faria, Aureliano Lessa, etc, dando início à urbanização de Ramos.

No século XX, surgiu o Social Ramos Clube, freqüentado pelas famílias tradicionais da região e foram fundados o Bloco Cacique de Ramos (em 1961) e a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, importantes instituições do carnaval carioca. No século XXI, as areias da poluída Praia de Ramos foram aproveitadas para a implantação do “Piscinão de Ramos”, inaugurado em 2002.

REALENGO

Ao contrário da versão de que Realengo seria uma abreviatura de “Real Engenho”, o nome teria como origem o termo “Campos Realengos”, usado para nomear os campos de serventia pública que eram utilizados, principalmente, para a pastagem do gado por parte dos que não possuíam terra própria.

No reinado de Dom Pedro II, Realengo se converteria em Zona Militar, com a instalação da escola de tiro e da Imperial Academia Militar. Após a proclamação da República, uma série de instalações militares veio a se implantar no bairro, como o 1º Batalhão de Engenheiros (1897), a fábrica de cartuchos e artifícios de guerra (1898) e a Escola de Guerra (1911) que, mais tarde, transferiu-se para o Município de Resende.

A ferrovia chegou em 1878, com a inauguração da estação de Realengo. Terras desmembradas da antiga Fazenda Piraquara dariam lugar a arruamentos e respectivos loteamentos como o Bairro Barata, Bairro Piraquara, Vila Itambi, Jardim Novo Realengo, entre muitos outros. Do lado norte da linha férrea, surgiram os loteamentos Jardim Água Branca e Batan.

Nas décadas de 1970 e 1980, foram construídos conjuntos habitacionais como os conjuntos Dom Pedro I, Capitão Teixeira e Água Branca, e surgiram comunidades de baixa renda como a Vila São Miguel, Batan, Cosme Damião, entre outras.

Destacam-se, no bairro, a Universidade Castelo Branco (1995), a Lona Cultural Gilberto Gil (1998) e a importante Floresta do Piraquara, última grande área verde nas encostas setentrionais do Maciço da Pedra Branca.

RECREIO DOS BANDEIRANTES

Originalmente era um grande areal, nas restingas em frente ao Pontal de Sernambetiba. As terras pertenciam ao Banco de Crédito Móvel, que as loteou em duas glebas. Joseph Weslley Finch comprou, nos anos 1920, umas das glebas e costumava promover visitas de fim de semana para interessados na compra de seus lotes. Muitos paulistas adquiriam terrenos à beira-mar, e construíram casas de veraneio. Por essa razão, a “gleba Finch” passou a ser conhecida como Recreio dos Bandeirantes e foi registrada como Jardim Recreio dos Bandeirantes. Mais tarde, todo o bairro passou a ter o mesmo nome. Lá estão as praias do Recreio, do Pontal e da Macumba; a Lagoinha; o morro do Rangel e as pedras de Itapuã e do Pontal.

Seu primeiro acesso era feito pela estrada do Pontal. Depois foi aberto um caminho de terra, ao longo da extensa praia, que foi asfaltado no final da década de 1950, com a denominação de Avenida Litorânea, atual Avenida Sernambetiba. No início dos anos 70, foi implantada a estrada Rio-Santos que cruzava a baixada de ponta a ponta. Mais tarde, essa estrada foi duplicada e se transformou na avenida das Américas. Atualmente, o Recreio dos Bandeirantes é ocupado por grandes condomínios residenciais, parques como o do Pontal Tim Maia e o Chico Mendes e shoppings Centers.

RIACHUELO

Surgiu nas terras da antiga fazenda do Engenho Novo, desmembrada em chácaras e, depois, ocupadas por loteamentos. A Estação Ferroviária, de 1869, se chamava “Riachuelo do Rio”. No início do século XX, no Clube Riachuelense, ocorriam bons espetáculos teatrais, realizados por Eduardo Magalhães. Sua principal rua, que tinha o nome de Engenho Novo, é a atual Ana Néri.

RIBEIRA

O nome do bairro vem da fazenda da Ribeira que existiu no século XIX em estreita faixa de terra dessa área da Ilha do Governador. Nesse século, a Ilha funcionou como centro de abastecimento da Cidade, incluindo a pesca, cal, tijolos e telhas. Na Ribeira se estabeleceram portugueses, cultivando o solo com produção de aguardente e de cal. A população e suas atividades foram se expandindo e, na segunda metade do século XIX, a Ribeira já era uma localidade consolidada.

Em 1870, na faixa Ribeira – Zumbi – Pitangueiras, existiam mais de 100 casas e estabelecimentos comerciais. Com o advento do século XX, a urbanização se acelera. Em 1914 ali se instalam duas grandes Companhias de Petróleo, a SHELL e depois a ESSO. Em 1922, a Companhia de Melhoramentos da Ilha do Governador põe em circulação o bonde elétrico, com linha entre a Ribeira e o Cocotá, fazendo a conexão com o transporte marítimo, na ponte de atracação de barcas na Ribeira. O bonde seria extinto em 1964 e muito antes, em 1931, criou-se a primeira linha de ônibus ligando a Ribeira ao Galeão. A “Casa do Índio” merece ser lembrada por nos remeter aos primeiros habitantes da Ilha.

O arruamento e loteamento em torno da rua Paramopama datam de 1934 e representam toda a área atualmente habitada do bairro. No morro do Ouro foi construída, em 1913, a Igreja da Sagrada Família, em terras doadas pelo negociante português Fernando Fonseca. O bairro tem uma grande praça, junto ao terminal de barcas, denominada Iaiá Garcia, e duas praias, a da Ribeira e a da Engenhoca, essa com faixa de areia aumentada, quiosques e mais freqüentada. Na ponte Dr. Luis Paixão ficava o citado terminal de barcas, hoje transferido para o Terminal de Cocotá. No bairro, além das instalações das Companhias Petrolíferas, fica a mais importante feira livre da Ilha, e as quadras esportivas da ACM (Associação Cristã de Moços).

RICARDO DE ALBUQUERQUE

Suas terras pertenciam ao engenho N. Sra. De Nazaré, dos herdeiros do capitão Bento de Oliveira Braga, cuja sede ficava em elevação de onde se avistava panorama deslumbrante das baixadas ao redor.

Do lado leste da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, uma parte do engenho de Nazaré ficaria com o fazendeiro Luiz Costa, loteador da região. Ali, o “Lar Brasileiro” fundaria, em 1935, o loteamento “Vila N. Sra. de Pompéia” – aprovado na gestão do prefeito Pedro Ernesto -, onde vários logradouros foram abertos e reconhecidos posteriormente, em terrenos da Cia Suburbana de Terrenos e Construções S.A. A Igreja Nossa Senhora de Pompéia, construída na região, teria como seu primeiro vigário o padre Aldolino Gesser.

A estação de Ricardo de Albuquerque, inaugurada em 1913, deve seu nome a José Ricardo de Albuquerque, antigo diretor da ferrovia e poeta. Na década de 1950 saía desta estação um ramal de uso militar que seguia para base militar no campo de Gericinó e cujo leito acompanhava a estrada do Engenho Novo e dividia um morro em dois, fazendo no meio um corte chamado de “Rasgão”, atualmente extinto e desaparecido.

Na avenida Marechal Alencastro fica o cemitério de Ricardo de Albuquerque, que faz limite com a extensa área militar do campo de Gericinó. À leste da ferrovia, no início do século XX, as terras pertenciam a Dona Joana Fontoura, que vendia lotes próximos a estrada do Camboatá. O coronel Carneiro da Fontoura dela compraria um lote para a sua chácara, lá para os lados da estrada Dona Joana (atual rua Fernando Lobo) e estrada do Alcobaça (atual rua Alcobaça), naqueles campos e colinas verdejantes, atualmente ocupados por loteamentos proletários e comunidades de baixa renda.

RIO COMPRIDO

Antigamente, o Rio Comprido era denominado Rio Iguaçu e cruzava a região conhecida como Catumbi Pequeno, que compreende o atual bairro do Rio Comprido e parte do bairro do Estácio. O acesso à região se dava pelo Catumbi Grande (atual Catumbi) – vale entre os Morros de Santa Teresa e Santos Rodrigues -, por caminhos tortuosos abertos pelos colonizadores portugueses que desbravam os arredores do Rio de Janeiro. O principal era a Estrada do Catumbi, atual Rua Itapiru, caminho longo ocupado por sítios e chácaras ao longo do Rio Catumbi ou Papa-Couves e que alcançava o Catumbi Pequeno nas imediações da chamada “Cova da Onça”.

O Rio Comprido abrigou o Quartel General do Exército na época de Dom João VI, se tornando um bairro agradável aos ingleses, que nele habitavam em casas próprias ou propriedades cercadas de amplos quintais. Sua chácara mais famosa foi a do Bispo Frei Antonio do Desterro, erguida no século XVII, também conhecida como “Casa do Bispo”, que serviu de residência episcopal até 1873, quando ali se instalou o Seminário São José. O prédio, conservado até nossos dias, foi tombado pelo patrimônio histórico.

A influência do Bispo no Rio Comprido era enorme e suas terras se estendiam até a chamada “Pedra do Bispo”. A partir do Largo do Bispo, atual Pça. Condessa Paulo de Frontin, foi aberta, em 1844, a Rua do Bispo. Dali saíam também a Rua do Rio Comprido (atual Aristides Lobo) e a Rua da Estrela, assim chamada pelo fato de nela se situar o Solar do Barão da Estrela, o português J. Maia Monteiro.

A Rua Santa Alexandrina foi aberta, em 1841, para se encontrar com os canos de Santa Teresa, dando acesso ao trecho superior do Rio Comprido, com acesso a Lagoinha pelo caminho do “Trilho do Sumaré”. Na Lagoinha ficava um aqueduto de captação de águas, oriundo das nascentes do Rio Comprido, que se conectava com os “canos da carioca”. Esse aqueduto corresponde à atual Estr. Dom Joaquim Mamede.

A rua mais longa do Rio Comprido era a Rua da Bela Vista, onde ficava a chácara do Marechal Francisco Cabral da Silva, o Barão do Itapagipe, que, depois da sua morte, daria nome à rua. Nela se destacava o casarão secular do Conde de Bonfim, demolido no século XX para dar lugar ao Hospital Alemão, que, depois de confiscado na II Guerra Mundial, deu lugar ao atual Hospital da Aeronáutica. A Avenida Paulo de Frontin foi aberta em 1919 pelo próprio engenheiro e Prefeito, que canalizou e retificou o Rio Comprido.

O Bairro cresceu e outras ruas abertas, até que, em 1967, a abertura do Túnel Rebouças ao final da Av. Paulo Frontin transformou o bairro na principal passagem entre a Zona Norte e a Zona Sul. Alguns anos mais tarde foi implantado sobre o Rio Comprido o Elevado Paulo de Frontin (atual Av. Engenheiro Freyssinet), cuja construção é marcada por uma tragédia que abalou a sociedade carioca. Em 1971, durante as obras, o elevado sofreu o desmoronamento de um trecho com 122 metros de extensão que caiu sobre a Rua Haddock Lobo, matando 28 pessoas e destruindo 22 veículos. Reconstruído e inaugurado em 1974, o elevado passou a permitir o acesso direto ao Túnel Rebouças pela Praça da Bandeira, o que retirou parte dos veículos de passagem do bairro. Mais tarde, o elevado foi conectado à Linha Vermelha, inaugurada em 1992.

ROCHA

A estação de trens, inaugurada em 1885, e extinta em 1960, recebeu o nome de um guarda-cancela da ferrovia. Nome que também batizou o Bairro. Sua urbanização se deu entre os anos de 1870 e 1875. Suas vias principais são as ruas Vinte e Quatro de Maio, Ana Néri e Marechal Rondon, inaugurada em 1965 com o nome de Avenida Central do Brasil.

ROCHA MIRANDA

As terras do bairro de Rocha Miranda pertenciam à Fazenda do Sapê, cujo proprietário, no século XIX, era o Barão de Mesquita. Em 1916, a fazenda seria adquirida pela família Rocha Miranda que promoveu o loteamento da região com a abertura de várias ruas com nomes de pedras preciosas: ruas dos Topázios, das Esmeraldas, dos Rubis, dos Diamantes, Ametistas, Ônix, Turquesas etc.

O “Bairro das Pedras Preciosas” seria atravessado pelo ramal da Linha Auxiliar e, em 17 de março de 1905 (ou segundo Max Vasconcellos em 1911), foi inaugurada a estação “Sapê’, mais tarde rebatizada de Rocha Miranda, cujo atual prédio foi construído em 1977.

Em Rocha Miranda, ficava o entroncamento das antigas estradas do Sapê, do Barro Vermelho e do Areal (atual avenida dos Italianos), que faziam a ligaçãofazendo a ligaçs ItA Areal(rocamento da, cujo atual prela Avenida brasils Conjuntos Habitacionais Nelson Mandela e Samora Miche com Pavuna e Irajá. Moderno viaduto foi construído sobre a Linha Auxiliar, facilitando a ligação com Madureira, entre a avenida dos Italianos e a estrada do Portela (Viaduto Monsenhor Carlos Ferreira Dias).

A sua principal praça, a Oito de Maio, foi urbanizada pelo prefeito Henrique Dodsworth na década de 1940. No obelisco nela situado lembra-se a participação dos brasileiros (FEB) na Segunda Guerra Mundial (Campanha da Itália).

O bairro é predominantemente residencial e abriga o Hospital Municipal Carmela Dutra. O comércio se concentra próximo à praça Oito de Maio e à avenida dos Italianos. Destaca-se ainda o prédio do antigo cinema Guaraci, com 1379 poltronas, misturando os estilos Art Nouveau e Art Déco, projeto de Alcides Torres da Rocha Miranda, inaugurado em 1954.

ROCINHA

No início era densa floresta ocupando o espigão entre a Pedra dos Dois Irmãos e o Morro do Cochrane, atravessada pela estrada da Gávea, até então um caminho precário que dava acesso as terras de Conrado Niemeyer. Sitiantes passaram a ocupar as terras da antiga fazenda Quebra–Cangalha, por volta de 1930, divididas em pequenas chácaras em que cultivavam hortaliças vendidas na feira do Largo das Três Vendas (Praça Santos Dumont), região da Gávea. Diziam para seus fregueses que os produtos vinham de suas “Rocinhas” no Alto da Gávea e, a partir daí, o nome “Rocinha” se popularizou. Plantava-se aipim, abóbora, agrião, bananeiras, couve, repolho, abrindo clareiras na mata primitiva.

A casa número 1 da estrada da Gávea é considerada o primeiro imóvel da Rocinha e chegou a ter suas obras embargadas pelo Prefeito Pedro Ernesto em 1932. A lentidão no julgamento do processo acabou incentivando novas invasões e o surgimento dos primeiros barracos de madeira na região.

Nas curvas sinuosas da estrada da Gávea foram realizadas as famosas corridas automobilísticas do circuito da Gávea, disputadas entre os anos de 1933 e 1954, o que deu nome de “Trampolim do Diabo” ao trecho dentro da Rocinha.

Enquanto isso a Rocinha se povoava. As terras foram divididas em grandes glebas, a maior parte delas pertencentes à Cia. Portuguesa Cássio Guidon, à empresa Bairro Barcelos, à Cia. Cristo Redentor e à Cia. Francesa Laboriaux. O processo de ocupação acelerou-se a partir da década de 1950, quando houve um aumento de migração de nordestinos. O aumento populacional ocorreu principalmente nas décadas de 1960 e 1970, possibilitado pelas grandes obras viárias realizadas na Cidade.

Na década de 1980 a expansão da favela se direcionou para as encostas dos morros do Cochrane e Laboriaux, área da rua Dionéia, ao longo da Vila Laboriaux (Alto do Espigão da Gávea), crescendo para a vertente do bairro da Gávea, com o surgimento da “Vila Cruzado” e da “Vila Verde”, próxima à curva do “S”. A floresta foi cedendo espaços para as edificações, consolidando a atual comunidade, composta de 14 sub-bairros (Barcelos, Rua 1, Rua 2, Rua 3, Rua 4, Roupa Suja, Cachopa, Vila Verde, Macega, Vila Cruzado, 199, Laboriaux, Boiadeiro, Dionéia).

O comércio variado se concentra nas ruas do bairro Barcelos e ao longo da estrada da Gávea. No Largo do Boiadeiro destaca-se a feira dominical, com predominância de produtos nordestinos. A comunidade conta com um posto de saúde, uma agência de correios, duas agências bancárias, três escolas públicas e creches comunitárias.

SAMPAIO

Assim como o bairro do Riachuelo, Sampaio tem origem na antiga fazenda do Engenho Novo. Suas terras pertenciam a grandes proprietários como Paim Pamplona e Adriano Muller que, com o tempo, foram loteadas e urbanizadas. Os primitivos proprietários abriram ruas como a Cadete Polônia e Paim. Sua estação é uma homenagem ao Coronel Sampaio, Patrono da Cavalaria. No Bairro, estão localizadas as comunidades do Morro da Matriz e Quieto. Na Av. Marechal Rondon está a Vila Olímpica do Sampaio.

SANTA CRUZ

A vasta região da Baixada de Santa Cruz era originalmente povoada pelos índios Tupi-Guarani. Com a chegada dos portugueses, a região foi doada a Cristóvão Monteiro e, um século mais tarde, por meio de doações e aquisições, viria a pertencer à Companhia de Jesus. Esse imenso latifúndio, a poderosa fazenda de Santa Cruz, se tornou a fazenda mais desenvolvida da Capitania, com milhares de escravos, cabeças de gado e variados tipos de cultivo.

Em 1759, com a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, a fazenda reverteu para a coroa portuguesa e, a partir de 1808, se transformou num local de veraneio para a Família Real. No reinado de Dom Pedro II, a fazenda se transformou na Fazenda Nacional de Santa Cruz onde, no final de 1881, foi inaugurado o moderno matadouro de Santa Cruz.

Na década de 1930, foram feitas grandes obras de saneamento e criadas colônias agrícolas. Mais tarde, nos antigos campos de lavoura surgiriam indústrias, como a nova Companhia Siderúrgica Nacional e outras empresas. Atualmente, está sendo construída na região a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), com extenso píer na Baía de Sepetiba.

Nas décadas de 1970 e 1980, a CEHAB construiu diversos conjuntos habitacionais na periferia de Santa Cruz, destacando-se os conjuntos de Antares, Otacílio Camará (Cesarão), Olímpio dos Santos (Urucânia), João XXIII, entre muitos outros.

Os principais acessos à Santa Cruz, além do trem (a estação de Santa Cruz foi inaugurada em 1879), são a Avenida Cesário de Melo, a Rua Felipe Cardoso e a Avenida Brasil.

SANTA TEREZA

Antigamente, o bairro se chamava “Morro do Desterro”, com acesso pela atual Ladeira de Santa Teresa, onde foi construída a capelinha de N.S.do Desterro, em 1629. Depois, em 1750, o Governador Gomes Freire de Andrade construiu o Convento de Santa Teresa para abrigar ordem de religiosas.

Outro acesso era a Ladeira do Castro, entre Mata-Cavalos (atual Riachuelo) e o Largo do Guimarães (formado, em 1857, numa chácara de João Joaquim Marques de Castro). Cruzando o morro de Santa Teresa, a pequena trilha que acompanhava os canos do Aqueduto da Carioca, se tornou mais tarde a Rua do Aqueduto, atual Almirante Alexandrino.

Santa Teresa, por sua situação e clima ameno, foi sendo ocupada por famílias abastadas que fugiam da insalubridade e das epidemias do Rio colonial. Em 1850, foi aberto novo acesso pela Rua Dona Luísa (atual Cândido Mendes). Havia várias chácaras, como a chácara de Dona Luísa e as chácaras das Neves, do Castro, da Lagoinha, todas posteriormente loteadas. Do desmembramento das propriedades de Francisco Paula Matos (1845) e Francisco Ferreira das Neves (1853), surgiram as Ruas Oriente, do Progresso, das Neves, Paula Matos, Paraíso, Largo das Neves, entre outras.

Para facilitar o acesso a Santa Teresa, a “Empresa de Carris de Ferro de Santa Teresa” iniciou a construção da primeira linha de bondes puxados a burros, integrada ao plano inclinado, que seguia até o Largo do França. Já com o nome de “Companhia Ferro Carril Carioca”, foi inaugurada, em 1896, a primeira linha de bondes elétricos em Santa Teresa, que saía do Largo da Carioca, passava sobre os Arcos da Lapa, e seguia até o Largo do França. Em 1897, a linha foi estendida até o Silvestre e Paula Matos, consolidando a ocupação do bairro.

SANTÍSSIMO

A localidade era atravessada pela estrada real de Santa Cruz. Nela ficava o Engenho do Lameirão, de Manuel Suzano, com sua capela de Nossa Senhora da Conceição do Lameirão, o templo mais importante das redondezas. Em 1750, a capela teve permissão para manter em “Sacrário” o Santíssimo Sacramento e, para isso, foi criada uma irmandade. Esse acontecimento passou a designar de Santíssimo toda a região situada entre Bangu e Campo Grande e batizaria o atual bairro.

Com a implantação da estrada Rio-São Paulo, atual avenida de Santa Cruz, e a chegada da linha férrea, foi inaugurada, em 1890, estação Coqueiro, nome de uma fazenda local, mais tarde rebatizada de Estação do Santíssimo. Santíssimo está situado entre o morro do Lameirão e a Avenida Brasil, abrangendo grandes loteamentos e comunidades, ao longo das estradas da Posse, do Lameirão e da rua Teixeira Campos.

SANTO CRISTO

Originalmente, toda a região do bairro de Santo Cristo pertencia ao chacareiro Alferes Diogo de Pina, daí o nome de São Diogo dados à capela, ao morro e ao mangal e seu entorno, e, também, o nome de Saco dos Alferes dado à praia então existente no local. O Saco do São Diogo, conhecido também como Praia Formosa, mais tarde foi aterrado para a construção do Canal do Mangue. No prolongamento do Caminho de São Diogo, que também levava à Praia Formosa, funcionava a Pedreira de São Diogo.

Em 1879, o bairro teve grande parte aterrada pela Empresa de Melhoramentos do Brasil, a fim de abrir ruas para o empreendimento Vila Guarany. As Ilhas dos Melões e das Moças, localizadas no antigo Saco do Alferes próximas de onde se localiza hoje a Rodoviária Novo Rio, foram extintas na construção do Cais do Porto, no início do século XX. Esses aterros deram origem ao atual bairro de Santo Cristo, cuja Igreja de Santo Cristo dos Milagres, erguida em 1872, localiza-se no antigo Largo do Gambá (atual Largo de Santo Cristo). O primeiro acesso ao bairro se dava pelo caminho do Saco do Alferes, atual Rua da América.

A ocupação do Morro do Pinto (antigo Morro do Nheco) se deu em 1875, nos terrenos que pertenceram ao Barão de Mauá, onde Antonio Pinto realizou um grande loteamento abrindo seis ruas e quatro travessas. Em 1877, outro grande loteamento foi criado nas encostas voltadas para a Praia Formosa, a chamada “Vila Formosa”, com mais cinco ruas e três travessas. Com a construção do elevado 31 de Março, o bairro de Santo Cristo tornou-se rota de passagem para a Ponte Rio-Niterói e a Avenida Brasil.

SÃO CONRADO

São Conrado era um distante arrebalde, deserto, à sombra da imensa Pedra da Gávea, com sua longa praia, de acesso fechado pela mata. Desde 1767, a atual Estrada da Gávea, ainda de terra, servia de acesso à região.

A região, espremida entre o mar e o Morro do Cochrane, pertencia à Fazenda São José da Lagoinha da Gávea, também conhecida como Morgadio de Asseca, propriedade dos herdeiros de Salvador Corrêa de Sá e Benevides, nos meados do Século XVIII. Sua sede foi comprada, em 1932, por Osvaldo Riso, se transformando na atual Villa Riso, centro de visitação com eventos culturais e exposições de artes.

No início do século XX, o Comendador Conrado Jacob Niemeyer possuía grande fazenda na baixada e nela ergueu uma pequena igreja, em 1916, em devoção a São Conrado, origem do nome do bairro. Niemeyer também concluiu a belíssima Avenida Niemeyer – doada a Prefeitura, em 1916 – e melhorou a Estrada da Gávea, que ganhou esse nome em 1917, após incorporar parte da Rua Marquês de São Vicente. Em 1919, a Avenida Niemeyer seria alargada por Paulo de Frontin. Já a Estrada da Gávea, com suas curvas sinuosas, fazia o chamado “Trampolim do Diabo” e, entre 1933 e 1952, serviu às corridas automobilísticas do “Circuito da Gávea”.

Em 1921, integrantes da empresa Tramway criaram o Gávea Golf & Country Club, abrangendo grande área verde e a chamada “Casa Azul”, sede de antigo engenho. Em 1930, surgia o primeiro loteamento do bairro, que deu origem à Rua Capuri. Nos anos 1940 e 1950, o Largo de São Conrado era bastante freqüentado e ali viria a se instalar o popular “Bar Bem”. Novos loteamentos surgiam, como o Jardim Gávea e o loteamento da Rua Iposeira e, em 1949, foi inaugurada a Estrada da Canoa, com seu belo mirante no Viaduto Berta Leitchic. Depois, nos anos 1980 – a época das danceterias -, as Boites Zoom e Circus passaram a atrair uma parte da juventude carioca.

Dois fatores influenciaram profundamente o processo de ocupação do bairro: a inauguração do Túnel Dois Irmãos (atual Zuzu Angel), em 1971, e seu prolongamento, a Auto Estrada Lagoa-Barra, que transformou São Conrado em bairro de passagem. Surgiram os grandes condomínios de prédios altos, foram construídos os hotéis Nacional e Intercontinental e a orla marítima foi urbanizada. A ocupação de classe média alta se refletia no sofisticado Shopping São Conrado Fashion Mall (1982), em contraste com a Favela da Rocinha, cuja origem se deu na década de 1930, com barracos esparsos e lavouras. A partir das décadas de 1970 e 1980, a Rocinha passou a ter uma expansão acelerada, se transformando em uma das maiores favelas da cidade, com comércio expressivo, serviços e mais de 2500 empresas. No início dos anos de 1990, foi desmembrada dos bairros vizinhos, para se tornar o bairro e a XVII Região Administrativa da Rocinha.

São Conrado é emoldurado pelo verde intenso das florestas do Parque Nacional da Tijuca, no Morro do Cochrane (718 metros de altitude), e pelo espetacular maciço rochoso formado pela Pedra da Gávea, com 844 metros de altitude, pela Pedra Bonita e pela Agulhinha da Gávea, todas acessíveis por trilhas. No Morro da Pedra Bonita, localiza-se a Rampa Maurício Klabin, a 524 m de altitude, utilizada como decolagem dos pilotos de asas-delta e parapentes, rumo a Praia do Pepino (de São Conrado).

SÃO CRISTÓVÃO

O bairro de São Cristóvão teve sua origem na grande sesmaria pertencente aos jesuítas, que se estendia do Rio Comprido até Inhaúma e que, entre 1572 e 1583, foi desmembrada nas fazendas do Engenho Velho, do Engenho Novo e de São Cristóvão. Seu nome se deve à igrejinha dedicada ao santo erguida pela Companhia de Jesus junto à praia habitada apenas por alguns pescadores.

Com a expulsão dos jesuítas (1759) e a chegada da Família Real, em 1808, a região, antes destinada à agricultura e à pecuária, foi retalhada e dividida em chácaras, que foram adquiridas por ricos comerciantes. Com a instalação da Família Real na atual Quinta da Boa Vista, São Cristóvão passou a ser considerado uma área nobre.

A Estrada de Ferro Dom Pedro II, inaugurada no segundo reinado, invadiu o bairro, assim como a ferrovia para Petrópolis (depois Estrada de Ferro Leopoldina). Depois chegaram as linhas de bondes, inicialmente de tração animal e logo eletrificadas.

Com o advento da República, São Cristóvão entrou em decadência, os casarões da monarquia se transformaram em cortiços e o bairro passou a se caracterizar pelo pequeno comércio, vilas e residências modestas. A partir da década de 1930, as indústrias tomaram conta do bairro, incentivadas pelo Decreto N° 6000, de 1937.

Após a explosão da indústria automobilística no Brasil, São Cristóvão, que já tinha a Avenida Brasil desde os anos 1940, passa a ser cruzado por vias expressas e viadutos, o último deles o elevado da Linha Vermelha.

SÃO FRANCISCO XAVIER

As terras de São Francisco Xavier pertenciam ao Engenho Novo dos Jesuítas, construído a partir de 1707. Suas áreas de canaviais e lavouras se estendiam desde a praia Pequena (Benfica) até o Engenho de Dentro.

Em 1851, o “TURF” passou a fazer parte da Cidade, no “Prado Fluminense”, antes o “Jóquei Clube Fluminense”, que tinha sido fundado em 1848 por iniciativa do Visconde do Rio Branco, do Duque de Caxias, de Alexandre Reed e do Major Suckow. Este pediu o “Prado” e nele ocuparia as corridas de cavalos. Apesar da presença de Dom Pedro II em sua inauguração, o fracasso foi total. O Jóquei Clube, sucessor desse “Jóquei Clube Fluminense”, surgiria, em 1868, na casa do Conde Hersberg, genro do Major Suckow, na rua que logo abriria (a atual rua Major Suckow). Suas primeiras corridas foram em maio de 1869, no “Prado Fluminense”, em terrenos de sua família, entre São Francisco Xavier e Triagem, ao longo da rua João Damásio (depois Jóquei Clube, e atual Licínio Cardoso). Em 1912, uma equipe francesa da “Queen Aeroplane Company” faria a nossa primeira semana da aviação, usando o “Prado Fluminense” como ponto de decolagem para suas peripécias aéreas pela Cidade.

Em 1919, começou-se a estudar a possibilidade de construção de um novo Hipódromo para substituir o “Prado Fluminense”. Para isso, foi feita a permuta do seu terreno em São Francisco Xavier por um terreno pantanoso, a beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde, em 1926, concluiu-se as obras do atual Hipódromo da Gávea. No lugar do “Prado Fluminense”, foi instalada uma unidade do Exército e a antiga garagem da CTC, entre as ruas Bérgamo, Major Suckow, Dr. Garnier e Conselheiro Mayrink, parte dela pertencendo ao bairro vizinho do Rocha.

Com a inauguração da Estrada de Ferro Dom Pedro II (depois Central do Brasil), em 1858, foi implantado, em 16 de maio de 1861, a estação de São Francisco Xavier, onde os subúrbios (na época bairros rurais da zona norte) principiavam. Na Linha Auxiliar, seria inaugurada, em 30 de novembro de 1910, com o nome de Parada Silva e Souza, a atual estação de Triagem. Na época, havia duas estações: uma para passageiros, outra de cargas. Até meados dos anos 1960, essa estação serviu também como estação da Estrada de Ferro Rio D’Ouro. Com a construção da Linha 2 da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro, seu trecho em via elevada cruzou o bairro de São Francisco Xavier. A estação de metrô de Triagem foi inaugurada em junho de 1988, sendo integrada aos trens da Supervia nos ramais de Belford Roxo e Saracuruna pela estação ferroviária de Triagem.

O bairro de São Francisco Xavier é um dos menores do Rio de Janeiro e seu comércio se concentra nas ruas Licínio Cardoso e Ana Néri (antiga rua do Engenho Novo). Um dos marcos do bairro é o viaduto Ana Néri, sobre o ramal da Linha Auxiliar, que faz a ligação com Benfica e com a Avenida Brasil. Na sua inauguração, em 1956, estava presente o então Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

No lado sul do ramal da Supervia, o bairro é limitado pela Serra do Engenho Novo, tendo a rua São Francisco Xavier e a avenida Marechal Rondon – onde fica a Policlínica Piquet Carneiro – como principais logradouros. O bairro possui duas comunidades de baixa renda: a Vila Triagem e a Vila Casarão, junto a estação de São Francisco Xavier.

SAÚDE

O antigo Bairro da Saúde se estendia da Prainha, atual Praça Mauá, à Gamboa. Era uma faixa arenosa, entre os morros da Conceição e do Livramento, atravessada pela Pedra da Prainha, atual Pedra do Sal.

Já no século XVII, seus trechos eram conhecidos como Valongo e Valonguinho. Ao longo do litoral, havia um caminho rústico que tinha o nome de Rua São Francisco da Prainha, depois Rua da Saúde e, hoje, corresponde à rua Sacadura Cabral.

Em 1704, o padre Francisco da Mota doou à Ordem Terceira da Penitência um trapiche (espécie de porto) e terras nas fraldas do morro da Conceição, à margem da atual Rua Sacadura Cabral. Em 1710, durante a invasão francesa, o trapiche foi destruído e construída uma capela, cuja ornamentação interna data do final do século XIX, com grades e escada em caracol de ferro fundido. Este monumento religioso é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Em 1742, Manuel Negreiros construiu a Capela de Nossa Senhora da Saúde, na Praia da Saúde. No Valongo, ficava um mercado de escravos, vendidos em armazéns-depósitos. A partir de 1831 o mercado foi desativado. Em 1921, todos os equipamentos existentes no Observatório da Escola Politécnica, situado no Morro de Santo Antônio, foram levados para a Chácara do Valongo, local onde, antes, ficava o mercado de escravos.

A Saúde passou a ter sua orla repleta de trapiches, armazéns e cais, com entrepostos de madeiras, couros, açúcar, cal de mariscos e produtos agrícolas vindos da Bahia. Com o ciclo do café, a região teve notável progresso. O café cultivado no Vale do Paraíba descia a serra e era estocado em seus grandes armazéns.

No Morro da Conceição, destaca-se, ainda, o Palácio Episcopal, resultado da ampliação, no século XVIII, de um convento dos Capuchinhos, para servir de residência aos bispos do Rio de Janeiro. Junto ao Palácio foi construída, entre 1715 e 1718, a Fortaleza da Conceição, para fortalecer o sistema defensivo da Cidade. Outro destaque é o Observatório do Valongo, inaugurado em 1924, no Morro da Conceição.

Os jardins do Valongo, construídos pelo Prefeito Pereira Passos em 1905, são outro marco importante do Bairro. O acesso ao Morro da Conceição é feito, ainda, pelas históricas ladeiras, como a João Homem, Escorrega, Jogo da Bola e seu prolongamento, a Argemiro Bulcão. Esta última ladeira desemboca na Pedra do Sal, berço, no início da República, do nosso primeiro rancho carnavalesco. Na Pedra do Sal, fica o Largo João da Baiana que é um reduto de sambistas. No início do século XX, com as obras de construção do Cais do Porto, grandes aterros alteraram a orla do bairro da Saúde e foram abertas as avenidas Rodrigues Alves, Venezuela, Barão de Tefé, onde surgiram quarteirões com armazéns e galpões.

A rua Sacadura Cabral é o limite entre o bairro original e as novas áreas aterradas. Parte da região da Saúde, compreendendo a Praça Cel. Assunção e a Igreja Nossa Senhora da Saúde passaram para o bairro da Gamboa.

SENADOR CAMARÁ

Parte da região era pertencente à fazenda dos Coqueiros, fundada por Manuel Antunes Suzano em 1720. Suas terras iam desde os limites com a fazenda do Viegas até a Serra do Mendanha. Já a Fazenda do Viegas foi sede do antigo Engenho da Lapa, fundado pelo colonizador Manuel de Souza Viegas, que deu nome ao morro, ao caminho e à estrada, no século XVII. Em 1725 a fazenda pertencia a Francisco Garcia do Amaral, que nela construiu a Capela de Nossa Senhora da Lapa.

A Fazenda do Viegas produziu cana-de-açúcar por quase 80 anos, sendo considerada a segunda em importância na freguesia de Campo Grande. Com o surgimento da cafeicultura no início do século XIX, a fazenda foi uma das precursoras da produção do café no Brasil e suas lavouras se espalharam pelas Serras de Bangu, Lameirão e do Mendanha, atingindo o ápice nos anos de 1800. Atravessada pela Estrada Real de Santa Cruz (atual avenida de Santa Cruz), serviu de hospedagem ao Imperador Dom Pedro II em suas viagens a Santa Cruz. Nessa época, pertencia aos herdeiros de Helena Januária Campos Cardoso.

Em 1938, a sede da Fazenda do Viegas e Capela anexa foram tombadas pela União. Em 1995, uma reforma feita pela Prefeitura (DGPC) recuperou os históricos imóveis, e, em 1999, a SMAC realizou projeto de revitalização paisagística e cercamento do local, consolidando o “Parque Municipal Fazenda do Viegas” como importante área verde. A antiga sede da fazenda passou a abrigar a Subprefeitura da Zona Oeste.

Além da Estrada Real, eram importantes vias da região as estradas de Taquaral, dos Coqueiros e do Viegas, interligando Bangu a Campo Grande. Com o final do século XIX, o trem chegaria a região por intermédio do ramal de Mangaratiba, sendo inaugurada a estação Senador Camará em 01/06/1923, em homenagem a Otacílio de Carvalho Camará, gaúcho, deputado pelo Distrito Federal (1915) e senador em 1919, falecendo um ano depois. Historiadores não esclarecem quem teve a idéia de batizar a localidade como Senador Camará, mas contam que o referido político morava no bairro de Santa Cruz, beneficiando com verbas sua área e Campo Grande, em detrimento de Bangu e adjacências, onde a Prefeitura deixava as melhorias a cargo da Fábrica Bangu.

A Fábrica Bangu tornaria uma grande Companhia Imobiliária, loteando e urbanizando terrenos para o lado de Senador Camará, ao longo da avenida de Santa Cruz, estrada do Viegas, etc. Mais tarde os irmãos Jabour construíram uma vila residencial nos limites do Engenho dos Coqueiros, o denominado “Bairro Jabour” (década de 1950), onde viria a morar por muitos anos o grande músico e compositor Hermeto Pascoal.

No lado da linha férrea voltado para as estradas dos Coqueiros e do Taquaral, existiam extensas terras cultivadas, sendo os lavradores posseiros, que abandonaram a área, permitindo, em 1950, o surgimento de um loteamento, com casas construídas, tendo seus moradores direito de posse. A população foi crescendo, a partir dos anos 1980 e 1990, e ocupando ambos os lados da estrada do Taquaral, constituindo a Comunidade Fazenda Coqueiro, numa superfície de 1.094.848,41 m2, somada a comunidade Jardim Clarice, que havia surgido em 1992. Destacam-se também a comunidade Coréia, de 1951, entre o Bairro Jabour e a linha do trem, o Conjunto Habitacional Miguel Gustavo ou “Rebu” (CEHAB-1972) com 2466 casas geminadas, a Comunidade do Jacaré (de 1940) na divisa com Santíssimo, o Conjunto Senador Camará (1971), o Bairro Santo André (1986), entre outras comunidades, conjuntos e loteamentos proletários. O bairro é atravessado pelo rio Viegas, formador do Sarapui, cujas nascentes ficam no Parque Estadual da Pedra Branca, abrangendo as Serras do Bangu, do Viegas e do Lameirão, os Vales do Rosário e Virgem Maria, fazendo limites com o morro da Bandeira e o Pico da Pedra Branca (1025 mts).

SENADOR VASCONCELOS

A região fazia parte do traçado da Estrada Real de Santa Cruz. Sua história coincide com a do bairro de Campo Grande, com limites entre as fazendas das Capoeiras e do Lameirão. Mais tarde, por ela passou a antiga estrada Rio-São Paulo que, em viaduto, ultrapassava linha férrea do ramal de Mangaratiba (atual de Santa Cruz), onde foi instalada, em 1914, a estação Senador Augusto Vasconcelos, em homenagem a um senador federal, que deu, também, nome ao bairro. Como curiosidade, próximo à igreja de São Pedro, na avenida de Santa Cruz, existia uma estalagem onde o imperador Dom Pedro I costumava pernoitar em suas viagens à Fazenda Real de Santa Cruz.

SEPETIBA

A praia de Sepetiba servia como porto colonial para exportação de pau-brasil aos países europeus. Seu principais acessos eram o caminho de Sepetiba (atual estrada de Sepetiba), que levava à Santa Cruz, e o caminho de Piahy (atual estrada do Piaí), que ligava o bairro à Pedra de Guaratiba.

No início do século XIX, Sepetiba passou a ser freqüentada no verão pela Família Real, que utilizava a propriedade denominada “Casa de Esquina”, onde está a atual praça Washington Luiz. Visitantes ilustres circulavam então no bairro e a vida social da localidade dava entretenimentos à elite, como touradas, saraus e danças portuguesas. Findo o verão, Sepetiba era pacata, refletindo a vida simples dos pescadores e sitiantes.

Com a implantação da “Companhia Ferro Carril”, em 1884, o bonde de tração animal passou a transportar a “mala real” até o cais de Sepetiba, além de cargas e passageiros.

A luz elétrica chegou a Sepetiba em 1949 e, de lá para cá, Sepetiba se expandiu. Loteamentos – muitos em condições precárias – foram ocupando as áreas próximas à estrada do Piai, a praça Oscar Rossin foi urbanizada e foi aberto o canal na Rua Santa Ursulina para escoar terrenos alagadiços. Na década de 1960, surge o loteamento “Vila Balneário Globo” e, recentemente, em meio à grande polêmica, destaca-se a implantação, ao longo da estrada de Sepetiba, do grande conjunto Nova Sepetiba, construído pelo governo do estado para a população de baixa renda.

TANQUE

É o antigo local onde os viajantes paravam para descansar e dar água a seus animais em um grande reservatório ali existente. Mais tarde serviu para matar a sede dos animais que puxavam os bondes que faziam o trajeto até o Largo da Taquara ou ao Largo da

Ponto final de uma das duas linhas de bonde do bairro é a antiga Porta D’Água, um dos pontos geradores do desenvolvimento da região. O nome designava um dos três rios que ali se encontram e que acabaram por dar nome a uma das estradas principais da localidade.

Escoadouro das águas vindas da serra limítrofe com o Engenho Novo de Jacarepaguá, o rio Porta D’Água era, no inicio do século, navegável em todo o seu curso pela planície e contava, nos trechos mais altos, com diques e comportas que lhe valeram o nome. Reunia o curso dos rios Cigano, Olho d’Água e Fortaleza, nascidos na serra dos Três Rios e após atravessar a Freguesia, hoje sob a denominação de rio Sangrador, recebia as águas do córrego da Panela e dos rios São Francisco e Anil, indo desaguar na lagoa de Camorim.

Como Porta D’Água ficou conhecida a área hoje compreendida entre o local em que se encontram a estrada Velha de Jacarepaguá, a rua Ituverava e a estrada de Uruçanga, até a praça Professora Camisão e a esquina da estrada dos Três Rios com a avenida Geremário Dantas. O nome de Freguesia, com que popularmente a localidade passou a ser chamada, decerto deriva da localização da igreja de Nossa Senhora do Loreto, matriz da freguesia de Jacarepaguá.

A influência desta localidade se estendeu por uma área ampla e variada: a vizinhança do Engenho D’Água, pelo caminho do Portinho da Gabinal, a estrada dos Três Rios e as vertentes da serra do mesmo nome, a parte mais alta da estrada do Pau Ferro, e a localidade do Anil, na estrada Velha que ligava a Freguesia ao Itanhangá, às ilhas das lagoas costeiras e às praias da Barra da Tijuca.

Em 1616, nas imediações do Engenho D’Água, surgiu o primeiro núcleo de ocupação de Jacarepaguá, no lugar também conhecido como Porta D’Água, que hoje chama-se Largo da Freguesia. Com a ocupação se acentuando, uma parte das terras foi desmembrada em foros, para incentivar seu desenvolvimento.

Em uma das novas propriedades que floresceram, o dono, Padre Manuel de Araújo, ergueu no alto de um penhasco, chamado Pedra do Galo (morro da Freguesia), a Capela de Nossa Senhora da Pena. Com a crescente ocupação da sua propriedade e constatando que suas atividades e desenvolvimento econômico, os locais estavam praticamente assegurados, o padre propôs a emancipação do lugar, efetivada em 6 de março de 1661. Foi criada, assim, a freguesia de Nossa Senhora do Loreto de Jacarepaguá, a quarta da Cidade, separada da antiga freguesia de Irajá. Em 1664, o padre construiu nela a Igreja-Matriz, com o mesmo nome da Capela.

TAQUARA

Salvador Correia de Sá doou como sesmarias as terras existentes entre a restinga da Tijuca e Guaratiba – o que corresponde hoje à toda a baixada de Jacarepaguá – aos seus dois filhos, Gonçalo e Martim de Sá, em 09 de setembro de 1594. Martim ficou com a área à leste da lagoa de Camorim, abrangendo, entre outras, a região de Taquara. Taquara é uma espécie de bambu, utilizado em cercas e no fabrico de cestos, abundante na região, o que viria a designar a localidade.

O Largo da Taquara tornou-se um importante entroncamento de estradas irradiadas para diversas direções: a de Guaratiba (atual Bandeirantes) – acesso às Vargens, Camorim, Grota Funda -, a do Tindiba, a da Taquara (atual Av. Nelson Cardoso), a do Rio Grande e a Rodrigues Caldas. Em torno do Largo, um núcleo urbano se estabeleceu, interligando-se aos engenhos e fazendas vizinhas como a do Engenho Novo (atual Colônia Juliano Moreira), a do Rio Grande, o Engenho Velho da Taquara (na Boiúna) e, principalmente, a fazenda da Taquara, de Antonio de S. Payo, que nela ergueria, em 1738, uma capela dedicada à Santa Cruz. O Juiz de Órfãos, Francisco Teles Barreto de Meneses, se tornou proprietário da fazenda no século XVII, que foi depois passada para seus descendentes Ana Maria Teles de Meneses, casada com Francisco Pinto da Fonseca, e o filho deles, Francisco Pinto da Fonseca Teles, que se tornaria o Barão da Taquara.

Administrando a fazenda desde 1864, o Barão expandiu seus domínios, adquirindo terras em Jacarepaguá que correspondem, além da Taquara, às localidades do Tanque, Rio Grande, Mato Alto, Praça Seca, Campinho, etc. Tal prestígio lhe rendeu a amizade do casal imperial, que sempre se hospedava na Sede da Fazenda. O Barão realizou obras públicas, construiu escolas e ergueu capelas, sendo considerado o “Patriarca de Jacarepaguá”.

Em 1875, Jacarepaguá foi beneficiado pela inauguração da “Companhia Ferro-Carril de Jacarepaguá”, de Etiene Campos, que ligava, inicialmente, Cascadura ao Largo do Tanque. Posteriormente, os bondes se estenderiam até o Largo da Taquara, sendo eletrificados a partir de 1911. O Largo era pólo de um vasto território: na direção sudoeste alcançava Curicica, Camorim, Vargem Grande e Vargem Pequena; à oeste chegava as localidades de Rio Grande, Pau da Fome, Santa Maria, Teixeiras e Engenho Novo; e, ao norte, aos núcleos de Boiúna, Engenho Velho e Catunho, interligados com a Fazenda dos Afonsos e a Estrada Real de Santa Cruz.

A partir da década de 1970, surgiram diversos loteamentos ao longo das estradas Rodrigues Caldas, do Rio Grande, do Cafundá, da Boiúna, Mapuá, Outeiro Santo e André Rocha, como o Jardim Shangrilá e o Jardim Boiúna, entre outros. Atualmente, novos empreendimentos surgem no bairro, entre condomínios residenciais e conjuntos habitacionais.

A Zona Industrial de Jacarepaguá foi implantada ao longo da estrada dos Bandeirantes, destacando-se as empresas Merck e Schering, empresas químicas, gráficas etc.

A Taquara é o maior pólo econômico de Jacarepaguá, com expressivo centro comercial no entorno do Largo da Taquara, na Av. Nelson Cardoso, na estrada dos Bandeirantes e na estrada do Tindiba. É atravessada pelo Rio Grande, tributário da lagoa do Camorim e apresenta áreas verdes nas encostas da serra do Engenho Velho, no morro da Boiúna e nas quadras próximas às ruas Mapendi e Macembu. O bairro abriga instituições como o Lar Frei Luiz (Boiúna), o Campus Esportivo da Universidade Gama Filho e o Sodalício da Sacra Família. Seu principal bem histórico, tombado pelo Patrimônio da União, é a Casa da Fazenda da Taquara, com sua Capela de Santa Cruz, situada na estrada Rodrigues Caldas. As principais comunidades de baixa renda da Taquara são as comunidades Nova Aurora, Jardim Boiúna, Meringuava, Santa Mônica, Alto da Bela Vista, André Rocha, Vila Santa Clara, Vila Clarim, São Sebastião, Curumaú, Nossa Senhora de Fátima e Tancredo Neves.

TAUÁ

A palavra Tauá em indígena, significa “barro vermelho”, outra versão considera TA-OÁ, “aquele que é redondo”. É continuação natural do bairro do Cocotá. Inicialmente, era destinado à lavoura, cana-de-açúcar, depois outras atividades como a pesca, cal, tijolos e telhas. Nele, ficava no século XIX, a fábrica de formicidas do Barão de Capanema, cuja propriedade abrangia o morro do Barão, pegando parte do atual bairro dos Bancários.

No século XX, iniciou-se a urbanização da região, ao longo da estrada da Freguesia (depois avenida Paranapuã) e da estrada do Dendê. Na década de 1930, três projetos de arruamento cobrem praticamente toda a área ocupada pelo bairro, o primeiro como extensão das ruas do loteamento Jardim Carioca, nas proximidades da rua do Minho, o segundo em torno das ruas Eutáquio Soledade e professor Hilarião da Rocha e o terceiro junto a rua Maici, com nome de “Jardim Maracaí”. Com a abertura desses logradouros, o Tauá foi progressivamente ocupado, seu acesso facilitado pela inauguração do bonde elétrico, com a linha Ribeira-Cocotá (em 1922), estendida até o bairro a partir de 1935, indo até a Freguesia, passando pela avenida Paranapuã. Foi extinta em 1964, substituída por linhas de ônibus.

Em 1969, foi inaugurada uma grande Estação de Tratamento de Esgotos da Cedae, próxima às ruas Eutáquio Soledade e Domingos Mundim, e em 1985, implantada uma Estação da Light, em faixa próxima ao mar. Destaca-se a igreja de Santo Antônio, cujo início de construção data de 1939, e que com o decorrer do tempo, sofreu alguns acréscimos. A nova igreja foi inaugurada em 2001.

O Tauá é predominantemente residencial, seu comércio concentra-se na avenida Paranapuã, e possui várias comunidades de baixa renda, como a da praia de Rosa, surgida em 1941, em uma colônia de pescadores sobre manguezal, entre a estação da Cedae e a Baía de Guanabara, onde se expandiu sobre palafitas, hoje, reurbanizada pelo projeto “bairrinho” e a do Dendê, a maior delas, também chamada morro do Dendê, originada em 1940, por nordestinos que encontraram no lugar uma plantação de Dendê, que acabou dando nome à comunidade. Dividida em vários setores, seus acessos se dão pelas ruas São Sebastião, Catugi, Baviera, Cali e Cabo Fleury, foi beneficiada pelo projeto “favela-bairro”. No Tauá ficam as comunidades dos servidores municipais, Parque Tauá ou Querozene, Morro do Coqueiro e Bairro da Sapucaia.

TIJUCA

O nome Tijuca, de origem indígena, “TY YUC”, significando “água podre, charco ou brejo”, referia-se às lagoas da atual Barra, depois passou para as montanhas, floresta e vertente oposta, correspondendo à antiga região do Andaraí Pequeno que, entre os séculos XIX e XX, transformou-se no atual bairro da Tijuca e, na década de 1970, parte do Andaraí Grande foi incorporada a ele.

No início do século XVIII, a população do pequeno núcleo urbano que constituía a Cidade já fazia passeios até a serra da Tijuca. Começou a florescer um lugarejo cercado de chácaras, vivendas e até mansões de ricos e nobres. No início do século XIX, a Tijuca ainda era um misto de zona rural, ocupada por uma população de hábitos urbanos que aos poucos ia transformando suas casas de campo em residências permanentes.

No ano de 1812, embora continuasse como freguesia rural, ocorreu uma intensa ocupação da área e, a partir de 1818, o governo começou a tomar medidas para coibir o desmatamento. Desde 1838, a Tijuca já era servida por transporte de tração animal.

O primeiro núcleo de loteamento-arruamento foi o bairro da Fábrica das Chitas, no entorno do Largo da Fábrica (atual Praça Sãenz Pena). A Tijuca viria também a incorporar a antiga freguesia do Engenho Velho.

No início do século XX, seus morros começam a ser ocupados, surgindo a primeira favela do bairro, a do morro do Salgueiro. As favelas do Borel e da Formiga surgem logo depois. A partir dos anos 30 e 40 a Tijuca começa a ser ocupada por uma classe média com valores tradicionais e conservadores, destacando-se dos demais bairros da Zona Norte por seu passado aristocrático, cujo extremo de identidade coletiva leva a população a criar o uso da expressão “tijucanos”, que não encontra equivalente em nenhum outro bairro da cidade.

Em 1976, são iniciadas as obras do Metrô, durando seis longos anos, mas hoje já é um sistema de transportes incorporado à vida do tijucano. A Tijuca se destaca historicamente por três aspectos: pelo seu pioneirismo na indústria, na educação e por abrigar marcos culturais da Cidade.

TODOS OS SANTOS

Inicialmente o Bairro era um prolongamento do Méier. A Estação Ferroviária de Todos os Santos, inaugurada em 1868, foi extinta no final da década de 1960. Dona Conceição Gomes, proprietária de uma chácara na área, doou terrenos, em 1872, para a construção da capela de Nossa Senhora das Dores. Gabriel Getúlio de Mendonça, proprietário local, abriu as ruas Todos os Santos (atual José Bonifácio), Leopoldina (Castro Alves), Almeida (Padre Ildefonso Penalva), a rua Getúlio, etc. É um bairro residencial cujas vias principais são as avenidas Amaro Cavalcanti e Arquias Cordeiro.

TOMÁS COELHO

A região pertencia ao antigo Engenho do Mato, contínuo ao Engenho da Rainha. Lá se encontravam as estradas Velha e Nova da Pavuna (atuais Ademar Bebiano e Av. João Ribeiro), que prosseguiam juntas em uma só via, atravessando a garganta entre o morro do Juramento e a serra da Misericórdia, rumo a Irajá. Essa passagem foi aproveitada pela Estrada de Ferro Rio D’ Ouro, quando de sua construção, no ano de 1876, e nela foi instalada a estação Engenho do Mato.

A E. F. Rio D’ Ouro foi extinta na década de 1960, mas o bairro continuou servido pelos trens da antiga Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil (atual linha auxiliar), com sua estação Tomás Coelho. Seu nome é uma homenagem ao Conselheiro Thomaz Coelho, Ministro da Guerra no 2º reinado (Dom Pedro II), que instalou o Colégio Militar na Tijuca, em 1889.

Com a construção da Linha 2 da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro – Metrô, foi inaugurada a estação de Tomás Coelho no dia 23 de setembro de 1996. Aí foi construído viaduto ligando a estrada Velha da Pavuna (Ademar Bebiano) a avenida Automóvel Clube (Pastor Martin Luther King Jr.) e a rua Silva Vale, que faz o acesso do bairro à Madureira.

Tomás Coelho é, em sua maior parte, um bairro residencial, com algumas indústrias na rua Silva Vale. Sua área se estende entre os morros dos Urubus, do Juramento e a serra da Misericórdia. Nessas encostas localizam-se comunidades como o Parque Silva Vale, Juramento, Nova Maracá e Juramento II, próximas a conjuntos habitacionais.

TURIAÇU

Corruptela de TURY ou TORY, “Facho” e AÇÚ, “grande, extenso”, significando “o fogaréu”, ou o “fogaréu feito de sapê”.

Na região, atravessada pela estrada do Otaviano – que se referia ao comerciante Otaviano José da Cunha, com estabelecimento no Largo do Otaviano -, ficava o Engenho do “Vira-Mundo”, o último grande fabricante de rapadura e cachaça, depois da decadência do Engenho de Portela.

Com a inauguração da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil (atual linha auxiliar), foi instalada a estação de Turiaçu em 1898, atualmente abandonada e não mais utilizada como ponto de parada dos trens.

Esse pequeno bairro, onde predominam as residências, se estende entre a linha férrea e as encostas do morro do Sapê. Atravessado pela faixa das linhas de transmissão de energia da Light, o bairro de Turiaçu tem grandes pedreiras desativadas no morro do Sapê e, como destaque, a indústria de produtos alimentícios Piraquê (biscoitos, macarrão, etc) situada na rua Leopoldino de Oliveira. Está dentro da zona de influência do centro de comércio e serviços de Madureira.

URCA

Estácio de Sá, sobrinho do Governador-geral Mem de Sá, fundou, em 1º de março de 1565, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em uma praia localizada entre os morros Pão de Açúcar e Cara de Cão. Ele construiu, na entrada da baía, uma fortificação composta por casinhas simples feitas de troncos de madeira e barro, cobertas de palha, ao lado das quais perfurou um poço para abastecimento de água potável. Ergueu uma capelinha, designou autoridades e criou uma hierarquia, nomeando o juiz, o alcaide-mor e o tabelião. Esta pequena paliçada, que recebeu o nome em homenagem a Dom Sebastião, rei de Portugal, constituiu o núcleo inicial da Cidade, estabelecendo as bases para sua colonização. Desta forma, o Rio de Janeiro começou em um estratégico istmo, localizado no que hoje conhecemos como o bairro da Urca.

Depois que Estácio de Sá combateu e expulsou os franceses, a Cidade foi transferida para o Morro do Castelo, situado no atual bairro do Centro. A área que hoje se conhece como o bairro da Urca foi criada entre 1910 e 1922, por meio de aterros, ao longo da orla voltada para a tranqüila enseada de Botafogo. O nome Urca tem origem no morro rochoso que lembrava um tipo de embarcação antiga usada pelos holandeses para transporte de carga.antiga usada  pelos holandeses para transporte de carga.

No inicio, existiam, apenas, as águas da enseada que acompanhavam o costão do Morro da Urca em sua face oeste. Por ele passava um caminho que levava ao Forte São João e que hoje corresponde à avenida São Sebastião.

Ao final do século XIX, o português Domingos Fernandes Pinto adquiriu uma pedreira escavada no Morro da Urca, onde só se podia chegar de barco. Depois, firmou com dois sócios, um contrato com a Intendência Municipal para implantação de um cais no local. Foi feito um enrocamento com uma ponte precária na área do “Quadrado da Urca”.

Em 1921, durante o governo do Prefeito Carlos Sampaio, foi concluído o “Quadrado da Urca”; inaugurada a avenida Portugal e aterrada a área cercada pela murada de granito ao longo da costa, até o portão do Forte. Nesta época foi feito, também, o atual arruamento.

Entre 1920 e 1923 foi criada, artificialmente, a Praia da Urca e erguido nela o “Hotel Balneário da Urca”. O Hotel, com 34 quartos, logo entrou em decadência e, em 1933, foi transformado no “Cassino Balneário da Urca” que, além de funcionar como um cassino, apresentava espetáculos, com grandes artistas nacionais e internacionais. Em 1946, no governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra, foram proibidos os chamados “jogos de azar” e, assim, o Cassino foi fechado.

Em 1952, se instalou, no local, o primeiro canal de televisão no Brasil, a TV Tupi, que permaneceu no ar até 1968. A partir desta data, o prédio foi abandonado. Recentemente foi adquirido pela Prefeitura e será uma Escola de Design.

A Urca é um bairro residencial, cortado por ruas arborizadas. A avenida Pasteur, antiga Praia da Saudade, abriga hoje o Iate Clube do Rio de Janeiro e as instalações da UNIRIO-Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto Benjamin Constant. Na Praia Vermelha, estão o Instituto Militar de Engenharia (IME), a Escola de Comando e Estado Maior do Exército, a pista de caminhada Cláudio Coutinho e a estação do primeiro estágio do Teleférico. Em um percurso de 1330 metros, sob cabos de aço, o mundialmente conhecido Bondinho leva milhões de turistas ao alto dos morros da Urca e Pão de Açúcar.

Estácio de Sá, sobrinho do Governador-geral Mem de Sá, fundou, em 1º de março de 1565, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em uma praia localizada entre os morros Pão de Açúcar e Cara de Cão. Ele construiu, na entrada da baía, uma fortificação composta por casinhas simples feitas de troncos de madeira e barro, cobertas de palha, ao lado das quais perfurou um poço para abastecimento de água potável. Ergueu uma capelinha, designou autoridades e criou uma hierarquia, nomeando o juiz, o alcaide-mor e o tabelião. Esta pequena paliçada, que recebeu o nome em homenagem a Dom Sebastião, rei de Portugal, constituiu o núcleo inicial da Cidade, estabelecendo as bases para sua colonização. Desta forma, o Rio de Janeiro começou em um estratégico istmo, localizado no que hoje conhecemos como o bairro da Urca.

Depois que Estácio de Sá combateu e expulsou os franceses, a Cidade foi transferida para o Morro do Castelo, situado no atual bairro do Centro. A área que hoje se conhece como o bairro da Urca foi criada entre 1910 e 1922, por meio de aterros, ao longo da orla voltada para a tranqüila enseada de Botafogo. O nome Urca tem origem no morro rochoso que lembrava um tipo de embarcação antiga usada pelos holandeses para transporte de carga.antiga usada  pelos holandeses para transporte de carga.

No inicio, existiam, apenas, as águas da enseada que acompanhavam o costão do Morro da Urca em sua face oeste. Por ele passava um caminho que levava ao Forte São João e que hoje corresponde à avenida São Sebastião.

Ao final do século XIX, o português Domingos Fernandes Pinto adquiriu uma pedreira escavada no Morro da Urca, onde só se podia chegar de barco. Depois, firmou com dois sócios, um contrato com a Intendência Municipal para implantação de um cais no local. Foi feito um enrocamento com uma ponte precária na área do “Quadrado da Urca”.

Em 1921, durante o governo do Prefeito Carlos Sampaio, foi concluído o “Quadrado da Urca”; inaugurada a avenida Portugal e aterrada a área cercada pela murada de granito ao longo da costa, até o portão do Forte. Nesta época foi feito, também, o atual arruamento.

Entre 1920 e 1923 foi criada, artificialmente, a Praia da Urca e erguido nela o “Hotel Balneário da Urca”. O Hotel, com 34 quartos, logo entrou em decadência e, em 1933, foi transformado no “Cassino Balneário da Urca” que, além de funcionar como um cassino, apresentava espetáculos, com grandes artistas nacionais e internacionais. Em 1946, no governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra, foram proibidos os chamados “jogos de azar” e, assim, o Cassino foi fechado.

Em 1952, se instalou, no local, o primeiro canal de televisão no Brasil, a TV Tupi, que permaneceu no ar até 1968. A partir desta data, o prédio foi abandonado. Recentemente foi adquirido pela Prefeitura e será uma Escola de Design.

A Urca é um bairro residencial, cortado por ruas arborizadas. A avenida Pasteur, antiga Praia da Saudade, abriga hoje o Iate Clube do Rio de Janeiro e as instalações da UNIRIO-Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto Benjamin Constant. Na Praia Vermelha, estão o Instituto Militar de Engenharia (IME), a Escola de Comando e Estado Maior do Exército, a pista de caminhada Cláudio Coutinho e a estação do primeiro estágio do Teleférico. Em um percurso de 1330 metros, sob cabos de aço, o mundialmente conhecido Bondinho leva milhões de turistas ao alto dos morros da Urca e Pão de Açúcar.

VARGEM GRANDE

As terras do bairro pertenciam à sesmaria de Gonçalo Correia de Sá, cuja filha dona Vitória, em ocasião de seu falecimento, doaria a extensa propriedade aos Monges Beneditinos. Ali, Frei Lourenço da Expectação Valadares criou, no século XVIII, a fazenda Vargem Grande, na antiga Estrada de Guaratiba, cujas ruínas ainda existem no “Sítio Petra”, número 10636, atual Estrada dos Bandeirantes.

Inicialmente, prevaleceu na região a cultura da cana de açúcar e, depois, o ciclo do café. Em 1891, os Beneditinos venderam todo seu latifúndio à Companhia Engenho Central de Jacarepaguá, daí ao Banco de Crédito Móvel, e, em 1936, à Empresa Saneadora Territorial Agrícola.

A pavimentação da estrada de Guaratiba (Bandeirantes), somada à ampliação do caminho sinuoso da Grota Funda facilitou o acesso à região. Obras de saneamento foram realizadas nos extensos alagadiços dos campos de Sernambetiba, destacando-se a abertura do Canal de Sernambetiba, que captou as águas dos rios Paineiras, Morto, Portão, Cascalho, Bonito etc.

A partir da década de 1990, a paisagem agrícola de Vargem Grande foi alterada por um surto de urbanização. A partir do núcleo urbano inicial surgiram novos loteamentos e condomínios e comunidades de baixa renda como a Vila Cascatinha, somando-se às comunidades do rio Morto e da Beira do Canal.

A imagem de um bairro rural, ligado à natureza, com a esplêndida paisagem florestal do Maciço da Pedra Branca ao fundo, terminou por transformar a região em um pólo de ecoturismo, onde passeios a cavalo, aluguel de sítios, criação de plantas ornamentais e trilhas rústicas somam-se a outros dois fatores de atração: o “Pólo Gastronômico” – com restaurantes rústicos, variados, destacando-se o Gepetto, Quinta, Jardineto, Skunna, Barreado, Gugut etc – e o “Rio Water Planet”, inaugurado em 1998, o maior parque aquático da América do Sul, com mais de 30 atrações diferentes em 400.000 m2 de área.

Grande parte do bairro de Vargem Grande é abrangido pelo Parque Estadual da Pedra Branca que, com seus 12.500 hectares, é considerado a maior floresta urbana do mundo. Destaca-se o Morro de Santa Bárbara (857 metros), o Pico da Pedra Branca (1025 metros) – ponto culminante do Município – a Serra do Rio da Prata (divisa com Campo Grande), os Morros do Cabungui, dos Caboclos, Toca Grande, Toca Pequena, Pico do Morgado, etc, com altitudes entre 500 e 1000 metros. Seu acesso de dá pelas estradas do Morgado, Pacuí, Cabongui, da Mucuíba e do Sacarrão, de onde partem trilhas em direção aos vales do Sacarrão, Cafundá e do Gunzá, com rios encachoeirados, em meio a Mata Atlântica e alguns bananais. Daí são feitas travessias em direção aos bairros de Guaratiba e Campo Grande, pelos antigos caminhos usados pelos sitiantes e tropeiros, com suas mulas e produtos agrícolas.

Destacam-se, ainda, em Vargem Grande, o Haras Pégasus, o templo da Sociedade Budista Tibetana “Karma Teksum Chokorling” e o complexo “Recnov”, da Rede Record, para gravações de tele-novelas, em 73.000 m2 de área.

VARGEM PEQUENA

Localizada na extensa baixada de Jacarepaguá, Vargem Pequena compreende as planícies alagadiças dos campos de Sernambetiba, cortadas pelos canais do Portelo e do Cortado. O bairro estende-se até o Maciço da Pedra Branca, no trecho denominado Serra Alto do Peri e Sacarrão, e abrange a Pedra de Ubaeté, ou Calembá, cuja encosta norte é ocupada pela pedreira “Ibrata”, cuja autorização de funcionamento data de 1o de março de 1973, em área com mais de 50 hectares.

A região era parte da enorme sesmaria de Gonçalo Correia de Sá, proprietário do Engenho do Camorim, dado a sua filha D. Vitória de Sá, em 1625, e, como dote, a seu marido Dom Luiz de Céspedes (governador geral do Paraguai), em 1628. Com a morte de D. Vitória, em 1667, a propriedade seria deixada para os Monges Beneditinos, que dividiram o Engenho do Camorim, criando a fazenda de Vargem Pequena. Lá, em 1766, o padre Frei Gaspar de Madre de Deus construiu a igreja de N. Sra. do Pilar, atual N. Sra de Monte Serrat, tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico, no alto de elevação com bela vista da planície vizinha.

Em 1678, Frei Bernardo de São Bento, monge-arquiteto do Mosteiro de São Bento, traçou a primeira estrada de acesso da região, a “Estrada Velha do Engenho”, que interligava as propriedades dos Beneditinos. Essa estrada teria os nomes de Pavuna, Curicica e de Guaratiba e hoje corresponde à estrada dos Bandeirantes. Em 1710, o Corsário Francês Duclerc passaria pela estrada aberta pelos Beneditinos com seus soldados para atacar a cidade do Rio de Janeiro.

Durante dois séculos, os Beneditinos exploraram a região com a criação de gado, cultivo da mandioca e preparo da farinha, coadjuvantes do cultivo da cana-de-açúcar, que gerava um pólo de cultura açucareira. Com o surgimento do ciclo do café, sítios e chácaras passaram a cultivá-lo intensamente. Em Vargem Pequena se concentrava uma pequena população, composta de sitiantes dos Beneditinos, cuja produção se comprometia com a Ordem, sediada no Centro da Cidade.

Em 1891, todas essas terras da ordem dos Beneditinos foram vendidas à Companhia Engenho Central de Jacarepaguá, sendo repassadas ao Banco de Crédito Móvel. Os lavradores, não reconhecendo o direito do Banco, fundaram a Caixa Auxiliadora dos Lavradores de Jacarepaguá e Guaratiba.

Na década de 1930, ocorreu um aumento da venda de terrenos, e, após 1936, a Empresa Saneadora Territorial Agrícola, de Francis Walter Hime, passou a fazer o saneamento, loteamento, venda e administração da localidade.

De características rurais, com planícies, montanhas, sítios e casas de veraneio, Vargem vem ganhando feições urbanas com o surgimento de grandes loteamentos e condomínios ao sul da estrada dos Bandeirantes, que ocupam as áreas alagadiças em direção ao canal do Portelo. Completam o quadro as comunidades de baixa renda como Palmares e Monte Serrat, um pequeno Shopping Center construído na estrada dos Bandeirantes e empreendimentos ao longo da estrada Boca do Mato, acesso interno da região. Nessa via, a Universidade Estácio de Sá implantou seu curso de medicina veterinária, criado, em 1996, no campus Vargem Pequena.

O bairro possui áreas de lazer voltadas para eventos, eco-turismo e parques aquáticos, destacando-se a Fazenda Alegria, em reserva florestal de 1 milhão de m2, e o Sítio Lagedo com 300 000 m2. Acima da cota dos 100 metros, situa-se o Parque Estadual da Pedra Branca, que abrange a Serra Alto do Peri, o Sacarrão Pequeno (379 m), o Pico do Sacarrão (699 m) e a Pedra Rosilha (472 m).

VASCO DA GAMA

Em 1998, ano do centenário do Clube de Regatas Vasco da Gama, um projeto transformou a área onde fica a Sede/Estádio do clube e suas adjacências, incluindo a Comunidade “Barreira do Vasco”, no bairro Vasco da Gama. Seu estádio foi inaugurado em 1927 e é, popularmente, chamado de São Januário.

O novo bairro foi desmembrando do bairro de São Cristóvão. Seus primeiros moradores, a maioria imigrantes portugueses, chegaram ao local por volta de 1920.

VAZ LOBO

A região, na freguesia de Irajá, era atravessada pela estrada da Penha, que depois recebeu o nome de estrada Marechal Rangel e é, hoje, a avenida Ministro Edgar Romero. Grandes chácaras, onde se cultivava café, aipim e batata doce, entre os morros do Sapê e da Serrinha, ocupavam a área. Uma delas, a do Capitão-Tenente José Maria Vaz Lobo, no cruzamento com a estrada de Irajá (av. Monsenhor Félix) deu nome ao largo e ao bairro.

VICENTE CARVALHO

A região pertencia à freguesia de Irajá, abrangendo terras do Engenho do Mato, de Dona Maria de Abreu Rangel, que em 1741 o doou aos seus netos, antepassados do Marechal Rangel. Esse engenho se estendia até os atuais bairros de Tomás Coelho e Engenho da Rainha.

O nome do bairro se refere a um fazendeiro local, Vicente de Carvalho, que denominaria também a estrada e a estação da Estrada de Ferro Rio D’ Ouro, implantada na segunda metade do século XIX. Posteriormente, a região passaria para Lucas da Silva, e, deste, para a viúva Carolina Machado e, depois, para a família Rangel Vasconcelos. Em 1890 tudo foi comprado e loteado pela Companhia de Colonização Agrícola do Visconde de Moraes e do Conde Modesto Leal.

A estação Vicente de Carvalho da E. F. Rio D’Ouro foi inaugurada em 15 de janeiro de 1883. Com a extinção desse ramal, seu leito foi aproveitado pela linha 2 da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro – Metrô, sendo implantada a estação Vicente de Carvalho em 1996.

Os acessos principais do bairro são a avenida Pastor Martin Luther King Jr. (Automóvel Clube), antiga estrada da Pavuna, e a avenida Vicente de Carvalho, antiga estrada da Penha.

A favela do morro do Juramento, marco de referência no bairro, começou a ser ocupada em 1945 com a demarcação dos lotes feita à noite, para evitar a presença da polícia. Os primeiros barracos de madeira começaram a ser erguidos na década de 1950 e, com a construção de uma igreja católica, o local passou a se denominar “igrejinha”. Na década de 1960, a ocupação se intensificou e, em 1967, foi fundada a Associação de Moradores e, com ela, chegaram rede de água e de esgoto, reservatórios de água, acessos pavimentados e serviços de assistência médica/dentária. A comunidade ocupa uma área de 290 mil metros quadrados, distribuídos nas localidades do Rodo, Centro, Miolo, Igrejinha e Lazer.

Vicente de Carvalho é predominantemente residencial, com grandes hipermercados (o antigo Carrefour reabriu como “Atacadão” em 2007) e o “Carioca Shopping”, inaugurado em 8 de maio de 2001.

VIDIGAL

O major de milícias e intendente da polícia Miguel Nunes Vidigal, de grande influência no Primeiro Império, recebeu dos monges beneditinos em 1820, extensas terras que iam das encostas da Pedra Dois Irmãos até o mar, onde construiu a Chácara do Vidigal. Em 1886, seus herdeiros venderam a propriedade ao Engenheiro João Dantas.

O acesso à área se dava pelo tortuoso caminho da Chácara do Céu, que vinha do Leblon. Só em 1913, o Professor Charles Armstrong aproveitou o leito abandonado do projeto cancelado de uma ferrovia litorânea, para servir de caminho ao seu Colégio Anglo-Brasileiro no Vidigal. Em 1919 o Prefeito Paulo de Frontin alargou e prolongou o Caminho de Armstrong criando a panorâmica Avenida Niemeyer, em homenagem ao Comendador Conrado Jacob Niemeyer. Nela, em 1922, foi construído o Viaduto Rei Alberto sobre os arcos da Gruta da Imprensa. Em 1968, foi iniciada a construção do Hotel Sheraton junto a Praia do Vidigal.

Os primeiros barracos da comunidade local – então conhecida como Favela da Rampa da Niemeyer – surgiram na década de 1940. Entre 1965 e 1985, a comunidade do Vidigal se expandiu ao longo da Estrada do Tambá e hoje, junto com a Comunidade Chácara do Céu – menor e mais próxima ao Leblon e ao penhasco -, abriga mais de 75% da população do bairro.

No final da década de 1970, o caso do Vidigal se tornou um marco na resistência à remoção de favelas. Em plena ditadura militar, a associação de moradores, com o apoio dos advogados da Pastoral de Favelas – entre eles os juristas Sobral Pinto e Bento Rubião -, conseguiu evitar que os barracos da parte baixa da favela fossem destruídos para dar lugar à construção de empreendimento de alto luxo. Após intensa luta, os moradores conseguiram apoio político e popular que culminou com a edição, em 1978, de decreto de desapropriação da área para fins sociais, assinado pelo Governador Chagas Freitas, que afastou de vez o perigo da remoção. Em 1980, o Papa João Paulo II visitou e abençoou a comunidade.

VIGÁRIO GERAL

Nas terras pantanosas que pertenciam originalmente à freguesia de Irajá, havia uma grande fazenda, a Fazenda Nossa Senhora das Graças, onde ficava o Engenho do Vigário Geral, também conhecido como “Engenho Velho”, próximo ao rio Meriti. Esse “Vigário Geral” seria o Cônego Dr. Luiz Borges da Silva Oliveira, dono do Engenho Nossa Senhora das Graças na segunda metade do século XVIII, embora existam fontes citando o monsenhor Félix de Albuquerque ou o Padre Dr. Clemente de Matos, ambos donos do Engenho de Irajá, como o “Vigário Geral” que deu nome ao bairro.

Com a extinção do Engenho, a fazenda virou propriedade do deputado e médico Dr. Bulhões Marcial que, a partir de 1910, resolveu lotear suas terras morro acima, abrindo ruas. Em 05 de outubro de 1910, a Estrada de Ferro Leopoldina (antiga Estrada de Ferro do Norte) montou um barracão como parada do trem para atender a população, inaugurando a estação do “Velho Engenho”, posteriormente estação do Vigário Geral.

Vigário Geral ocupa grande área desde a rua Bulhões Marcial (antiga estrada Rio-Petrópolis) até junto à rodovia Presidente Dutra, onde depois foi loteado o “Jardim América”. Atualmente o bairro contém centenas de empresas – é considerado o segundo pólo industrial e de serviços do Município -, clubes sociais, praças públicas (com destaque para a Catolé da Rocha e seu coreto tombado pelo Patrimônio Histórico), um pequeno comércio, três associações de moradores, uma escola de samba e uma grande estação de tratamento sanitário, a “Usina de tratamento da bacia do rio Pavuna”, que faz parte do projeto de despoluição da Baía de Guanabara.

Desde 2000 o bairro faz parte da então criada XXXI Região Administrativa-Vigário Geral, que inclui ainda Jardim América, Cordovil e Parada de Lucas. No limite com Jardim América, foi implantado pela CEHAB, na década de 1960 (governo Carlos Lacerda), o Conjunto Habitacional “Vila Esperança”, para moradores de baixa renda.

O Parque Proletário de Vigário Geral está localizado à leste da linha férrea e sua ocupação iniciou-se no final dos anos 1950. Muitos ferroviários vieram morar no local, cujo terreno pertencia a Estrada de Ferro Leopoldina, e foi então fundada a Associação de Moradores de Vigário Geral. O fornecimento de luz foi regularizado em 1984 e a distribuição de água implantada em regime de mutirão. Destacam-se no bairro a presença do grupo cultural Afro Reggae, da ONG Casa da Paz e da organização Médicos Sem Fronteiras. Para facilitar o acesso, foi construído viaduto sobre o ramal ferroviário, ligando a comunidade à rua Bulhões Marcial.

VILA COSMOS

A Companhia Urbanizadora Imobiliária Kosmos, construiu o loteamento Vila Florença, implantada em 1930, nas terras do Dr. Guilherme Guinle, situadas entre a estrada Vicente de Carvalho e a Serra da Misericórdia. Atualmente, em suas proximidades, ficam o Hipermercado Carrefour, o Carioca Shopping e a estação do metrô Vicente de Carvalho. É um bairro essencialmente residencial, atravessado pela Avenida Meriti.

VILA DA PENHA

As pedras do rio Irajá formavam barreiras e obstáculos aos colonizadores que navegavam com destino a Irajá. Assim, os viajantes eram obrigados a interromper sua jornada no local onde hoje fica a Vila da Penha e prosseguir por terra. A partir de 1600, pequenas casas, pomares e hortas surgiram na região, atravessada pelo rio Quitungo (afluente de Irajá).

A expansão do bairro iniciou-se por volta de 1920, quando já existiam fazendas e engenhos de açúcar e proprietários iniciaram o loteamento e desmembramento de seus terrenos. O Projeto de Arruamento e Loteamento (PAL) da “Vila Penha”, de propriedade da “Empresa Industrial de Melhoramentos do Brasil”, elaborado em 1927/1930 e alterado em 1936, consolidou a urbanização do bairro, abrangendo vários logradouros cortados pela estrada do Quitungo, avenida Meriti e estrada Brás de Pina (atual Av. Brás de Pina).

No entroncamento das avenidas Meriti e Brás de Pina encontram-se o “Largo do Bicão” (atual Praça Rubey Wanderlei), assim chamado por ter abrigado uma grande torneira pública no início do século XX, que servia aos moradores das redondezas. Atualmente o Largo é constituído por uma praça, com expressivo Centro Comercial, contendo bancos, bares e supermercados.

A inauguração do Carioca Shopping em 2001, na divisa com Vicente de Carvalho, trouxe importante centro de lazer e serviços a esse bairro, predominantemente residencial, um dos mais valorizados dos subúrbios e da Zona Norte.

VILA ISABEL

Todas as terras de Vila Isabel eram da Fazenda do Macaco, limitada pelo Rio Joana, pelo Caminho do Cabuçu (atual rua Barão do Bom Retiro) e pela Serra do Engenho Novo. Dom Pedro I a presenteou à Imperatriz D. Amélia de Beauharnais, Duquesa de Bragança, sendo freqüentes os passeios do casal ao local. Com a volta de Dom Pedro a Portugal, a fazenda ficou abandonada, sendo atingida pela epidemia de cólera morbus de meados do século XIX. A região se situava na rota de passagem entre os Engenhos Velho e Novo dos Jesuítas, sendo cortada por dois caminhos principais: o do Cabuçu e o do Macaco.

O Barão João Batista de Viana Drummond, reconhecendo o potencial comercial da área, procurou o Ministro do Império, Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, solicitando permissão para estabelecer uma linha de ferro-carril ligando a Fazenda do Macaco ao Centro da Cidade. Em 1872, o Barão de Drummond comprou a fazenda e montou (em sociedade com o Visconde de Silva, o Barão de São Francisco Filho, Bezerra de Menezes e Temístocles Petrocochino) a “Companhia Arquitetônica de Villa Izabel” para a promoção de loteamento, para o qual contratou projeto do Engenheiro Francisco Bittencourt da Silva. Assim, em 1873, nascia o primeiro bairro planejado da cidade. Bittencourt da Silva fez o levantamento do terreno e elaborou a planta do loteamento “Villa Izabel” – em homenagem à Princesa Isabel -, com 13 ruas projetadas, uma grande avenida arborizada, o “Boulevard” 28 de Setembro (aproveitando o antigo Caminho do Macaco), e uma praça central, a Sete de Março (atual Barão de Drummond).

Entre 1873 e 1875, a Companhia Ferro-Carril de Vila Isabel estendeu as linhas de bonde para Vila Isabel, inicialmente de tração animal. Em 1909, foi inaugurada a Estação de Bondes de Vila Isabel, já com tração elétrica.

Dotado de um Jardim Zoológico (nele foi criado, em 1884, o “Jogo do Bicho”), o bairro contava com os Clubes Vila Isabel F.C. (1912), Confiança Atlético Clube (1915) e, mais tarde, a atual Associação Atlética Vila Isabel (1950). Na primeira metade do século XX, foram erguidos a Igreja N. S. de Lourdes (entre 1919 e 1943), o Convento da Ajuda (1920) e a Igreja de Santo Antonio de Lisboa (1902), no alto do morro de mesmo nome, a 71 metros de altitude.

Vila Isabel abrigou uma das fábricas mais antigas da Cidade, a Companhia de Fiação e Tecidos Confiança, desativada em 1964. Hoje, o prédio remanescente do conjunto fabril – onde está instalado o Supermercado Boulevard – e casas da vila operária no seu entorno fazem parte de Área de Proteção do Ambiente Cultural municipal.

O bairro, cantado em sambas famosos em todo o Brasil, teve entre seus ilustres moradores Noel Rosa – o grande compositor profundamente identificado com o espírito e o charme de Vila Isabel -, João de Barro e Orestes Barbosa. Outra referência importante é Martinho da Vila, cuja história se confunde com a da tradicional Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, campeã do carnaval carioca de 1988.

VILA MILITAR

No início do século XX, os batalhões e regimentos da cidade se concentravam próximos ao Centro, em São Cristóvão, no Campo de Santana, no antigo Arsenal de Guerra (atual Museu Histórico), na Fortaleza de São João e na Praia Vermelha. O Marechal Hermes da Fonseca resolveu então transferir os 6 (seis) batalhões do primeiro e segundo Regimentos de Infantaria para uma nova vila militar na zona suburbana, que pudesse se interligar com as unidades de Realengo. No governo Afonso Pena, as fazendas e engenhos de Sapopemba, Gericinó, Engenho Novo da Piedade, da Água Branca, do Cabral, do Monte Alegre, entre outros, começaram a ser desapropriadas nos vastos campos entre Deodoro e os limites com a Baixada Fluminense.

Os primeiros quartéis da Vila Militar – o do primeiro e do segundo Regimentos de Infantaria -, as casas de administração e os depósitos de munição foram construídos pelo tenente engenheiro Palmyro Serra Pulcherio. As obras terminaram 1910 e a Vila Militar foi inaugurada em 1912. A partir de 1915, novos quartéis e residências para militares foram construídos ao longo da avenida Duque de Caxias, formando, ao longo do tempo, o maior aquartelamento do Brasil e a maior concentração militar da América Latina, com mais de 60.000 homens.

No ramal ferroviário de Mangaratiba (atual ramal de Santa Cruz), foi inaugurada a estação Vila Militar, em 18 de agosto de 1910, com seu belo prédio em estilo inglês, semelhante ao da Estação de Marechal Hermes.

Destacam-se no bairro os prédios dos regimentos Sampaio, Andrade Neves, Avaí, o campo de instrução de Gericinó, o Hospital da guarnição da Vila Militar, os regimentos Floriano, de cavalaria mecanizada, entre outros.

Por ocasião dos Jogos Pan-Americanos Rio-2007, foi construído o Centro Esportivo Deodoro, que utilizou área do tradicional Círculo Militar Deodoro, na Vila Militar, para disputa das modalidades de hipismo, pentatlo moderno, hóquei sobre grama, entre outras, mantendo como instalações permanentes os centros nacionais de hipismo e de tiro esportivo

VILA VALQUEIRE

No passado, era ocupado pelo Engenho Valqueire, desmembrado das terras do antigo Engenho de Fora, onde existia grande quantidade da árvore “pau ferro”. A origem do nome “Valqueire” deve-se ao proprietário dessas terras, nos meados do século XVIII, Antonio Fernandes Valqueire. A sede do Engenho ainda existe em ruínas, e sua mais antiga construção é a Igreja São Roque, próximo à estrada do Macaco (atual rua Quiririm).

O Engenho do Valqueire teve como ocupante, Francisco Teles, avô de Geremário Dantas (nascido no local) e os herdeiros de Francisco em 1927, lotearam abrindo arruamento, por intermédio da Companhia Predial, dando o nome de Vila Valqueire ao novo bairro.

O engenheiro Alencar Lima, autor do projeto, abriu ruas bem largas com nome de flores, rua das Rosas, das Margaridas, das Verbenas, etc, cruzado pela rua Luis Beltrão, com a acolhedora Praça Saiqui, tornando o Valqueire um aprazível e valorizado bairro.

VISTA ALEGRE

Projeto imobiliário com o nome “Jardim Vista Alegre” que, em 1954, criou arruamento e loteamento em grande terreno entre a Estrada da Água Grande, a Avenida Brás de Pina e a faixa da Light, na região de Irajá, onde foram construídas 400 casas. Em sua periferia existiam chácaras com hortas, verduras, fazendolas e um grande pântano, repleto de rãs, onde foi construído o chamado “Bairrinho”.

Vista Alegre, um dos menores bairros da cidade, é predominantemente residencial e abriga a “Lona João Bosco”, o Grêmio Vista Alegre, a Praça Jardim Vista Alegre e o Parque José Orlando Bernardes. O comércio situa-se nos bairros vizinhos de Irajá e Vila da Penha, concentrado na Praça Rubey Wanderlei (Largo do Bicão). Na época em que foi implantado, o bairro era chamado de “Novo Brás de Pina”.

ZUMBI

O nome significa TUMBY, “As Cadeiras, As Ancas Femininas”, devido ao formato da praia, dado pelos indígenas. Por estar localizado entre o Rio Jequiá e a Baía em estreita faixa de terra, foi originalmente uma área alagadiça. As atividades nos primórdios da ocupação eram a pesca, a produção de cal (trituração de mariscos em fornos apropriados). Quanto à lavoura, não existem registros.

O bairro é um dos mais antigos da Ilha do Governador e na metade do século XIX já estava bastante ocupado, contando com estabelecimentos comerciais. Por volta de 1870, foi criada uma das primeiras escolas da região, para meninos, com 36 alunos. Dessa época é o teatrinho particular que funcionou na rua Serrão, de 1872 a 1877, cujo proprietário era o dono da fazenda da Ribeira. Em 1898, a Companhia Cantareira e a Viação Fluminense implantaram o acesso marítimo regular para a Ilha, com uma das pontes no Zumbi.

Em 1900 a Ilha teve o seu primeiro jornalzinho, “O Suburbano”, com sua redação /administração na praia do Zumbi, seus redatores eram Hilário da Rocha, Manuel Cândido da Silva, Antonio Matos Ferreira e Pio Dutra. Sua juventude se reunia no Café e Bilhares de José Arsênio, no Zumbi. Na década de 1920, surgem os primeiros projetos de alinhamentos, como os das ruas Gaspar de Souza e Pojuca e, em 1928, é aprovado projeto de loteamento, com a abertura da rua Manuel Bonfim. Os bondes, vindos da Ribeira, começaram a circular em 1922, até a sua extinção em 1964.

Atualmente, o Zumbi é um pequeno bairro residencial, com comércio local, situado entre a estrada do Rio Jequiá e a Baía de Guanabara. Nele ficam o Batalhão da PM Luis Alves de Lima e Silva, a Escola Municipal Cuba, o Posto de Saúde Necker Pinto, o Parque Almirante Sousa e Melo, a praia do Zumbi, e o Jequiá Iate Clube, fundado em 19/12/1919, antigo Jequiá Football Club (chegou a disputar o Campeonato Carioca de 1936).

Faça o primeiro comentário a "HISTÓRIA DOS BAIRROS DO MUNICíPIO DO RIO DE JANEIRO"

Comentar

O seu endereço de email não será publicado.


*