O NASCIMENTO DA ANTROPOLOGIA

O termo antropologia deriva do grego, fruto das palavras: antropos=homem, e logia=estudo. Assim, antropologia significa a ciência do homem, da humanidade e da cultura.

Seu campo de estudo é bem amplo, envolve todos os povos organizados socialmente em todos os períodos históricos. Divide-se em antropologia física ou biológica e antropologia cultural.

         Embora seja uma ciência relativamente nova, ela já existia no período da filosofia pré-socrática, já que alguns filósofos já estudavam as relações sociais entre as pessoas. Todavia, foi somente na Antiguidade Clássica que as relações humanas passaram a ser tema de debates. Diversos povos, como chineses, gregos e romanos, fizeram registros sobre outras culturas. Assim, a antropologia já existia nesse período, mas não de forma organizada nem como ciência.

         Os estudos que existiam até o século XVIII, sobre povos primitivos, baseavam-se em relatos e informações de viajantes, comerciantes e missionários, isto é, pessoas leigas no aspecto antropológico, que desconheciam a realidade daqueles povos. Só a partir do século XVIII, no tempo do pensamento iluminista, que a antropologia se tornou uma ciência que estuda o ser humano no seu ângulo cultural.

         No século XIX, quando Charles Darwin lançou duas obras importantes – “A origem das espécies”, em 1859, e a “A descendência do homem”, em 1871 – provocam o surgimento da teoria evolucionista e, como efeito, a antropologia biológica ou física, que via os povos aborígenes como primitivos, e a sociedade europeia como o auge da evolução. Assim, acreditava-se que os europeus eram superiores aos aborígenes, daí a consideração que era justa a dominação europeia sobre esses povos “inferiores”. Essa é uma visão etnocêntrica.

Até o século XX, aceitava-se que as diferenças biológicas existentes entre as pessoas levavam a um diferença cultural, predominando a ideia de sociedade primitiva e complexa, seguindo uma linha evolutiva.

         A partir de 1927, em Paris, a antropologia se tornou uma disciplina de ensino. No entanto, alguns episódios a precederam, conforme a explanação a seguir.

         O antropólogo e etnólogo estadunidense Lewis Henry Morgan (1818-81) já havia precedido os estudos antropológicos, ao concretizar uma pesquisa de campo entre os indígenas iroqueses dos EUA. Nesse estudo, coletou material valioso para sua reflexão sobre cultura e sociedade. Morgan é considerado um dos fundadores da antropologia moderna.

         Teve também, no final do século XIX, o antropólogo Franz Boas (1858-1942) coordenou uma equipe de observadores treinados no aspecto antropológico para participarem de uma expedição à ilha de Baffin (Baffinland), no norte do Canadá. Nessa ilha, durante os anos 1883 e 1884, estudou os esquimós, e desenvolveu importantes teorias antropológicas evolucionistas.

         E no fim, Bronislaw Kasper Malinowski (1884-1942), no século XX, faz com que a antropologia avance ainda mais, com seu método da “observação participante”. Ele estudou diferentes tribos da Austrália, EUA, África e México. Ele é considerado o “pai do funcionalismo”, pois fundou a escola funcionalista, abandonado o evolucionismo, que mais tarde será duramente combatido pelo estruturalismo.

O QUE É ANTROPOLOGIA SOCIAL?

         Antropologia social é chamada também de antropologia cultural. Esse ramo da antropologia tem como objeto de estudo o ser humano na sociedade em seu aspecto cultural: formas de comunicação e tipos de organização familiar entre outros.

         A antropologia cultural investiga a origem, o desenvolvimento, a história e a estrutura da cultura.

         Os seres humanos se diferenciam dos outros animais em decorrência do aspecto cultural, isto é, do padrão de comportamentos socialmente aprendidos, e pela possibilidade de transmitir sua herança social ou cultural.

         Malinowski revolucionou a antropologia ao iniciar um método totalmente novo para a investigação de campo: o funcionalismo.

O funcionalismo predomina na antropologia social e na sociologia do século XX, colocando em questão a necessidade de se fazer um estudo da sociedade em sua totalidade de estruturas sociais e culturais interdependentes. Cada uma delas tem uma função, sendo primordial a observação do participante.

         Nas relações sociais, as funções eram vistas como obrigações e seriam o apoio da estrutura social. O funcionalismo é essencialmente o estudo das funções e de suas consequências.

         Durante o século XIX, autores como o inglês Herbert Spencer (1820-1903), Fustel de Coulanges (1830-89) e até mesmo Augusto Comte priorizaram teorias comportamentais baseadas na ideia de que a sociedade liga-se a organismos em que as partes (instituições) mantêm a vida da sociedade.

         Émile Durkheim, em 1895, esboça a teoria do funcionalismo em sua obra “As regras do método sociológico”.

         Entre 1920 e 1930, o britânico Radcliffe-Brown (1881-1955) e Bronislaw Malinowski desenvolvem o funcionalismo. Para Malinowski, o pesquisador deve em primeiro lugar observar os pormenores da vida social e da cultura estudada, para só depois interpretá-la.

         Embora ambos sejam funcionalistas, Malinowski destacava a necessidade do indivíduo, enquanto no funcionalismo de Radcliffe-Brown era priorizada a possível necessidade de um sistema social.

         Os principais representantes do funcionalismo são: Bronislaw Malinowski, Radcliffe-Brown, Raymond Firth, Talcott Parsons, Robert Merton, Émile Durkheim e Herbert J. Gans.

         O funcionalismo predominou durante o século XX, mas foi ultrapassado pelo estruturalismo.

         O estruturalismo fez surgir uma nova abordagem antropológica, denominada estruturalismo, que surgiu com o francês Claude Lévi-Strauss, na década de 1940. Opõe-se ao funcionalismo pelo fato de acreditar que para se entender a sociedade é necessário identificar os dados empíricos.

         Para o estruturalismo, as culturas são definidas como sistema de símbolos que são partilhados e estruturados por meio de princípios norteadores do funcionamento intelectual.

         Na década de 1960, o estruturalismo ganhou mais expressão com os franceses Jacques Lacan (1901-81), Roland Barthes (1915-80) e Jacques Derrida (1930-2004), que estenderam o estruturalismo a outras ciências. Desde essa época, o estruturalismo foi sendo aplicado a outras áreas do conhecimento. Atualmente, o estruturalismo foi substituído pelo pós-estruturalismo e pelo desconstrutivismo.

         Claude Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas, na Bélgica, em 1908. Sua família judia era constituída de intelectuais. Iniciou seus estudos acadêmicos na Universidade de Paris, onde estudou Filosofia e Direito. Professor de Filosofia até 1934, quando passou a ser professor de Sociologia no Brasil, na Universidade de São Paulo, até 1937.

         Strauss entendeu que a sua vocação estava com a etnologia e, durante sua permanência no Brasil, fez várias expedições ao Brasil central, onde investigou os indígenas e seus costumes.

         Em 1936, publicou seu primeiro trabalho antropológico: um estudo sobre os índios bororos. Depois, retornou à França, mas entre 1938 e 1939 fez outra viagem ao Brasil.

         Strauss é considerado o fundador do estruturalismo, pois usou esse método em seus estudos. Para ele, o “estruturalismo é a procura por harmonia inovadoras”. Strauss ficou conhecido mundialmente como o fundador da antropologia moderna.