POSITIVISMO OU ORGANICISMO

            Foi a primeira corrente de pensamento sociológico que estabeleceu cientificamente princípios relativos aos seres humanos e à sociedade.

            O positivismo difundiu-se a partir de meados do século XIX e teve como primeiro mentor e pensador Augusto Comte (1798-1857). Como ciência da sociedade, pensamento de Comte estabeleceu conceitos e metodologia de investigação científica da natureza humana e da sociedade.

            O positivismo buscava o porquê das coisas por meio da razão humana. Também procurava a explicação da natureza por meio das leis naturais, diferente dos antigos pensadores, que explicavam a realidade humana a partir de acontecimentos exteriores aos seres humanos.

            Essa corrente de pensamento está ligada a questões humanas e reconhece a existência de princípios reguladores do mundo físico e do mundo social. Por derivar do cientificismo, o conhecimento positivista teve a finalidade de substituir antigos conceitos teológicos e filosóficos da explicação da realidade humana.

            O positivismo reconhecia que os princípios reguladores do mundo físico e do mundo social são diferentes quanto a sua essência.

            Foi através do pensamento positivista que os primeiros cientistas sociais se sentiram atraídos para o método de investigação. Comte denominou de física social as suas investigações da sociedade, antes de aplicar o termo sociologia.

            A corrente social positivista procurava explicações na vida social, da mesma maneira que os cientistas procuravam explicar a vida natural.

            Para os positivistas, a sociedade era um organismo composto de diferentes partes integradas e harmônicas. Por esse motivo era também denominado organicismo. Na realidade, Comte se colocou contrário ao pensamento de Karl Marx, pois negou a luta de classes. Pregava em seus estudos que a sociedade, apesar de se dividir em classes sociais, deve ser comandada por “homens capazes” – a burguesia – enquanto que os “incapazes” – o proletariado – deveriam se submeter à ordem dos “capazes”. Ele ratificava o seu pensamento afirmando que os empreendedores (burgueses) são vitais para o progresso econômico, assim como os trabalhadores, que colaboram para esse desenvolvimento. Só assim, todos ganhariam. Esse discurso favorecia, é claro, a burguesia, a classe que detinha o controle do capital.

            No Brasil, o positivismo foi trazido por alguns estudantes que foram completar seus estudos na França. Aqui no Rio de Janeiro, capital da monarquia e depois da república, que o pensamento de Comte foi mais notável, especialmente no processo de abolição da escravatura quanto no golpe civil-militar que derrubou a monarquia, que ficou conhecido como Proclamação da República, em 1889, onde o destaque ficou por conta do coronel Benjamim Constant.

O positivismo teve bastante adesão no seio da alta oficialidade do exército e algumas camadas da burguesia brasileira, que se empenharam no movimento republicano no final do século XIX. Toda a alta oficialidade havia virado as costas ao imperador D Pedro II, acreditando que eles eram os únicos preparados para governar o país de forma eficiente. Apesar de unidos na causa republicana, os militares, a burguesia e os intelectuais brasileiros se desentendem após a proclamação da república, já que os militares tinham essa visão (positivista) de que eram os mais preparados para governar.

Ao fazer uso do lema “ordem e progresso”, os republicanos e bem mais a frente os militares que tomaram o poder a partir de 1964, incutiam na população brasileira que, para haver progresso, seria necessário ter a “ordem”. Esse pensamento serviu para os militares reprimirem violentamente todos aqueles que questionavam a ditadura.

Houve no Brasil dois tipos de positivismo: um positivismo ortodoxo, mais conhecido, ligado à Religião da Humanidade e apoiado pelo discípulo de Comte Pierre Laffitte, onde teve grande influência na formação da república. O casamento civil e a separação da igreja e do estado também são algumas conquistas dos positivistas no governo; e positivismo heterodoxo, que se aproximava mais dos primeiros estudos de Augusto Comte que criaram a disciplina da sociologia e era apoiada pelo discípulo de Comte, Emile Littré.

A configuração atual da bandeira do Brasil é um reflexo dessa influência na política nacional. Na bandeira lê-se a máxima política positivista Ordem e Progresso, surgida a partir da máxima comteana “O Amor por princípio e a ordem por base; o progresso por meta”.