A Pré-História

homohabilis

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Por questão didática é comum dividir a Pré-História em quatro grandes períodos: paleolítico, mesolítico, neolítico e idade dos metais. Vejamos as principais caracterísiticas de cada período.

PALEOLÍTICO – Nesse período, os alimentos eram conseguidos através da coleta de vegetais e frutos silvestres, da caça e da pesca. Isso explica o caráter nômade desses grupos humanos primitivos, visto que sua permanência em determinados lugares dependia dos recursos disponíveis na natureza.

Os frutos, vegetais e moluscos recolhidos pelas mulheres e crianças já não eram suficientes para assegurar a sobrevivência da espécie. Os homínidas transformaram-se então em carnívoros, matando outros animais para sobreviver. Essa nova atividade determinou uma divisão sexual do trabalho, como o homem dedicando-se à caça e a mulher à coleta e zelando pela unidade familiar.

O domínio do fogo, isto é, o poder de produzi-lo, conservá-lo e transportá-lo, foi uma das maiores realizações do Paleolítico, pois permitiu aos homínidas defenderem-se dos inimigos e dos animais, protegerem-se das intempéries e cozinharem os alimentos. E, além disso, aumentou a crença do homem em suas próprias possibilidades e capacidades. O homem já conhecia o fogo, que os raios produziam ao cair na terra. Assustava-se com ele e atribuía-lhe uma origem mágica, acreditando que era criado por forças sobrenaturais. Dominando-o, sentiu-se mais forte. Os mais antigos vestígios sobre o domínio do fogo pelo homem datam de 600 mil anos atrás.

Os progressos muito lentos da tecnologia durante o Paleolítico sugeriram um desenvolvimento também lento da inteligência humana. Assim, acreditava-se que o homem do Paleolítico mais remoto não seria capaz de promover rituais e outras atividades mentais que exigissem um certo grau de abstração. Porém, estudos recentes mostram que não há necessariamente correspondência entre o desenvolvimento tecnológico e o da inteligência. Para afirmar isso, lembram que, nos séculos XIX e XX, houve um grande avanço tecnológico sem que houvesse um desenvolvimento correspondente da inteligência humana. O mesmo teria ocorrido no Paleolítico.

 

A luta pela sobrevivência levou o homem do Paleolítico à cooperação com outros homens e a organizar-se em comunidades. Uma nova organização social era necessária para que o homem pré-histórico desenvolvesse a técnica, melhorando as condições de existência e superando as dificuldades impostas pela natureza. Inicialmente, os homens organizaram-se em clãs – são conjuntos de famílias cujos elementos julgam-se descendentes de um ancestral comum, que tanto poder ser um antepassado morto ou um elemento mítico, como um animal ou uma árvore.

Nessas primeiras comunidades humanas, o produto da caça, da pesca e da coleta era distribuído entre todos. Acredita-se que a ideia de propriedadeparticular só se aplicava a alguns objetos de uso pessoal. Ainda não ocorriam trocas entre os diferentes clãs.

Nesses grupos, não existiam homens especializados em governar, em manter seu domínio sobre os outros. Mas havia a autoridade dos mais velhos, uma autoridade moral advinda da experiência, que lhes permitia transmitir os conhecimentos, os costumes e as limitações do clã aos mais jovens.

No final do Paleolítico, a maioria dos clãs continuava nômade, mas há indícios de que, por volta de 70 a 50 mil anos atrás, já se organizavam em pequenas aldeias, às vezes semi-subterrâneas, desenvolviam rituais, criavam uma rte mural nas cavernas (arte rupestre), que incluía desenhos e pinturas, e faziam estatuetas de argiila.

As pinturas reproduziam caçadas e parece que possuíam uma função ritual, representando a relação mágica entre o caçador e a caça. Alguns pesquisadores acreditam que essa arte significa uma oferenda a um suposto”deus das feras”, para que não faltassem alimentos, ou também uma relação mística entre os homens e os animais. Segundo eles, os homens jugavam-se semelhantes aos animais e estavam certos de que poderiam incorporar o “espírito” deles e vice-versa. Outros creem que essas pinturas e esculturas eram uma forma de os homens, através das representações artísticas, acreditarem que dominariam antecipadamente os animais que iriam caçar.

A partir dessa época, podemos falar com certeza em sepulturas, o que revelaria a crença em uma vida após a morte ou uma precaução contra a volta do morto. Em muitos túmulos, foram encontrados fósseis amarrados; em outros, alimentos a adornos, o que pode indicar a preparação da alma para o caminho do outro mundo.

MESOLÍTICO – Há aproximadamente cem mil anos, as condições climáticas da Terra mujdaram, pois a temperatura aumentou e as geleiras recuaram. Surgiram novas terras, úmidas e repletas de vegetação na Europa setentrional, estimulando a migração dos animais para o norte europeu. Os homens, que eram caçadores, seguiram para essa região em busca de alimentos. Quando a caça foi rareando, eles estabeleceram-se ao longo dos rios e do litoral em busca da sobrevivência através da pesca. As culturas que aí se fixaram ficaram conhecidas nos milênios seguintes como mesolíticas e eram mais rudimentares do que as culturas do final do Paleolítico, embora tenham aperfeiçoado os processos de pesca e navegação.

No Oriente Médio, principalmente na Palestina, o Mesolítico foi o período de transição entre uma economia caçadora e coletora e uma agrícola e pastoril.

Muitos grupos mesolíticos tornaram-se sedentários, habitando tanto grutas quanto pequenas aldeias de choupanas. Iniciaram a domesticação dos animais e da agricultura, práticas que se generalizaram no Período Neolítico. Também desenvolveram outras invenções , como arco e flecha, redes, anzóis e barcos capazes de longas viagens.

Outros dedicavam-se ao pastoreio, e talvez a maioria se dedicasse à caça, à defesa ou ao saque de agricultores. Estes últimos continuavam nômades.

Os progressos realizados pelas culturas mesolíticas no Oriente Médio acabaram com a unidade cultural do Paleolítico. Foi o início de uma diversidade cultural, característica das civilizações posteriores.

Os mesolíticos preservaram muitos rituais  religiosos do final do Paleolítico. Continuaram, por exemplo, sepultando seus cadáveres em posição curvada e sepultavam os crânios, mesmo daqueles chacinados por canibais ou caçadores de cabeça. O crânio era considerado a fonte do poder e por isso era enterrado e cultuado pelos conhecidos do morto.

NEOLÍTICO – Tanto no Paleolítico como no Mesolítico o homem era extremamente dependente da natureza, cuja sobrevivência estava ligada à predação, embora, no Oriente Médio, alguns grupos já cultivassem vegetais e domesticassem animais. No Neolítico, o homem estabeleceu novas relações com a natureza. Ele já não era apenas um predador. Passou a ser também produtor de alimentos. Selecionou animais e vegetais que lhe interessavam e desenvolveu técnicas agrícolas e pastoris. começou a irrigar e estrumar a terra, a enxertar os vegetais e criou pastagwens e cercados para o rebanho, gerando assim meios para desenvolver ainda mais as aldeias. Com isso, a pesca, a caça e a coleta deixaram de ser as principais fontes de alimentos. Esse conjunto de transformações é conhecido como Revolução Neolítica, e é um dos mais importantes processos da história da humanidade. Tal revolução não ocorreu ao mesmo tempo nem no mesmo ritmo em todas as regiões povoadas pelos homens. Alguns povos viveram mudanças  em todos os setores: aperfeiçoaram a agricultura, o pastoreio e criaram a indústria cerâmica, a tecelagem, a urbanização e até mesmo a metalurgia. Outros desenvolveram apenas alguns setores. Há também casos de transformações tardias, como ocorreu no continente americano. No Velho Mundo, Eurásia e África, a assimilação dessas transformações, difundidas pelos imigrantes do Oriente Médio, variou conforme as diversidades geográficas e humanas de suas diferentes regiões.

Mesmo com o desenvolvimento da agricultura e do pastoreio e a sedentarização das populações, as outras formas de sobrevivência não desapareceram. Embora a vida sedentária dominasse, muitos grupos continuaram nômades, dedicando-se à caça e aos saques das aldeias em busca de alimentação. Esses grupos tenderam a buscar refúgio em lugares inóspitos, como montanhas, florestas e desertos.

A agricultura e o pastoreio deram origem a uma divisão social mais amploa, pois surgiram sociedades dedicadas mais a uma atividade do que a outra.

A menor dependência do homem em relação à natureza e o aumento da produtividade (decorrente da divisão do trabalho e do desenvolvimento da tecnologia) favoreceram o crescimento da população das aldeias, bem como o surgimento de um grupo de pessoas especializadas na adiministração da produção e na defesa da terra. Esses indivíduos eram sustentados pelo trabalho dos produtores.

Nos primeiros tempos da agricultura e da criação, as comunidades produziam apenas para a subsistência. Mas o desenvolvimento tecnológico, quando não havia calamidades climáticas, permitia a produção de um excedente. Esse excedente era armazenado para ser consumido pela coletividade em cerimônias rituais ou em épocas desfavoráveis à produção, além de pertencer a todos.

A base da sobrevivência humana provinha da agricultura. Esta era principalmente atribuição das mulheres, o que levou à valorização do elemento feminino nessas comunidades. A fertilidade da terra passou a ser associada à fertilidade feminina: as mulheres eram consideradas as responsáveis pela abundância das colheitas, porque conheciam o mistério da criação. A terra foi associada à mãe que gerava o filho: era chamada de mãe-terra, que dava origem aos homens, aos alimentos, e à qual os homens voltavam após a morte, ao ser enterrados. Os elementos femininos e maternos tornaram-se sagrados.

Os agricultores do Neolítico passaram também a valorizar sua aldeia, a casa e terra cultivada, os lugares onde viviam e de onde retiravam sua alimentação. A casa passou a ser a imagem do Universo e foi dividida em cômodos destinados aos homens e às mulheres, simbolizando o mundo dividido entre elementos masculinos – que representavam o céu – e femininos – que representavam a mãe-terra. No Oriente Médio, os mortos eram enterrados no solo da casa.

Havia diferenças entre os rituais religiosos das diversas culturas neolíticas, mas, em linhas gerais, elas tinham alguns elementos comuns.

Simultaneamente ao culto dos mortos, aparece o culto da fertilidade ligado à agricultura e ao pastoreio. Aliás, os dois cultos interligavam-se. Os mortos eram enterrados ao lado de estátuas de argila representando figuras. Outros símbolos e crenças também atestam esses cultos da fertilidade: estatuetas de deusas e deuses da tempestade; crenças e rituais relacionadaos com o “mistério” da vegetação. Também parece fora de dúvida que os homens do Neolítico acreditavam na eternidade da alma.

IDADE DOS METAIS – No final do Neolítico descobriu-se a metalurgia, que permitiu a confecção de armas e ferramentas mais resistentes. O primeiro metal a ser fundido foi o cobre. Depois veio o bronze, que é uma fusão do cobre com o estanho. Já no período entre 3000 e 1000 a.C., em diversos lugares, os homens aprenderam a fundir o ferro.

A fundição dos metais criou toda uma simbologia e mitologia em torno deles, com destaque para os ritos referentes ao ferro.

As populações pré-históricas, desde os tempos do Paleolítico, conheciam  o ferro na forma de meteoritos que haviam caído na Terra. Tratavam-se como pedra, que lascavam ou mesmo poliam para produzir ferramentas. Tinham como verdade que era uma celeste, mesmo quando passaram a utilizar os minerais ferrosos da superfície da terra. Nesse tempo, o ferro era usado para rituais religiosos. Ao contrário do cobre e do bronze, a metalurgia do ferro difundiu-se rapidamente, pois as jazidas eram ricas e fáceis de ser exploradas. A rápida difusão do ferro teve consequências religiosas importantes. Os homens acreditavam que o ferro crescia nas cavernas e minas, da mesma forma que as plantas cresciam no solo. As cavernas e minas foram comparadas à mãe-terra sagrada dos agricultores. Os minérios eram considerados embriões que, se fossem deixados nas minas, iriam amadurecer e desenvolver-se, embora lentamente. Os mineiros os retiravam da terra, que era sagrada. Por isso, tinham de praticar rituais religiosos de purificação, de meditação e oração.

Os ferreiros enviavam o minério aos fornos para fundi-lo. Essa prática era a mais difícil e perigosa. O artesão substituía a mãe natureza para acelerar e completar o amadurecimento do metal. Por isso, os ferreiros tinham de observar uma série de precauções, tabus e ritos. Durante certo tempo, tinham de jejuar e manter-se castos, entre outras coisas. Eram considerados os senhores do fogo, porque através dele transformavam o minério.

O ferro permitia a construção de ferramentas para a produção de alimentos e de espadas para matar. Assim, contribuía para o bem e para o mal. O ferro contriuiu também para o aumento da produtividade do trabalho, liberando ainda mais o homem da dependência da natureza. A partir dos metais deve-se salientar também que se formaram Estados militaristas, que se expandiram, dominando novos territórios e explorando os povos derrotados.

 

 

 

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