VESTIBULAR PUC-RJ – 2020

QUESTÕES OBJETIVAS

36 No século XV, navegadores portugueses, aventurando-se ao longo da costa da África, começaram a expandir os limites do mundo conhecido pelos europeus. Em breve, também o oceano Atlântico, então considerado intransponível, seria desbravado, ensejando o encontro com um “Novo Mundo”.

Sobre a expansão marítima europeia nos séculos XV e XVI, considere as seguintes afirmativas:

I – As navegações portuguesas no litoral ocidental africano levaram ao estabelecimento de feitorias e ao início, em pequena escala, do tráfico de escravos africanos.

II – A viagem de circunavegação, concluída por Fernão de Magalhães em 1522, confirmou empiricamente a negação das representações e concepções planas da Terra.

III – Até sua morte, Colombo acreditaria que havia descoberto não um continente desconhecido, mas sim uma nova rota para o velho mundo familiar da Ásia ou talvez o próprio paraíso cristão.

IV – A expansão marítima e comercial lançou as bases de vastos impérios coloniais europeus que perduraram, alguns, até o século XX.

Estão corretas as afirmativas:

 (A) I e II.

(B) III e IV.

(C) I, II e III.

(D) I, III e IV.

(E) Todas as afirmativas.

37 Sobre os movimentos religiosos que transformaram a Europa, nos séculos XVI e XVII, é INCORRETO afirmar que:

(A) a intenção original dos primeiros reformadores não era romper a unidade da Igreja Católica, mas sim restaurar práticas e doutrinas cristãs supostamente mais puras e verdadeiras.

(B) observou-se neste período não apenas uma, mas várias propostas de reforma religiosa, todas as quais alegavam estar restaurando o autêntico cristianismo católico.

(C) havia um consenso entre os reformadores protestantes a respeito da forma que a verdadeira Igreja deveria assumir.

(D) na base da rebelião iniciada por Martinho Lutero, desencadeada por uma nova campanha de venda de indulgências, estavam inquietações espirituais de longa data relativas à salvação.

(E) o humanismo renascentista abriu caminho para as reformas religiosas ao questionar a antiga estrutura medieval de entendimento dos textos sagrados.

38 O historiador inglês Eric Hobsbawm chamou de “Era das Revoluções” o período entre 1789 e 1848, no qual o mundo passou por profundas transformações.

Sobre esse período, assinale a alternativa CORRETA.

(A) O Mercantilismo consolidou-se como a política econômica dominante, por meio da qual o Estado buscava garantir o seu desenvolvimento comercial e financeiro, fortalecendo, ao mesmo tempo, o próprio poder.

(B) Ocorreu um alargamento das fronteiras do mundo até então conhecido, com o início da Expansão Marítima e Comercial europeia em direção à África, Ásia e América, tornando o oceano Atlântico o principal eixo econômico da época.

(C) Foi um período de grande estabilidade política, dado que os governos europeus, apesar da difusão das ideias iluministas e da ocorrência da Revolução Americana, não sofreram quaisquer conflitos internos ou externos.

(D) Ocorreu a Revolução Industrial, e o Antigo Regime sofreu profundos abalos a partir da difusão dos princípios iluministas, inclusive com repercussões nas colônias europeias nas Américas.

(E) A religião voltou a assumir papel central na sociedade europeia da época e, consequentemente, a nobreza e o clero reassumiram todo o seu prestígio político, econômico e cultural.

39 Do século XV ao XIX, uma enorme quantidade de africanos foi levada pelo tráfico negreiro aos territórios americanos que se encontravam sob controle dos impérios europeus. Nesta imigração forçada, cerca de 400 mil cativos foram enviados para as colônias inglesas, 1,6 milhão, para as espanholas e 3,6 milhões, para a portuguesa. Levando-se em conta a intermitente ação do contrabando, estima-se um total de 10 milhões de pessoas ou mais transladadas para as Américas no período. A escravatura sobreviveu ao mundo colonial, ajustando-se às formas de governo dos Estados que aqui se afirmaram após a independência. A República norte-americana e o Império do Brasil – a mantiveram por longo tempo.

Sobre a escravidão nas Américas considere as seguintes afirmativas:

I – Embora a Constituição da República norte-americana (1787), por princípio, pregasse a ampliação da igualdade política, os arranjos políticos, realizados entre os estados escravistas e os estados livres, criaram cláusulas constitucionais específicas para manter a escravidão que só seriam derrubadas com o advento da guerra civil.

II – No Brasil, a manutenção da escravidão foi defendida apenas pelos cafeicultores fluminenses e mineiros ao longo do século XIX, e o forte poder de ambos junto ao Imperador mostrou-se mais que suficiente para estendê-la até o final do Segundo Reinado.

III – Ser uma ordem monárquica ou uma ordem republicana importava para os escravos, mas não tanto para os libertos e homens livres de cor naquelas sociedades. No período pós-abolição, o negro livre continuaria a ser segregado pela cor, mas suas formas de resistência dar-se-iam do mesmo modo e com igual intensidade.

IV – As lutas pela mobilidade social e política dos negros foram enormemente dificultadas após a abolição. No Brasil, a continuidade da aceitação da existência de “diferentes condições de gente” e da manutenção de privilégios para alguns cidadãos contribuiu para naturalizar discursos racialistas e a própria discriminação racial aos olhos de muitos contemporâneos.

Estão corretas as afirmativas:

(A) I e III.

(B) I e IV.

(C) II e III.

(D) II e IV.

(E) III e IV.

40 A política de expansionismo e domínio econômico, cultural e territorial praticada por países europeus, pelos Estados Unidos e pelo Japão, entre o fim do século XIX e o início do século XX, é chamada de imperialismo. Sobre o imperialismo, analise as afirmativas a seguir.

I – A expansão do capital financeiro produziu um sistema internacional onde regiões agrícolas ou pouco industrializadas ficaram dependentes das principais potências econômicas.

II – Os defensores do expansionismo imperialista argumentaram que a conquista seria justificável, pois regiões atrasadas ou selvagens seriam “civilizadas” pelo comércio, pela moral e pela ciência.

III – A ampliação da circulação de mercadorias, pessoas e ideias construiu, por décadas, um ambiente internacional de contínua prosperidade, abundância e paz.

IV – O ideal civilizatório que sustentou o expansionismo imperialista possibilitou o desenvolvimento de teorias racistas que afirmavam a superioridade de colonizadores frente aos colonizados.

Estão corretas as afirmativas:

(A) I e III.

(B) II, III e IV.

(C) I e IV.

(D) II e IV.

(E) I, II e IV.

41 A Primeira República brasileira foi um período de intensas transformações nas esferas política, econômica, social e cultural. No âmbito das relações de trabalho, a recente abolição da escravidão – em 1888 – transformou os trabalhadores escravizados em livres. Na prática, porém, os desejados direitos sociais e a valorização do trabalho precisaram ser reivindicados por meio de lutas cotidianas, travadas por diferentes grupos organizados.

Sobre as lutas do movimento operário na Primeira República, assinale a afirmativa INCORRETA.

(A) Os sindicatos por ofício constituem a base da organização operária na Primeira República, sendo o tipo de organização predominante e tendendo a ser a forma priorizada pelo movimento operário, pelo menos até a segunda metade dos anos 1910.

(B) Os trabalhadores conseguiram disseminar uma experiência de reivindicações, consolidando ideais e práticas de luta. Essas transformações foram fruto de uma ação cotidiana, que se realizava nas fábricas, nas associações de classe e nas ruas, sofrendo sistemática recusa dos patrões, mas contando com amplo apoio do Estado e da polícia.

(C) Além das sociedades mutualistas e das sociedades de resistência em suas diversas variedades e instâncias, conviveram, na Primeira República, uma ampla variedade de formas de organização dos trabalhadores, como cooperativas de consumo e de produção e associações culturais, recreativas, educacionais e políticas.

(D) Em 1922, com a fundação do Partido Comunista do Brasil, consolida-se uma nova corrente ideológica no movimento operário, que já vinha sendo gestada desde o final da década precedente, no rastro da influência da Revolução Russa.

(E) As principais demandas levantadas pelo movimento operário logo nos anos iniciais da Primeira República, excluindo as questões salariais, eram: carga horária de oito horas de trabalho; a regulamentação do trabalho feminino (com normas que protegessem a gravidez) e dos menores; uma lei de acidentes de trabalho.

42 Acerca da participação brasileira e dos impactos da Primeira Guerra Mundial no Brasil, é CORRETO afirmar que:

(A) após o afundamento de navios da marinha mercante, o Brasil enviou um significativo contingente de soldados para o front de batalha, atuando de forma decisiva nos combates desde o início da Guerra.

(B) embora fosse uma república, a proximidade político-cultural com o Império Alemão e o interesse pela obtenção de tecnologia militar contribuíram para que o Brasil combatesse ao lado da Tríplice Aliança.

(C) após a guerra, os países fornecedores de matérias-primas tiveram uma rápida recuperação de suas exportações. Contudo, centrada na produção de café, a economia brasileira se manteve estagnada.

(D) a participação no conflito garantiu à diplomacia brasileira participação na Liga das Nações, órgão criado em 1919 para solucionar conflitos internacionais e garantir a paz mundial.

(E) como os combates aconteceram em território europeu, longe de terras brasileiras, a imprensa nacional e a opinião pública, em geral, se mantiveram alheias ao conflito, evitando pressionar o governo.

43 Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os governos dos Estados Unidos e da União Soviética foram os protagonistas de uma disputa política, militar, econômica e cultural de alcance global. A tensa rivalidade entre as duas superpotências e seus aliados dividiu o mundo por quatro décadas e foi denominada “Guerra Fria”.

Sobre esse período, é CORRETO afirmar que:

(A) a competição tecnológica esteve no centro da disputa da Guerra Fria. A construção de satélites, mísseis e redes de comunicação tornaram o mundo mais seguro e politicamente estável.

(B) a tensão militar ficou concentrada no continente europeu. Com isso, a América Latina, África e Ásia ficaram livres de ações intervencionistas de americanos e soviéticos.

(C) os arsenais de bombas atômicas eram o “ponto de equilíbrio” da Guerra Fria. A capacidade de destruição mútua fez com que os Estados Unidos e a União Soviética evitassem um conflito direto.

(D) a perseguição ideológica fez com que milhares de americanos e russos abandonassem seus países, gerando uma enorme onda migratória para as regiões do “Terceiro Mundo”.

(E) o cinema desempenhou um papel importante na construção das narrativas da Guerra Fria. Filmes americanos e soviéticos desenvolveram roteiros que enfatizavam as ideias de harmonia e compreensão a fim de equilibrar o discurso belicoso dos seus governos.

 44 Nas eleições presidenciais brasileiras de 1950, Getúlio Vargas foi eleito presidente da república pelo voto direto. Sobre seu governo (1950-1954), considere as afirmativas abaixo.

I – Após o governo propor a criação de uma empresa de petróleo que admitiria capitais privados, estatais e recursos externos, reavivou-se o acalorado debate nacionalista, ocorrido na chamada campanha do petróleo. Em meio a pressões de distintos setores da sociedade, o governo recuou e optou pela criação de uma empresa estatal monopolista, a Petrobrás.

II – Em um cenário de crescimento do eleitorado, Vargas sustentou sua campanha no apoio das camadas populares e dos trabalhadores. Contudo, isto não significou uma adesão integral. Ao longo de seu governo, as reivindicações por aumento de salário e por medidas governamentais contra a alta do custo de vida resultaram em greves.

III – Em meio ao ambiente político-ideológico da Guerra Fria e ao temor anticomunista, o governo Vargas adotou uma política externa de alinhamento incondicional aos Estados Unidos. Essa postura resultou na adoção de uma política econômica de austeridade fi scal e controle da inflação, tal como recomendava o Fundo Monetário Internacional.

IV – Desde o início de seu governo, Vargas sofreu dura oposição por parte do clandestino partido comunista e também da grande imprensa. Em 1954, a tensão política aumentou ainda mais diante do envolvimento da guarda pessoal do presidente no atentado ao jornalista Carlos Lacerda. Em meio à possibilidade de uma nova deposição, Vargas comete suicídio.

Estão corretas as afirmativas:

(A) I, II e III.

(B) III e IV.

(C) II e III.

(D) I, II e IV.

E) I e IV.

45 Sobre as ações de repressão, censura e propaganda política que ocorreram ao longo da ditadura militar no Brasil (1964- 1985) é INCORRETO afirmar que:

(A) durante o período, as atividades de censura foram essencialmente políticas, abandonando-se a perspectiva moralista e de valorização dos costumes cristãos antes presentes.

(B) logo após o golpe, em 1964, ocorreram inúmeras ações repressivas e prisões sem base legal. A decretação do Ato Institucional de 09 de abril ainda permitiu a cassação de mandatos e a suspensão de direitos políticos.

(C) publicado em 1968, o AI-5 suspendeu a garantia de habeas corpus nos casos de crimes políticos e contra a ordem econômica e social, atentando contra direitos e garantias individuais fundamentais.

(D) a censura, presente ainda que de forma desordenada, desde o golpe de 1964 e institucionalizada com o AI-5, contribuiu para se ocultarem da população as violências e arbitrariedades cometidas pela ditadura.

(E) conjugando atividades de informação e repressão, a ditadura montou um sistema coercitivo destinado ao combate aos crimes políticos e perseguição a indivíduos tidos como suspeitos.

GABARITOS COMENTADOS:

36) (QUESTÃO ANULADA)

37) Resposta: (C) havia um consenso entre os reformadores protestantes a respeito da forma que a verdadeira Igreja deveria assumir. A afirmativa está incorreta, pois não havia consenso, e sim diferentes concepções relativas à doutrina e à liturgia da verdadeira Igreja.

38) Resposta: (D) Ocorreu a Revolução Industrial, e o Antigo Regime sofreu profundos abalos a partir da difusão dos princípios iluministas, inclusive com repercussões nas colônias europeias nas Américas. A alternativa (A) está incorreta pois o Mercantilismo, política econômica predominante no período anterior da Época Moderna, foi profundamente criticado na Era das Revoluções pelo Fisiocratismo e pelo Liberalismo econômico; a alternativa (B) está incorreta pois a Expansão Marítima e Comercial ocorreu nos sécs. XV, XVI e XVII da Época Moderna e não no período da Era das Revoluções; a alternativa (C) está incorreta pois este, ao contrário, foi um período de grande instabilidade política e conflitos, marcado por revoluções que ocorreram  não só nas Américas, como também na Europa; a afirmativa (D) está correta pois, neste período entre 1789 e 1848, da chamada “Era das Revoluções”, ocorreu a Revolução Industrial e o Antigo Regime sofreu profundos abalos a partir da difusão dos princípios iluministas, inclusive com repercussões nas colônias europeias nas Américas, que se tornaram independentes; a alternativa (E) está incorreta porque a religião não voltou a assumir um papel central na sociedade europeia da época, nem a nobreza e o clero reassumiram o prestígio político, econômico e cultural que tinham no Antigo Regime.

39) Resposta: (B) I e IV. No caso da afirmativa I, a república criada em fins do século XVIII reuniu poderes coloniais bastante diversos das então províncias tornadas estados na nova ordem. As colônias do Sul, predominantemente escravistas não apenas foram muito importantes nas lutas de independência, como dominaram a política dos governos republicanos nas décadas seguintes até a crise de 1850. Um pacto importante com os estados não escravistas, a cláusula dos “três quintos” da Constituição de 1887 (segundo a qual cada escravo valia 3/5 de um homem livre para efeitos de representação no Congresso), até a guerra de secessão. No caso da afirmativa IV, a emancipação dos escravos sem quaisquer tentativas por parte das elites governantes de pensar a nova inserção dos libertos na sociedade republicana recém-criada a partir do alto, por golpe de setores fortemente comprometidos com a manutenção de privilégios e hierarquias passadas, contribuiu para protelar e naturalizar a discriminação racial. Na afirmativa II, é incorreto dizer que a manutenção da escravidão no Brasil era defendida apenas pelos cafeicultores escravistas. Outros grupos sociais e os identificados a outros setores da economia partilhavam da ideia da manutenção da escravidão rural ou urbana. E, na afirmativa III, é incorreto dizer que o fato de ser uma monarquia ou uma república não importava para os libertos e os homens livres de cor. Importava para os homens livres em geral, para a ampliação ou estreitamento da sua participação política e da sua representação enquanto cidadãos.

40) Resposta: (E) I, II e IV. As afirmativas I, II e IV estão corretas, assim sendo a resposta a ser marcada é a letra E. A afirmativa III está errada, pois no período em tela – entre o fim do século XIX e o início do século XX – a economia capitalista passou por algumas crises econômicas e em muitas ocasiões políticas protecionistas foram ativadas em repostas à volatilidade do mercado. Não sendo adequado, portanto, a descrição de “um ambiente internacional de contínua prosperidade, abundância e paz”.

41) Resposta: (B) Os trabalhadores conseguiram disseminar uma experiência de reivindicações, consolidando ideais e práticas de luta. Essas transformações foram fruto de uma ação cotidiana, que se realizava nas fábricas, nas associações de classe e nas ruas, sofrendo sistemática recusa dos patrões, mas contando com amplo apoio do Estado e da polícia. A afirmação está correta no que se refere à disseminação e consolidação de práticas e ideais de luta. Também sobre como eram praticadas as ações que levaram a essas transformações e sobre a recusa sistemática dos patrões. Contudo, está incorreto ao afirmar que os trabalhadores contaram com amplo apoio do Estado e da polícia, já que a polícia, com o aval do Estado, praticou a coerção, perseguição e repressão a todo tipo de ação envolvendo os operários, fosse por meio de greves coletivas ou de protestos individuais contra as mais diversas formas de arbitrariedades a que estavam sujeitos no espaço de trabalho e fora dele. Essas ações dos trabalhadores eram consideradas ameaças à ordem social. Nesse momento a questão social era considerada “questão de polícia”. Ou seja, considera-se que devia se reprimida e não solucionada.

42) Resposta: (D) a participação no conflito garantiu à diplomacia brasileira participação na Liga das Nações, órgão criado em 1919 para solucionar conflitos internacionais e garantir a paz mundial. A alternativa (A) está incorreta porque a presença brasileira só se efetiva com a declaração de Guerra em 26 de outubro de 1917, ou seja, já na parte final do conflito. Também pode-se dizer que a participação não foi decisiva para os combates, visto que o contingente foi modesto. Uma força naval de seis navios com cerca de 1500 homens, um corpo de aviadores e uma missão médico-militar que não contava com equipamentos modernos, enfrentou problemas diversos problemas na costa da África como a disseminação da gripe espanhola entre os tripulantes da frota. A alternativa (B) está incorreta porque as forças brasileiras combateram ao lado da Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia), contra o bloco em que participava o Império Alemão (Tríplice Aliança) A alternativa (C) está incorreta porque embora o cenário de guerra tenha dificultado a importação de bens de capital, foi possível notar algum crescimento industrial, em especial no setor têxtil que vivenciou o surgimento de inúmeras novas empresas e ampliou significativamente o número de postos de trabalho oferecidos. A alternativa (E) está incorreta porque embora os combates tenham sido travados grosso modo na Europa, os debates na imprensa e na opinião pública brasileira acerca da participação ou não na Guerra foram intensos. Organizações como a Liga de Defesa Nacional, a Liga Nacionalista e a Liga de Defesa dos Aliados, por exemplo, também pressionaram o governo para uma postura mais efetiva no conflito.

43) Resposta (C) os arsenais de bombas atômicas eram o “ponto de equilíbrio” da Guerra Fria. A capacidade de destruição mútua fez com que os Estados Unidos e a União Soviética evitassem um conflito direto. A alternativa (A) está errada, pois a construção de tecnologias de controle e destruição de longo alcance, como mísseis ou satélites, colocaram ao mundo a possibilidade de uma guerra em escala global. A tensão militar tomou feições particulares em todos os continentes, fazendo da afirmativa (B) uma alternativa errada; a alternativa (D) está incorreta pois mesmo submetidos a perseguições não houve uma evasão de população russa ou americana para regiões do Terceiro Mundo; a alternativa (E) está incorreta pois as narrativas do pósguerra têm uma interessante diversidade, mas a guerra como cenário para o cinema se impôs, a solução por um cinema moral que enfatizaria a harmonia social não teve sucesso.

44) Resposta (D) I, II e IV. A afirmativa III está incorreta porque Vargas tentou superar os problemas econômicos deixados pelo governo Dutra com um projeto de desenvolvimento industrial centrado no estímulo e apoio do Estado para a indústria de base. Para incrementar esta ação apostou mais uma vez em uma política externa que procurava barganhar vantagens com os Estados Unidos em troca de apoio político. Entretanto, em meio ao ambiente da Guerra Fria, o espaço para manobra era limitado.

45) Resposta (A) durante o período, as atividades de censura foram essencialmente políticas, abandonando-se a perspectiva moralista e de valorização dos costumes cristãos antes presentes. A alternativa está incorreta porque a Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCPP) criada em 1946 permaneceu atuante. Esta dizia assumir um papel em defesa do que entendia ser a moral e os bons costumes da sociedade brasileira. Assim combatia o uso de palavrões em peças de teatro, letras de duplo sentido e cenas de sexo no cinema, por exemplo.

QUESTÕES DISCURSIVAS

Questão 4 (valor: 1,5 pontos)

Os operários cujas fábricas já se acham fechadas há dias encaminhar-se-iam para o Campo de São Cristóvão. Os das fábricas de Vila Isabel, Andaraí e subúrbios também deveriam estar às 16 horas no mesmo Campo de São Cristóvão. Aí reunidos em grande número, atacariam a Intendência da Guerra, após, apossar-se-iam do armamento e do fardamento. Fardados, os amotinados e, quando chegassem as forças do Exército, estabelecer-se-ia a confusão e então esperariam que os soldados confraternizariam com eles. Partiriam em direção à cidade e o primeiro edifício que devia ser dinamitado era a Prefeitura, daí iriam atacar o Palácio de Polícia e em seguida o Quartel-General da Brigada Policial. Enquanto esses executavam esta parte do programa, os operários da Gávea e do Jardim Botânico atacariam o Palácio do Catete e em seguida o da Câmara, prendendo o maior número possível de Deputados. Então seria proclamado o Conselho de Operários e Soldados.

Jornal do Brasil, 1918. Apud. Matos, M. B. Trabalhadores e Sindicatos no Brasil. São Paulo. Expressão Popular, 2019, p.57.

Acima está um relato de época descrevendo a tentativa (frustrada) de militantes anarquistas na organização de um movimento insurrecional que deveria ter ocorrido no Rio de Janeiro, em novembro de 1918. Com atenção ao contexto histórico local e global deste relato:

a) INDIQUE o acontecimento internacional desse período que influenciou os rumos do movimento operário brasileiro a partir de 1917.

O candidato deve indicar o acontecimento da Revolução Russa de 1917.

b) CARACTERIZE o anarquismo e o socialismo enquanto principais correntes ideológicas que orientaram as ações do movimento operário no período da Primeira República no Brasil.

Como características do anarquismo, o candidato deve citar que havia a proposta de extinção imediata do Estado e da propriedade privada. Isso significa que, entre outros aspectos, o ideário comum dos anarquistas passava pelo antiestatismo, pela recusa da luta político-parlamentar, pelo anticlericalismo e pela rejeição a qualquer forma de opressão sobre o indivíduo. Os anarquistas acreditavam que a única forma do movimento operário conquistar seus direitos era afastar a política de caráter eleitoral, partidária, e parlamentar de seu interior, pois a considerava totalmente indiferente a seus propósitos. Os trabalhadores anarquistas rejeitavam os partidos políticos e suas propostas. A estratégia revolucionária anárquica pregava a luta política através das greves e da educação da classe trabalhadora. Para eles a revolução só ocorreria se houvesse uma transformação profunda no homem trabalhador. Os métodos de luta anarquista admitiam o uso da força como resistência à violência capitalista do Estado e do patronato em geral. Uma greve poderia ser utilizada tanto como um expediente de resistência e defesa pacífica quanto como uma forma mais impositiva e violenta de realizar conquistas. Para os anarquistas o estado de revolução deveria ser permanente, constante, já que compreendiam que toda revolução em nome de “algo” ou “alguém” abre portas para um processo de exclusão. Não preconizavam uma constituição na qual se impunha direitos e deveres; acreditavam, outrossim, que a população deveria se lançar à construção de associações libertárias onde o contrato social fosse permanentemente rediscutido. Embora secundário na resposta a esta questão, estará correto se o candidato também mencionar que os periódicos (jornais) funcionaram como principal meio de propagação das ideias anarquistas e que havia a atuação de grupos na educação de trabalhadores e na participação de associações diversas, inclusive nos sindicatos o que gerou o chamado anarcosindicalismo. Sobre o socialismo, é fundamental que seja explicitado que os adeptos dessa corrente ideológica defendiam a união dos trabalhadores em torno de um partido político (aí está a maior distinção com relação ao anarquismo). Para eles, esse seria o início de um processo que culminaria na criação de uma sociedade socialista, que se constituiria por meio de um programa de reformas. Os socialistas pregavam a tomada do Estado, enquanto os anarquistas pregavam a sua destruição. Embora secundário para esta questão, o candidato também pode mencionar que esses grupos professavam um socialismo bastante eclético. A maioria defendia um programa de reformas do governo instituído (e não necessariamente a destruição do Estado), e pretendia concretizá-lo por meio de pressões e da eleição de seus representantes. Embora não seja fundamental para responder a essa questão, também é possível que o candidato mencione que a concorrência ideológica entre anarquistas e socialistas se torna mais acirrada com a Revolução Socialista Russa de 1917. É importante destacar que o socialismo que passou a disputar a hegemonia com o anarquismo no pós 1920 era qualitativamente diferente do socialismo anterior. O socialismo desse contexto se funda na teoria marxista-leninista, que busca o exercício direto do poder político através de um partido operário revolucionário e da consequente “ditadura do proletariado” como forma de passagem para o comunismo. Nesse ponto o conflito com a ideologia anarquista era total e claramente definido.

Questão 5 (valor: 1,5 pontos)

“Sabemos que teremos começos difíceis, mas, novamente, eu estou contando com o seu apoio, estou confiando em seu trabalho duro. Não importa o quão longe meu olho vai, eu posso ver que você está aqui em seus milhões e meu último aviso para você é que você esteja firme atrás de nós para que possamos provar ao mundo quando é dada ao africano uma chance de que ele pode mostrar ao mundo que é alguém! Temos despertado. Não vamos mais dormir. Hoje, a partir de agora, há um novo africano no mundo! A nossa independência é sem sentido a menos que seja ligada com a libertação total de África”.

Kwame Nkrumah. Discurso proferido por ocasião da independência de Gana em 06 de março de 1957.

A partir da leitura do discurso acima, proferido pelo primeiro-ministro de Gana e intelectual pan-africanista, Kwame Nkrumah, e de seus conhecimentos sobre as independências dos Estados africanos, faça o que se pede.

a) CITE dois países africanos, exceto Gana, que buscaram sua independência após a Segunda Guerra Mundial.

Após a Segunda Guerra Mundial intensificou-se a luta nacionalista e anticolonialista em solo africano, sendo Gana a primeira nação a obter sua independência política naquele contexto. O candidato poderá citar os seguintes países: Angola, Argélia, Benin, Botsuana, Burkina Fasso, Burundi, Cabo Verde, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Comores, República Democrática do Congo, República do Congo, Costa do Marfim, Dijbouti, Gabão, Gambia, Guiné, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Quênia, Lesoto, Líbia, Madagascar, Malawi, Mali, Mauritânia, Maurício, Moçambique, Níger, Nigéria, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Seicheles, Somália, Suazilândia, Sudão, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Zambia, Zimbábue, Egito, Etiópia, África do Sul e Marrocos.

b) EXPLIQUE um princípio então defendido pelo ideário pan-africano.

Dentre os princípios defendidos pelo pensamento pan-africanista o candidato poderá explicar a defesa de uma África livre da dependência colonial. Esta se ancorava em articulações políticas em defesa do princípio da independência política e a busca e o apoio constante à luta pela emancipação e autonomia dos povos 9 africanos. Outro ponto a ser destacado foi o esforço de construção de relações diplomáticas independentes entre os países independentes africanos e a ONU com a montagem de uma frente única. Esta procurou estabelecer uma política de não-alinhamento com as grandes potencias e de especificidade diante das tensões da guerra fria. O estudante poderá explicar também que o pensamento pan-africanista procurava valorizar a unidade e uma identidade africana, destacando não só características comuns como também trajetórias de luta similares que envolviam entre outros elementos o combate ao racismo e a luta contra o imperialismo.

Questão 6 (valor: 2,0 pontos)

O nacionalismo varia em intensidade e formas (podendo ser progressista ou conservador, monárquico ou republicano, fascista, de esquerda, autoritário ou liberal). O que une esses diferentes nacionalismos é o discurso e a retórica da nacionalidade ou a ideia de nação. E, em todos os casos, pode-se dizer que o discurso nacionalista para ser eficaz deve ser reproduzido diariamente (imprensa, festas, rituais e símbolos cívicos, monumentos, artes visuais em geral, música, educação etc).

a) CITE um exemplo histórico de nacionalismo ocorrido no século XIX na Europa.

O candidato deverá citar como exemplos históricos de nacionalismo europeu no período as Unificações Italiana e Alemã; os movimentos de independência da Bélgica, Grécia e Polônia; o movimento na Sérvia.

b) ANALISE, a partir das formas acima descritas, uma ideia que impulsionou os movimentos nacionalistas no século XIX.

Dentre as ideias que impulsionaram os movimentos nacionalistas no século XIX o candidato poderá analisar: a congruência entre estado e nação, isto é, a ideia de que a cada nação deveria corresponder um estado; a consequente busca da unidade territorial de dito estado-nação; a busca de homogeneidade étnica entre os nacionais; a referência a um destino histórico comum; a alusão à existência de uma origem comum, mesmo que mítica; a ancestralidade, cultura e língua comuns, como bases para o deslanchar de muitos dos movimentos de unificação do período. A Unificação Italiana (quando os Reinos do Mezzogiorno, ou do Sul e os Estados Papais foram submetidos aos Reinos do Piemonte, ou do Norte), foi iniciada durante as décadas de 1830 e 1840, em meio às sublevações republicanas lideradas por Giuseppe Mazzini, e foi continuada nos anos de 1860 em diante pelo rei Victor Emmanuel II (do Piemonte e Sardenha) e pelo seu primeiro ministro Cavour. Por volta de 1870, os últimos territórios – Veneza ainda sob os austríacos e Roma e seu entorno com os Estados Papais – serão finalmente incorporados. A monarquia, não a república, acabou predominando e o forte conservadorismo do Partido da Ação prevaleceu. Com um Estado nacional unificado nesses moldes, a modernização capitalista disparou e a Itália passou a ocupar o seu lugar entre as novas potências capitalistas emergentes das últimas décadas do século XIX, expandindo seus interesses para o Norte da África e para os Balcãs. A unificação alemã veio associada à política imperial do Kaiser Guilherme I, quando as várias comunidades culturalmente alemãs ou os chamados estados germânicos, ainda dispersos num vasto território e divididos sob o domínio de diferentes Impérios – (por exemplo: o Austro-Húngaro e o Russo) são finalmente submetidos, entre 1865 e 1871. Utilizando a força militar do já forte Estado prussiano, liderada pelo seu Chanceler profundamente antiliberal, Otto Von Bismarck, o Kaiser Guilherme I une-se à Áustria numa Guerra contra a Dinamarca (1864) para incorporar os territórios mais setentrionais à Confederação Germânica do Norte, recém criada por Bismark. Esta última e a Prússia, posteriormente vitoriosas, declaram Guerra contra a França (1871), tomando-lhes os territórios da Alsácia-Lorena. Ambas as Unificações apresentam caráter autoritário e flertam com a aristocracia (uma mais a outra menos) e são reformistas. A solução monarquista apareceu nas duas, embora na Itália, pode-se dizer que as ideias republicanas tiveram um papel bem forte.